Indisciplinado por opção

Juliano Malinverni coordenou a trupe e junto com a sua Carbono12 produziu uma série de programas “webaudiovisuais” que já começaram a dar as caras na rede e em outras redes por aí.
Música e poesia embalados numa roupagem transmidiática, algo que pode ser entendido como uma história que começa a fazer parte de outras histórias em diversas mídias e assim por diante.
Até o momento já foram lançados três vídeos, e vocês poderão assisti-los logo abaixo.
Em verdade, só poderei aqui me ater a minha própria visão da coisa, já que em nenhum momento me foi esclarecido ou determinado coisa alguma. Ponto positivo, e lúcido, para um projeto chamado Indisciplina.
Somos fisgados por inúmeras coisas, propagandas televisivas fazem isso de forma magistral. Pois bem, indisciplina me pegou feito mel num formigueiro.
Depois de um exaustivo, mas muito produtivo ano de trabalho com a Transitoriamente, o que eu mais desejava era não entrar em mais nenhum projeto até a virada do ano. Indisciplina me pegou, eu já disse, mas repito. Indiscplina me soou desafiador, antes mesmo de eu ter qualquer noção do que viria. Disciplina possivelmente não me atrairia naquele momento.
A escalação das pessoas foi um bom indício de que algumas coisas seriam diferentes. Sim, as cercas pareciam menos cercadas, e as obviedades dos grupos teriam nesse projeto uma cara nova. Novos ventos, sem aquele ranço de cartas marcadas.
Jean Mafra, Vina da Caverna, Gabriel Jacomel, Juniores Rodrigues, François Muleka, Beni Menezes, Caio Lopez, Guilherme Malinverni, Felipe Melo, Jordane Camara e Kim Knoche. Foi um prazer trabalhar com algumas pessoas que eu ainda não conhecia, e outros velhos de guerra, num clima mais aberto, sem pré-definições.
Poesia musicada? Hmmm. Eu precisa fazer isso, mesmo sem ter a clareza de que precisava. Creio que eu já sabia, mas ninguém havia me confirmado isso. Juliano fez o convite e a partir dali foquei na indisciplina minha maneira de contribuir com o projeto.
Hmmm. Poesia musicada? Interessante, e logo após pensei se não haveria alguma poesia que se encaixaria nessa proposta. Espera aí, não havia proposta, ou pelo menos a proposta era simplesmente propôr formatos iniciais, e o que viria em seguida seria um próximo e inédito passo.
Chegamos ao dia da primeira gravação. Foi uma música de autoria do Juliano, que eu ouvi algumas vezes e arrisquei ir ao estúdio sem ensaios. Não sei se foi uma boa idéia, e só saberei que não ficou legal caso a música não venha a ser lançada. Tenho certeza de que a rapaziada não será tão irresponsável quanto eu.
O efeito colateral beirou uma ressaca, um porre. Acho que levei a sério demais esse lance de indisciplina.
Mas como um apostador que arrisca um quinhão maior logo após uma arrasadora derrota, e por acreditar que a poesia sendo minha a cama estaria montada para mim, fui mais uma vez sem nenhuma decisão tomada, apenas com o meu livro Eu Também - que lancei junto com Filipe Polese em 2008 – nas mãos.
A poesia apareceu, entre consultas com o pessoal que estava no estúdio e mais algumas folhadas no livro. Sem nenhuma base musical, apenas declamei aquelas palavras. Naquele vão entre a minha voz e o retorno dela pelo fone as palavras pareciam ainda mais vivas, muito mais cheias de sentido e intenção.
Por um instante achei que o livro não seria o lugar ideal para poesias, e que elas estavam ali por circunstâncias históricas e evolutivas. Se não uma prisão, uma estrada esburacada.
Divagações libertárias a parte, o resultado me pareceu honesto, e não que eu ache que honestidade é o maior valor de uma arte, há muitas coisas para serem equilibradas. Pelo menos não me esquivei diante da única premissa que me pareceu clara nesse projeto, a indisciplina.
Um abraço,
Antonio Rossa
28/12/2011 at 19:27
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