Archive for the fotografia Category

Entre olhares

Posted in fotografia with tags , on 13/04/2011 by transitoriamente

No último dia 22 de março estive no TAC (Florianópolis) captando imagens para o documentário “Sonicidades”.

Trata-se de um documentário sobre a sonoridade da cidade de Florianópolis dirigido por Daniel Marés e Tatiana Lee. Assim que eu tiver maiores informações e datas postarei aqui.

O que quero realmente dizer é que estive lá para filmar o show do violonista Felipe Coelho e o seu grupo Catavento, e enquanto rolavam as filmagens aproveitei para fazer algumas fotos.  Duas delas muito me agradaram e então eu aproveito este espaço para compartilhá-las com vocês.

Entre olhares.

Antonio Rossa

Técnica e Emoção: Diferentes sim, mas inseparáveis

Posted in fotografia with tags , , on 22/11/2010 by transitoriamente

Invisto boa parte do meu tempo na discussão e na reflexão de como realizar trabalhos fotográficos e de audiovisual misturando técnica e emoção.

Reconheço que emoção sem técnica pode fazer de um copo d´água uma exagerada tempestade, ao mesmo tempo que se utilizar apenas da técnica pode tornar um copo d´água apenas um mero e simples copo.

Conseguir juntar esses dois pontos é uma meta pela qual meus olhos se voltam frequentemente.

Há uma linha tênue que separa um artista de um esteticista, ou seja, será que não temos andado por demais preocupados com a estética ante o conteúdo conceitual de uma obra?

OS RISCOS…

É inimaginável olhar para o futuro sem a ideia de correr riscos, mesmo porque os riscos tendem a produzir resultados diferentes, inusitados, tanto para o lado positivo quanto para o oposto. É preciso atentar-se a isso com extremo cuidado, porém sem deixar que o medo paralise as ações.

É aí que entra a percepção do risco, isto é, como trabalhar de forma não engessada, utilizando-se das artimanhas da técnica, e ao mesmo tempo alcançar resultados expressivos, novos, e ainda gerar para o cliente uma experiência diferenciada, um valor?

O relacionamento aberto e franco com o cliente é fator preponderante para que o profissional obtenha o máximo de informações e faça uma leitura perspicaz do trabalho a ser feito. A confiança envolvida dirá nas entrelinhas até onde se poderá chegar.

É impressionante como ainda existem projetos onde as partes não dialogam, gerando conflitos desnecessários e levando muitas vezes o trabalho para um ponto de apatia e cegueira. Parece mentira, mas não é raro ver clientes e fornecedores se digladiando ao invés de sentarem e dialogarem a respeito de como melhorar os processos e assim alcançarem resultados mais satisfatórios. Não seria esse o objetivo? Ou as vaidades pessoais devem dar o tom do jogo?

Mais do que uma super máquina em mãos, o profissional de fotografia e audiovisual precisa fundamentalmente aprender a ouvir e observar. Quando a equipe e o cliente conseguem olhar e realmente perceber o trabalho que estão realizando, é mais fácil superar as adversidades e gerar motivação ao reconhecerem os verdadeiros ganhos. E os ganhos podem ser múltiplos.

Um bom profissional não pode apenas ter fluência no manual da câmera, é preciso conhecer o mundo a seu redor, as diferenças, as semelhanças e as particularidades.

Não é raro perceber a tentativa de um editor, um diretor, por exemplo, em dizer que seu trabalho é mais importante do que o resto. Quem está num set ou acompanha uma produção sabe que a coesão das partes gerará uma força maior e vice-versa, e que a maior importância individual não compensa certos resultados de um grupo.

Quando cada parte reconhece sua verdadeira função, e se responsabiliza verdadeiramente por ela, não há tempo para meras vaidades. Existe um trabalho e este trabalho necessita ser feito da melhor forma.

A MELHOR FOTOGRAFIA

Existe a melhor fotografia ou o melhor vídeo? Fora de contexto, é bastante provável que isso seja algo inexistente ou no mínimo raro.

Há grandes obras universais, obviamente, porém sem contextos certos brilhos passam batidos.

Cada vez mais os serviços necessitam dessas conversas claras, onde o cliente é peça-chave do início ao fim do processo. O profissional afiado consegue trazer o cliente para esse campo, sem deixá-lo com possíveis fadigas, mesmo porque o cliente não quer trabalhar diretamente, mas sim receber de volta o lucro real do seu investimento, e eu não estou falando apenas de dinheiro.

Pense nisso.

Um abraço, Antonio Rossa

“Meus pretos e brancos sentidos” #1

Posted in fotografia with tags , , , , , on 11/10/2010 by transitoriamente

 

Um contexto, por favor!

Posted in fotografia with tags , , , , , , , , , on 23/08/2010 by transitoriamente

Imagine uma foto de alguém em fundo monocromático, sem nenhum objeto, apenas a pessoa. Adicione a esta foto um novo fundo, pode ser um jardim, um cemitério ou um centro de processamento de dados com centenas de computadores.

Teremos inevitavelmente diferentes formas de ver cada uma dessas novas fotos, seja na relação da pessoa com o ambiente, seja quando focarmos nossos olhares apenas na pessoa ou nos diversos fundos, ou ainda de forma geral.

Podemos falar de fotografia meramente pela sua composição de cor, pelas pessoas e/ou objetos e suas correlações, pelo ambiente envolvido, pelas texturas que poderão indicar a temporalidade dessa fotografia, etc.

Falar em imagem sem falar em contexto é sempre um exercício perigoso, ou no mínimo superficial. Claro, pode ser justamente esta a razão de certas fotos, porém nem sempre.

Não é incomum você ver o trabalho de alguns fotógrafos considerados fora-de-série e num primeiro momento se perguntar: “Onde está a real importância dessa fotografia”? Você reconhece essa linda mulher da foto abaixo feita por Fernando Donasci?

Na famosa foto de Einstein mostrando a língua, a sua chateação com o excesso de fotógrafos a sua volta o fez reagir de forma não usual. O que você pensava sobre essa foto? Você lembra dela? Eu não a mostrarei aqui apenas para atiçar a fotografia da sua imaginação.

O brasileiro Sebastião Salgado é exímio em mostrar questões sociais fortíssimas em apenas uma foto (acima).

O que dizer e pensar sobre a foto abaixo de Kevin Carterx, no Sudão?

Alguém então poderá me questionar: Rossa, você quer dizer que a partir de agora nós precisaremos descobrir o contexto das fotos quando a vermos?

Eu responderia, de imediato, não! Ou pelo menos não necessariamente. Muitas vezes o contexto nem está evidente, porém acredito que pode ser um exercício bastante interessante caso você passe a pensar que existe essa possibilidade, e que tanto na fotografia como na vida a contextualização das coisas pode ser algo bastante esclarecedor e enriquecedor, e que parece estar fora de foco na “era da internet”, pelo menos até o momento.

Infelizmente nem sempre sabemos qual o contexto de frases, fotos, vídeos e informações que recebemos a cada segundo via web.

Você pode sair de um clipe da Lady Gaga e um segundo depois estar vendo um vídeo de uma tragédia em algum bairro de algum país, e que será precedido em mais alguns segundos por uma propaganda de cerveja com belas mulheres dançando.

As propagandas eleitorais também se misturam aos apelos televisivos comerciais, como se a novela começasse às 18h e só terminasse depois da meia-noite. Propostas? Quase não há propostas, em sua predominância frases de efeito e lamúrias emocionais sob efeito de trilhas-sonoras comoventes.

Onde estão os contextos?

O que parecia ficção científica há pouco tempo atrás, hoje já não soa exagerado dizer que estamos próximos da ideia de um universo de múltiplos contextos misturados sobre a mesma imagem, onde o pano de fundo poderá ser trocado conforme nossas necessidades ou humor.

Não corremos o risco de uma equalização emocional frustrante? E se a guerra for transformada no próximo Big Brother, nós saberemos distinguir a dor?

Pensar em contextos pode ser bom para nós.

Antonio Rossa

Luciano Bilu entre os tempos

Posted in fotografia, musica with tags , , , , , , on 23/08/2010 by transitoriamente

Gosto do sabor imprevisível da arte, suas nuances momentâneas e seus movimentos particulares.

É como se houvesse um pêndulo multi-direcional fazendo o tempo correr (ou parar), diferentemente da “lógica-relógio”.

Não que eu acredite que tudo deva ser improvisado, porém alguns pontos fundamentalmente precisam de uma certa dose de improviso para funcionar.

Claro, depois que os equipamentos estão checados e as condições positivas, é hora de deixar as coisas acontecerem sem tanta necessidade de GPS´s.

Há alguns meses fiz um ensaio fotográfico para o guitarrista catarinense Luciano Bilu (@LucianoBilu) e que seria utilizado (e posteriormente foi) no seu novo disco “Zeus és Tu”.

Desde o princípio gostei dessa ideia de desmistificar o poder humano e divino a partir das responsabilidades de cada pessoa. É mais fácil culpar Deus por nossos fracassos, ao mesmo tempo que damos demasiada importância para os sucessos pessoais e materiais. Esquecemos facilmente dessa teia que nos une de maneira inevitável e sem fronteiras perceptíveis.

Bilu e eu conversamos sobre suas ideias a fim de acharmos alguma representação para esse conceito. Veio-me a sugestão de utilizarmos construções semelhantes à arquitetura greco-romana, mas ao mesmo tempo emprestando a ela um ar contemporâneo, das interações e misturas estéticas ao redor do local ao visual do guitarrista.

Você verá uma porta de ferro, vigas trabalhadas pelo tempo, uma jaqueta usual-moderna e um poste cheio de fios elétricos, o que de fato se parece com a “vida real-real”, e não com aquela cheia de desenhos ideais. É Florianópolis, mas poderia ser qualquer esquina de qualquer lugar.

Poderíamos ter representado Bilu com roupas da época, o que não seria difícil e que poderia ficar muito legal, sim, mas queríamos abrir mais esse leque em direção à personalidade e ao dia-dia do músico.

Acabou prevalecendo a proposta dessa mistura clássica e moderna, o passado da arquitetura com a  modernidade de um all-star, e tudo mais que essas fotos puderem dizer entre e extra isso.

Simples, como a vida deveria ser.

Um abraço, Antonio Rossa

NY

Posted in fotografia with tags , , , , on 17/06/2010 by transitoriamente

 

A fotografia é uma espécie de espiã do passado no futuro. É o ontem do depois de amanhã.

Um bom registro fotográfico é tão sutil quanto a dificuldade de se obtê-lo.

Não adianta sair por aí disparando cliques compulsivamente, isto é, não necessariamente será o suficiente para se encontrar “a sua fotografia”.

Como fotógrafo, a busca pela “minha fotografia” somada ao simples prazer de registrar um tempo já me deixam pleno de motivação. Nenhuma certeza a não ser a busca e a contemplação.

A possibilidade da “sua foto” está aberta para todos aqueles que empunham uma máquina e desafiam as auto-imposições, pessoas que não possuem medo de suas próprias teimosias. É também um ótimo exercício de auto-conhecimento.  

Essas fotos do post de hoje estão neste link (clique aqui) e mostram uma Nova Iorque do início do século passado. Um deleite para os amantes da fotografia, da arquitetura e do tempo.

Então, deleite-se.

Um abraço, Antonio Rossa

Luciano Bilu prepara novo álbum

Posted in fotografia with tags , , , , , on 28/05/2010 by transitoriamente

A fera da guitarra Luciano Bilu escolheu a Transitoriamente para produzir as fotos do seu novo álbum intitulado “Zeus és Tu”, que já está em fase final de produção.

Acima você pode ver, com exclusividade, duas das fotos tiradas dessa sessão.

Um abraço, Antonio Rossa

Entrevista em Trânsito: Gus Benke

Posted in fotografia on 11/05/2010 by transitoriamente

Gus Benke é uma fotografia.

Basta olhá-lo e você poderá instintivamente fazer um gesto de fotógrafo, mesmo sem uma câmera, com as mãos próximas uma da outra simulando um clique.

Quando olho para o trabalho fotográfico desse paranaense – mas cidadão do mundo - sinto uma alegria genuína, daquelas que só expressamos com palavras pela metade, suspiros, coçadas na cabeça e certos sorrisos estranhos.

De repente Gus chega na sua frente e lhe tasca um abraço forte, mas realmente forte, e então você sente que a fotografia é apenas um detalhe e o que vale realmente são as pessoas e a vida.

Certa vez eu perguntei a Gus: Cara, como você fez aquela foto maravilhosa? Qual foi o ISO? Qual a abertura? E então ele me respondeu com um extenso sorriso: Eu fui lá e fotografei.

SIMPLES! Ali eu entendi melhor que o fazer na maioria das vezes supera o excesso do pensar, que em tantas oportunidades acaba nos freando. A simplicidade é também um ato de coragem.

A fotografia de Gus Benke está aí, viva, poética e em constante processo de mudança. Como nós.

Um abraço bem forte, Antonio Rossa

1 – Para Gus Benke, fotografar é?

Gus Benke: Fotografar é comungar com o Momento Presente, fundir-se naquilo que está observando. O grau de entrega a essa fusão, a essa comunhão, é o que influencia na força da imagem produzida. Também é uma maneira de se comunicar com o mundo e principalmente consigo mesmo. Estudar a si mesmo através do mundo externo, através  daquilo que damos atenção. A maneira pela qual vemos aquilo que fotografamos, com qual INTENÇÃO clicamos, diz muito sobre quem somos.

2 -  Não é difícil perceber que “gente” é a substância pela qual você se alimenta em suas fotos. Isso foi escolha ou destino?

Gus Benke: Não só a fotografia de Gente foi obra do “destino”, como a fotografia em si. Até meus 16 anos não gostava de fotografia, porque minha Mãe tirava muitas fotos minha durante viagens, e eu achava aquilo um saco.

Na real eu era um saco até meus 16 anos, gostava de pegar no pé de todo mundo, botar apelido, arranjar briga e todos esses atributos “aborrescentes”. Nem eu me aguentava mais!!! Um dia eu li sobre a Lei do Karma, (ou a Lei da causa e efeito) e percebi que estava criando muuuito Karma negativo. Fiquei até preocupado…(risos), pois sabia que tudo voltaria pra mim. Isso me impulsionou a mudar completamente, aliado à uma viagem pra Austrália, e passei a me esforçar ao máximo para ser uma pessoa legal com todos ao meu redor. Fiz muitos amigos e me apaixonei pela Vida, mas principalmente pelas pessoas.

Na Austrália tive a oportunidade de estudar fotografia, e naturalmente passei a fotografar tudo que eu amava, e via beleza. Mesmo num lugar com paisagens fantásticas como a Austrália, meu grande foco foram as pessoas, pois buscava ver o melhor de todas as pessoas que eu conhecia! E assim fluiu naturalmente, na fotografia de Gente (até rimou haha).

3 – Para cada ramo do mercado há um estilo e uma estética fotográfica que predomina. Mais luz, menos luz, contra-luz, flash, sem flash, etc. No seu ponto de vista, o que uma fotografia precisa essencialmente ter?

Gus Benke: Acho importante o fotógrafo conhecer e dominar a técnica, para desenvolver uma linguagem, mas a técnica é a FORMA com que o CONTEÚDO vai ser transmitido através da fotografia. Na minha concepção, não podemos deixar que a forma tome mais importância que o conteúdo.

Aprenda a técnica. Domine a técnica. TRANSCENDA a técnica.

Uma boa foto tem que ter ALMA, tem que ter voz própria, e ao mesmo tempo não contar tudo, tem que saber guardar segredo. Tem que deixar quem olha a foto com gostinho de quero mais.

4 – Com a baixa nos preços das câmeras fotográficas e com a digitalização mais e mais pessoas hoje se aventuram na fotografia. Como os profissionais se diferenciam atualmente?

Gus Benke: Acredito que a maneira do profissional se diferenciar é ele ser eternamente um amador. Amador é quem AMA… (risos).

O lance é não tentar “se diferenciar”, porque isso é redundante. Cada fotógrafo é diferente do resto. Acredito em não acreditar que existe uma concorrência, e sim acreditar na ABUNDÂNCIA de oportunidades que o grande mercado chamado MUNDO oferece.

Há trabalho pra todos, e de sobra! BASTA ACREDITAR.

Quando alguém acredita na escassez, ela se manifesta. Se eu puder dar uma dica, busque ser melhor a cada dia, melhor que você mesmo é. JAMAIS se compare com nenhuma outra pessoa ou profissional. Saiba que você é único e que ninguém pode tirar o que é seu.

Acima de tudo, tenha criatividade, e GARIMPE seu lugar no grande mercado. Todos os setores e praticamente todos os seres precisam de serviços fotográficos, mas muitos ainda não sabem. Dê a cara pra bater!!!!

Ofereça oportunidades dentro do possível, e as oportunidades aparecerão pra você.

5 – Como é o seu processo para fotografar? Você racionaliza a imagem previamente, faz alguma programação ou simplesmente se entrega ao momento?

Gus Benke: É raro eu racionalizar a imagem anteriormente, até quero me dedicar mais à esse processo criativo. Identifico-me muito com o fotojornalismo, e muitas vezes perdemos a foto racionalizando, então eu simplesmente CLICO!

O lance é aceitar o Momento Presente e buscar o que aquilo quer lhe dizer.

Graduation Brasil

Posted in fotografia on 08/05/2010 by transitoriamente

Nessa semana que passou estive em São Paulo, no Graduation Brasil, evento com foco no mercado de formaturas.

Organizado pelo “mágico do photoshop” Altair Hoppe, o Graduation Brasil reuniu feras como Ale Carnieri, Andrea Mayer, Marcos Weide e Leandro Nunes, em três dias de evento.

O GB mostrou claramente a preocupação dos profissionais da área em elevar cada vez mais a qualidade de seus serviços.

Além de aspectos técnicos relativos à fotografia, vídeo e tratamento de imagens, foram discutidos a própria visão do profissional em relação ao seu ofício, a auto-valorização de seu trabalho, técnicas de vendas, os investimentos como peças-chave, a preocupação com a qualidade final dos produtos (e serviços) e o futuro do mercado.

Fiquei particularmente feliz e otimista em notar que existem profissionais desse ramo preocupados com questões artísticas, tentando trazer para seus trabalhos um refinamento e uma integração entre técnica e arte.

Mais uma vez Altair Hoppe e a sua iPhoto mostraram força e talento em realizar eventos de alta qualidade.

Aliás, caso você não conheça o Altair, é possível que você já o tenha visto no quadro “Detetive Virtual” do Fantástico (Globo).

Um abraço, Antonio Rossa

………

Foto 1: Graduation Brasil por Ale Carnieri
Foto 2: Altair Hoppe por Antonio Rossa
Foto 3: Ale Carnieri por Bia Ortiz

Ale Carnieri no Graduation Brasil

Posted in fotografia on 01/05/2010 by transitoriamente

Como é bom ver as pessoas realizando seus sonhos. Melhor ainda quando essas são pessoas próximas a nós, pois de alguma forma é possível refletir o nosso próprio crescimento.

O fotógrafo paranaense Ale Carnieri vem alçando vôos cada vez maiores, deixando claro que talento aliado ao amor e a perseverança são ingredientes certos para o sucesso.

Desde que nos conhecemos, há pouco menos de 2 anos, pude presenciar o quanto esse talentoso profissional é capaz de realizar.

Nesse intervalo de menos de 24 meses, Carnieri tornou-se consultor de fotografia da Transitoriamente, montou o Studio Gaea Photo (com sua mulher e fotógrafa Fernanda Sanchez), fez dezenas e dezenas de ensaios, e recentemente entrou para o circuito de palestrantes em eventos Brasil afora, um dos seus sonhos antigos.

Carnieri será o palestrante de abertura do Graduation Brasil, em São Paulo, o primeiro congresso brasileiro especializado em formaturas e que acontecerá entre os dias 03 e 05 de maio.

Lá também estarão feras do porte de Altair Hoppe, Leandro Nunes e Andrea Meyer, profissionais de alto gabarito no ramo.

Acesse http://www.graduationbrasil.com.br e saiba mais.

“Quando um manual não resolve”. Um breve texto reflexivo

Posted in fotografia on 27/04/2010 by transitoriamente

Mesmo com as tecnologias mais avançadas em se tratando de fotografia e audiovisual, os trabalhos realmente relevantes continuam contendo certos mistérios que dificilmente se aprendem em bancos de escola. Mistérios estes que vão além de análises e conceituações semióticas, pois também dependem de situações transitórias, que mudam como aquela chuva imprevisível que agora cai.

Por mais que você diga “Uau! Depois de cinco anos de análise sinto-me muito mais eu” ou “A ciência agora comprovou que café faz bem”, é sempre complicado imaginar uma integridade plena, um 100% real de alguma coisa, ainda mais em se tratando de infinitos mentais, isto é, nossos universos multi-direcionais e mutáveis.

Somos aproximadamente alguma coisa, quase isso, muito próximo daquilo, tudo em constante transformação. Porém, ainda ficamos presos àquelas “sensações da mamadeira” – o nosso primeiro vício – e passamos a nos segurar, dia após dia, em referenciais que fazem as funções de “papai e mamãe” da nossa consciência e, por conseguinte, dos nossos atos.

São nessas “faltas ou sobras” onde certos detalhes parecem habitar, onde até mesmo a ciência precisa pedir permissão para entrar, e que geram os saltos ou as quedas de qualidade em uma relação, em um trabalho, em uma conversa, etc.

Uma mistura de técnica,  atenção aos detalhes, sorte e acaso podem criar ambientes magníficos ou exatamente o oposto, mesmo que as condições sejam tecnicamente positivas e comprovadas.

É de se esperar que em uma máquina regulada as coisas funcionem como o esperado. Já não se pode dizer o mesmo de ambientes onde alguns fatores não podem ser fielmente controlados, como um show musical ou teatral, por exemplo. Em determinados ambientes uma emoção pode levar gasolina ao fogo e vice-versa.

É preciso uma forcinha extra para impulsionar o que parece líquido e certo, e essas forças nem sempre são em “forma de cabo”. Estão em algum canto do seu inconsciente, algumas vezes prontas para acertar o alvo da criatividade e gerar novos e inusitados resultados.

Há fotos que funcionam e outras que não. A modelo, a luz e a maquiagem são as mesmas de ontem, mas hoje simplesmente não funcionou. Ontem sim, por quê? O sol parecia o mesmo de ontem.

Alguém pode afirmar que esse mistério seria justamente a falta de um conhecimento mais amplo em relação a determinado assunto. Tudo bem, em certos termos isso faz sentido, porém, agora eu preciso acreditar no que não é necessariamente visto, e isso é uma opção filosófica própria e que deve ser respeitada, pois quem está com o dedo no REC sou eu e o trabalho precisa acontecer dentro das suas condições. Mal ou bem eu preciso fazer o meu melhor.

Penso que a humildade, quando genuína, não é meramente um recurso para ser aceito socialmente ou causar boa impressão, mas uma abertura que pode facilitar a percepção de coisas mutáveis que desafiam aquela cadeira que sempre está ali no mesmo canto da sua sala.

Essa mesma cadeira aparentemente parada pode levar você a acreditar que as demais coisas também estão paradas. Nem mesmo a cadeira, fisicamente falando, está.

Nos trabalhos fotográficos, audiovisuais e de design que eu realizo, é sempre de suma importância conhecer um pouco melhor certos pontos que podem passar batido em relação às pessoas envolvidas. Quais as motivações daquelas pessoas, quais são seus gostos explícitos, mas também quais são seus gostos íntimos e aparentemente inacessíveis?

Costumo dizer que eu não faço fotografias, eu observo. A máquina é apenas um meio, ou seja, eu preciso me acertar com a minha mente, já que a máquina eu conheço bem.

Essa proximidade e essa intimidade podem deixar o ambiente muitas vezes mais explosivo, mas certamente essa energia liberada fará com que todos tenham chances de realizar coisas até então desconhecidas, que estavam escondidas em algum canto da nossa mente. E no fim das contas, na arte e na vida a gente sempre precisa ir além, mesmo que para isso precisemos arrastar aquela cadeira alguns centímetros para o lado.

Um abraço,

Antonio Rossa

Para não esquecer da nossa história

Posted in fotografia with tags on 19/04/2010 by transitoriamente

Nesse dia tão especial, o Dia do Índio, algumas reflexões insistem em aparecer. Da relação de nós brasileiros com nossa cultura ao abandono de nossa própria história.

Como apurar certas impunidades? Como resgatar partes da história que talvez já tenham sido dizimadas pelo tempo e pela ação dos homens e seu posterior esquecimento? Será que ainda resta tempo para reconstruirmos parte dessa nossa cultura-mãe?

Mesmo diante de tantas perguntas sem claras respostas, consola-nos celebrar o Dia do Índio com esses belíssimos retratos de um dos mais importantes fotógrafos mundiais, o brasileiro Sebastião Salgado.

A arte ainda é capaz de ajudar o mundo a se enxergar.

Um abraço, Antonio Rossa

Vik “de todas as coisas” Muniz

Posted in fotografia with tags , , on 01/02/2010 by transitoriamente

Dia desses, como aquelas obras do destino, veio-me novamente em mãos uma edição da revista Trip de fevereiro de 2001.

Por alguma razão a capa da minha edição trazia Chico Science estampado, e não Juliana Paes, lembrando que a Trip sempre ofereceu duas possibilidades de capa para o leitor.

No fundo eu estava muito mais “ sentimentalmente próximo” de Chico do que Juliana, é fato e justifica a escolha.

Nessa célebre edição ainda havia uma entrevista que na época me deixou bastante entusiasmado sobre as possibilidades da arte como ofício, e de como os brasileiros possuíam uma certa “criatividade reciclada” das coisas.

Vik Muniz, artista brasileiro, hoje quase uma lenda mundial, já fazia seus belos estragos, ou talvez, suas recomposições de estragos, mas ainda era uma certa  “descoberta de gringo”.

O sarcasmo e a intensidade da entrevista combinavam com as fotos da revista que mostravam as suas obras. Aquilo parecia honesto, isto é, a vida do artista e todas as suas nuances, dificuldades e gozos faziam um sentido para a própria existência de sua obra. “A inevitável auto-reflexão na falta de apetite frente a um prato de comida inacabado”.

Foi-me intenso ver “um grito” desenhado num prato de macarrão com restos de macarrão e molho ou Monalisa feita de geléia, ou Elvis com lapadas de chocolate derretido num prato branco. Havia desenhos feitos com açúcar e outros com sangue (um auto-retrato), e que depois eu viria a descobrir que não era sangue verdadeiro. Nada que tenha me decepcionado, seria injusto de minha parte.

De lá para cá muito coisa mudou, eu mudei, Vik ganhou o mundo e o mundo ganho Vik. Estar novamente em contato com a obra desse artista trouxe-me questões e respostas sobre a minha própria arte e ofício. “O resto das coisas para um fim é o todo das coisas para o início de outro fim”. 

Hoje ainda descobri a existência de um documentário chamado “Waste Land”, que mostra o trabalho de Vik transformando lixo em obras de arte e conhecendo os catadores de lixo. Fiquei extremamente curioso.

O certo é que a obra de Vik choca pela simplicidade do inusitado e pela complexidade do resultado. Mais do que as figuras ou os próprios resultados, a idéia inicial parece sempre prevalecer sobre a obra do artista, o que confere a ela um extenso sentido que foge da mera “realidade de vitrine” ou “fast-food-de todas-as-coisas”.

Algo me diz que Vik Muniz será ainda mais celebrado no momento em que o mundo realmente acordar para a maneira como o próprio mundo ainda vê sua relação com o “lixo das coisas”. Talvez então o lixo torne-se ouro, ou qualquer coisa de grande valor.

Acesse o site de Vik Muniz e saiba mais: www.vikmuniz.net

Boa semana e um abraço,

Antonio Rossa

Uma foto PB

Posted in fotografia with tags , on 19/11/2009 by transitoriamente

Muitas vezes me pergunto a razão pela qual essa minha paixão por fotografia em preto e branco se faz tão presente.

Gosto das cores, gosto sim, porém a fotografia em PB parece dar atenção para outras partes da fotografia que muitas vezes as cores acabam por desviar. Na ausência de outras cores, o preto, o branco e o cinza parecem dar ao objeto da foto uma significância mais profunda, uma relevância que se destaca.

Não vejo a fotografia PB como uma ode ao passado, pelo contrário, sinto esse tipo de foto mais preocupada com a essência do que a estética em si, talvez mais atemporal.

Em verdade eu não sei, eu sinto, e isso me leva adiante.

Um abraço,

Antonio Rossa

Ale Carnieri no StaffPhoto

Posted in fotografia with tags , , on 28/10/2009 by transitoriamente

Ale Carnieri - StaffPhoto

O fotógrafo Ale Carnieri, que também faz parte da Transitoriamente, é o Fotógrafo da Semana do site Staffphoto, referência nacional em fotografia social.

Clique aqui e confira a entrevista que Carnieri concedeu ao site.

Vale lembrar que Carnieri esteve em Florianópolis há duas semanas, realizando uma sessão de fotos especiais para o meu EP NUVEM. Em breve as fotos aqui no blog.  

Um abraço,

Antonio Rossa

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