
Uma polêmica interessante foi lançada pelo jornal inglês The Guardian, referindo-se à capa do novo disco do Oasis, aquela banda arrogante (e com algumas canções muito boas) que a gente conhece.
Segundo o post (de hoje) na seção de música do portal Terra:
O The Guardian disse hoje, em seu blog de música, que a capa do novo disco da banda Oasis, Dig Out Your Soul, só “faz sentido se você usa as drogas certas, vem de Burnage (subúrbio de Manchester, cidade natal do Oasis) e se chama Noel Gallagher”.
A nota no blog do jornal cita uma entrevista recente que Noel Gallagher deu à BBC, na qual o líder e guitarrista do Oasis diz sobre o novo álbum: “eu não passei um ano no estúdio mais caro da Inglaterra, com o produtor mais caro dos EUA, e o designer gráfico mais caro de Londres para dar (o disco) de graça”.
Após a citação, o Guardian prossegue: “então aqui apresentamos o trabalho do ‘designer gráfico mais caro de Londres’”.
Poxa! Porque eles não me ligaram que eu fazia essa capinha pela metade do preço?
Sacanagem a parte, por um lado essa capa, de fato, não traz nada de “novo” e nem é algo para se apreciar com extremo cuidado. Tem clichês e previsões catastróficas e esperançosas, além das usuais colagens no futuro do pretérito.
Nesse caso não cabe especular se o objeto é belo ou não, o importante é o que se pode construir com tais referências. Cria-se um conceito ou apenas conceitua-se o que já é padrão?
Por outro lado a indústria geralmente está habituada a tendências e modismos, isto é, a boiada deve sempre seguir o peão, preferencialmente sem ver nem opinar. Marasmos estéticos.
O que eu realmente espero é que no player o som convença, toque-me.
O “The Guardian” tratou o assunto de forma demasiada espetacular, quis comentar o rótulo sem experimentar o conteúdo. Uma típica extravagância comercial dos tablóides ingleses ou um belo trabalho da assessoria do Oasis?
Você não bebe Coca-Cola assiduamente e ainda concorda fervorosamente (do tamanho da sua vontade de bebê-la) com as propagandas Anti-Coca-Cola?
A não ser que eles já tenham ouvido de antemão e por ventura se convenceram que a capa é a melhor parte.
Os amigos do jornal britânico poderiam ter se esforçado um pouco mais. A borboleta que representa a transmutação de um mundo violento e em constantes guerras, o pecado e o paraíso da maçã não mais intacta e o futuro do mundo em nossas mãos, é algo bonito e tem o seu valor.
Em tempos onde as tendências possuem tempo de “existência” ultra-limitado, focar-se no próprio trabalho, em suas convicções e não dar muito ouvidos ao que o “Establishment” diz, parece-me condição fundamental para se trabalhar e seguir adiante. É aquela velha história, quem quer estar sempre na moda, corre o risco de estar sempre fora desta.
O Oasis já estourou, agora precisa convencer, apontar alguma coisa relevante. Não obstante, eles podem estar muito mais interessados em bacon e cervejas do que nas tais “canções relevantes”, mas aí é certo que eu não vou pagar pra ouvir, você vai?
Um abraço, Antonio Rossa