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A explosão hipercultural de Musadiversa

Posted in musica with tags , , , , , on 19/10/2011 by transitoriamente

É quase impossível dissociar a proximidade que temos de alguém e os atos parciais e tendenciosos que podemos cometer quando nos referimos a este, com a ressalva de que somente a verdade clara a respeito daquilo que se afirma pode nos fazer sair ilesos (ou quase) de qualquer comentário que diga: “Ah! Mas você conhece eles” ou “elogio de mãe não vale” ou…

Estamos em Florianópolis, em pleno sul do Brasil. O ano é 2011.

Apesar da proximidade que eu tenho com muitos desses músicos, e ainda pelo fato de eu ter trabalhado na arte gráfica do mais recente trabalho dessa turma, só vim a conhecer Musadiversa (as músicas) justamente no lançamento do disco, com o quinteto tocando ao vivo no palco do TAC, em Florianópolis, no último 16 de outubro.

Os artistas em questão são Felipe Coelho (Violão 7 cordas), Rafael Calegari (Contrabaixo), Maycon de Souza (Sax), Mauro Borghezan (Bateria) e Luiz Zago (Piano), alguns dos músicos mais expoentes de SC na atualidade (nessa ordem na foto).

Explico aqui que Musadiversa (ouça) é o resultado da união desses músicos, num encontro inédito de sons, ritmos e personalidades.  Um ousado projeto produzido pelo violonista Felipe Coelho e que tinha em sua premissa fundamental o tremendamente complexo objetivo de propor alguns novos caminhos para a música instrumental. Uma antropofagia ampla, de corpos sem fronteiras.

Ah! Todos nós sabemos que humildade é uma qualidade das grandes pessoas, algo tão difícil de se conseguir quanto o próprio entendimento do que vem a ser humildade. Pergunte para alguém e este logo lhe dirá: Humildemente falando…

Não! Não acredito que alguém verdadeiramente humilde começaria uma frase assim. Agora, alguém assumir a própria pretensão não seria um sinal claro de humildade? Pelo menos pontual?

Tom Jobim certa vez disse algo como “sucesso no Brasil é insulto pessoal”. Ora, até para jogar um simples bilhete de loteria faz-se necessário uma boa dose de pretensão (e não apenas sonho), caso contrário a sola gasta do seu sapato, alguns litros de combustível, mais o custo do bilhete já seria um desperdício imenso, haja vista que você aparentemente ainda não ganhou o grande prêmio e continua a tentar. Tudo bem, tem o prazer… Mas ele logo se esvai e então a realidade volta.

O CONCEITO

Musadiversa não é apenas um dos mais avançados trabalhos musicais lançados em SC no ano de 2011, mas muito provavelmente um lastro para a “nova” música instrumental brasileira, que conta nos últimos dez anos com as enormes contribuições do gaúcho Yamandú Costa, dos cariocas André Mehmari e Hamilton de Holanda, e do paulista Chico Pinheiro.

Universal, hipercultural e por vezes até mesmo assoviável. Um disco que não teme misturas improváveis e nem parece querer responder a sua própria pretensão. Aliás, querer algo pode ser uma mera desculpa para simplesmente ir, continuar, não se deixar à toa. O resultado em si não pode ser mais importante do que o processo, o realizar.

Num mundo onde quase tudo parece já ter sido feito, é até mesmo saudável e necessário acreditar que podemos transformar as coisas. Então Musadiversa também pode ser visto como um trabalho de transformação, começando pelos músicos que dedicaram 12 meses e iniciaram tal desafio praticamente do zero.

Um time de estrelas é garantia de vitória? Sabemos que não, ainda mais em se tratando de música onde não existe placar ou fórmulas decisivamente prontas.

Talvez o trabalho peque no sentido de não explorar outros timbres menos orgânicos, o que poderia trazer um público diferente ao grupo e até mesmo apontar para outras direções. Quem sabe isso seria óbvio demais e não seria Musadiversa. Por outro lado, a ideia do faltar pode ser uma ponte ao próximo passo. Nada está completo e é melhor que seja assim.

Por outro lado, a falta de intimidade com essa música mais “cool” poderá fazer alguns desavisados caírem num lugar muito comum. “Isso é apenas Jazz”. Calma! Vá adiante, a montanha pode ser longa, mas o prazer da vista vale a pena.

O DISCO

O acesso das pessoas às modernidades digitais acabou por gerar a idéia falha de que tudo na arte parece ser fácil ou que apertando dois ou três botões temos ela em nossa frente, em Full HD ou instagram. A estética final vem levando vantagem sobre o ofício, o fazer. Musadiversa é labor, são cinco músicos ” quebrando pedras, serrando portas e janelas”.

Lembro-me de ouvir  Coelho admitindo a dificuldade de manter um grupo em sintonia e focado apenas na arte, ainda mais diante dos compromissos cotidianos, daquela vida que nos leva à paralisia criativa e ao marasmo. Vez por outra a TV nos chama e ali pairamos, perigosamente.

Algo me diz que até mesmo os bons DJ´s sabem que o resultado do seu trabalho é mais complexo do que apenas “mexer em alguns botões”, mas eis que tudo acaba em generalismos ou ecos uníssonos na capa da revista, e então colocamos no mesmo balaio reis e rãs. Cuidado!

Assim Musadiversa começa por propôr um rompimento com aquela idéia de que músicos “eruditos” ou “estudados” não engolem a música eletrônica e seus botões. Certamente (quase) uma bobagem, mas os estigmas nos perseguem, inclusive aqueles que trazem a palavra humildade antes do próprio ato de sê-lo.

AS FAIXAS

Então nos veio DJazza Nova, composição de Felipe Coelho. Inusitada, com a pegada do eletrônico e do rock´n´roll, e um respiro textural puramente orgânico. Melódica e contrastada, um misto da pressa e da suavidade que muito bem representa os tempos atuais.

Qualquer preconceito cai por terra quando o assunto é diversidade e novas possibilidades sonoras. A música imprime o tom, o resto é especulação social.

Na seqüência Mantrânsica, composição do grupo, traz no título a esperta junção das palavras mantra e transe, que muito bem definem a música. Uma viagem onírica entre uma mantra oriental e o sabor do transe do maracatu nordestino. Sem dúvidas um cardápio idiossincrático.

Impressões Digitais parece trazer a sagacidade de um investigador norte-americano dos anos 40. Lupa, luvas e mistérios. Segundo Coelho, a música traz a influência do mestre Pat Metheny e uma forte ligação com o jazz clássico. Isso parece dizer tudo, mas a música em si segue seu próprio caminho, uma particular “impressão digital”.

Linhas Curvas é de autoria do baixista Rafael Calegari. Uma levada solta, leve, com um certo toque mineiro e até mesmo rural, e nem por isso menos sofisticado. Algo que muito me surpreendeu na primeira audição.

Musadiversa, de Felipe Coelho, é talvez a mais colorida do disco. Não correrei o risco de rotulá-la em respeito a tudo aquilo que eu acabaria deixando de lado. Em tese, uma música com toques femininos, curvilínea e sensual.

Salsete, de Luiz Zago, é quase uma “salsa-gaudéria”. Mas não se engane, La Cuba libre e o Rio Grande do Sul são pêndulos entre mundos bastante distintos. Salsete também é assim.

Mosaico é a mesma música do trabalho-solo de Felipe Coelho – Catavento – porém agora em nova roupagem. Clara junção de influências orientais com a música sul-brasileira, fechando com um explosivo jazz.

Fora do Jogo fecha o disco e é a segunda composição solo de Luiz Zago no trabalho. Um classic-jazz baladeiro e direto ao ponto. Aliás, a única balada do disco, colocando-a de certa forma “fora do jogo”.

A CAPA

Recebi o enorme desafio de criar uma capa a partir apenas de algumas ideias que Felipe Coelho me explanou, e de uma música inacabada.

Era tanto e tão pouco, um daqueles momentos em que você precisa revirar as suas “gavetas internas” em busca de luz. E a luz estava mais próxima do que eu poderia imaginar.

Chamei a minha mulher, Marcela Machado, para testar algumas possibilidades. Se eu tinha as ideias do Coelho e uma música inacabada, Marcela agora tinha esse somatório aparentemente confuso, o que poderia levar a um grande trabalho ou a um triste fracasso.

Marcela juntou folhas, tintas e pincéis e adentrou quatro ou cinco noites. Nossas conversas foram calorosas, por vezes difíceis, mas ao mesmo tempo a arte nos foi revelando beleza, novidade e doçura. Não se trata de simplesmente de apagar e começar tudo de novo, as artes plásticas requerem uma certa entrega muito particular. Não há muitas chances de tropeço.

Era uma manhã cinza e Musadiversa apareceu, fez-se, deu-nos um belo bom dia e disse: Prazer, sou eu!

Com seus olhos profundamente negros, capazes de absorver diferentes culturas, formas e sons. Veio então a ideia de uma capa que enxerga, mas que também proporciona ao espectador um mergulho em seus olhos.

AVANTE

Eu diria que Musadiversa é um trabalho musical amplo, ousado e fundamental para entendermos parte da música catarinense e brasileira desse início de século, bem como a ideia de hipercultura que hoje permeia diversas expressões mundo afora.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

Zago@TAC

Posted in musica with tags , , , , , , , on 31/07/2011 by transitoriamente

Como reproduzir a personalidade de alguém em uma fotografia?

Não nego a existência de “pilotos automáticos” em qualquer profissão, porém a utilização ou não desses artifícios terão influências marcantes no resultado de seu ofício.

O auto-conhecimento não parece lá tarefa muito simples, então o que dizer à respeito do conhecer outra pessoa? A fotografia guarda esse encanto do ” tentar achar”, encontrar nuances que na velocidade da “câmera-vida-real” passam desapercebidas.

Minha grande meta nos ensaios fotográficos é captar um certo “espírito” onde o próprio fotografado se surpreenda com aquilo que ele vê. Ele se reconhece ali, sim, apesar de sentir que existe uma certa distância onírica nessa “nova realidade” fotografada. Isso me encanta e me faz querer continuar.

Não é tarefa fácil, porém essa dificuldade acaba sendo a força-motriz do meu trabalho. É importante não se deixar abalar pelas frustrações da “foto sem sal”, já que elas frequentemente aparecem. Aliás, a boa foto é quase sempre exceção.

LUIZ GUSTAVO ZAGO 

Luiz Gustavo Zago (ouça aqui) é um pianista talentoso, jovem e reconhecido. A sua personalidade, nesse trabalho, precisava estar registrada nas imagens, da mesma maneira que a sua música está registrada na mente dos apreciadores da boa música.

Para este trabalho juntei-me ao estudante de cinema e iluminador Felipe Tonin.

Já vi o TAC (Teatro Álvaro de Carvalho) das mais diversas formas, e acredito que de muitas outras ainda o verei.

Um belo dia, imagens, sons e vida.

Antonio Rossa

Silvio Mansani e Outras Pessoas

Posted in musica with tags , , , , , , , , , on 21/07/2011 by transitoriamente

Trabalhar com arte, para mim, é uma possibilidade de experimentar outras dimensões da vida. Vida que não deixa de ser vida comum, cotidiana, porém com temperos bem colocados, aromas novos em pratos corriqueiros.

Meus mais recentes trabalhos foram  e estão envolvidos com a música erudita e a MPB. É saboroso transitar pela música em seus mais diversos cardápios.

SILVIO MANSANI e OUTRAS PESSOAS

Silvio Mansani, André Mehmari, Luiz Gustavo Zago e o Quinteto Catarinense de Cordas realizaram aquele que, na minha opinião, trata-se de uma verdadeira pérola da música brasileira, o EP Virtual “Outras Pessoas”.

Conceitual, profundo e diverso, uma obra musical que muito provavelmente encantará ouvidos e corações atentos à boa arte.

Dirigi, filmei e editei o vídeo-release, além de ter feito as fotos e a arte do site e blog do projeto.

Música que vale a pena.

Antonio Rossa

Transitoriamente com a alma na África

Posted in musica with tags , , , , , on 23/10/2010 by transitoriamente

Uma das coisas mais interessantes do universo audiovisual é a possibilidade de estarmos em diversos lugares com pessoas diferentes partilhando de uma ideia em comum.

Depois de três videoclipes seguidos de heavy-metal chegou a hora de mergulharmos em um ambiente mais sereno, para tratarmos de assuntos mais próximos ao coração.

A cantora africana Nicole Obele passou uma temporada em Florianópolis, e foi nessa passagem que surgiu a ideia do roteiro para o videoclipe de “Kal Mè”, uma belíssima e sofisticada balada jazz.

Enquanto a Seleção Brasileira de Futebol jogava um balde de água fria no sonho do hexa, nós nos refugiamos no Espaço Engenho (de Bárbara Mucciollo e Carol Zingler), no Canto da Lagoa, e colocamos o nosso coração dolorido à disposição da arte. A África então veio até nós.

Vale lembrar que algumas imagens foram gravadas no Taiko do Shopping Iguatemi, que gentilmente nos cedeu o espaço.

Mais uma vez tive a honra de trabalhar com grandes talentos como o músico (e ator no clipe) Marco “Nego” Aurélio, o editor Rodrigo Dutra, o diretor de fotografia Rafael Gue Martini, o fotógrafo Ale Carnieri, a produtora Marcela Machado e, pela primeira vez, com a atriz Simone Moraes, a diretora de arte Bárbara Mucciollo e o maquiador Bruno Grando.

Nicole viajou a Paris onde trabalhará na divulgação do clipe, além de sua terra natal Camarões.

O resultado desse trabalho vocês conferem agora.

Um abraço, Antonio Rossa

Música para respirar-se

Posted in musica with tags , , , , on 13/10/2010 by transitoriamente

O baixista, cantor e compositor israelense Avishai Cohen já foi tema de um post aqui no Transitoriamente (veja aqui) e mais uma vez ele volta ao “post do dia” para que eu possa compartilhar um momento musical sublime com vocês.

Parece-me lógico pensar que diante de tantas possibilidades sonoras que a internet nos oferece o momento do “deleite sonoro” tende a ficar de certa forma mais raro, já que temos imensidões de músicas rivalizando com o nosso tempo, nossos meios e nossos pré-conceitos.

Vejo essa infinitude musical internética com olhos muito positivos. Temos a chance de vasculhar, refinar e extrair o melhor óleo daquela pétala, ou pelo menos o perfume que nos conforta.

Avishai parece sempre trazer esses novos aromas acima dos estilos, preciosidades rítmicas e melódicas que ajudam o mundo a criar novos mundos.

Como na teia da vida a música estará nos permeando como infinitos acidentes, refletindo sentimentos das mais variadas sortes.

A música estará nas esquinas, nas janelas vizinhas ou no pé que bate pra sacar um ritmo.

Respirar é ritmo, a vida é, caixas de fósforo são.

Aliás, de onde vem esse som que você agora ouve? O que você sente? É explicável?

Que bom que existem as boas músicas.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

Música de qualidade na capital de SC

Posted in musica with tags , , , , , , on 01/09/2010 by transitoriamente

Felipe Coelho vem sendo apontado como um dos grandes violonistas do Brasil da atualidade, e quem o vê e o ouve começa a entender essa razão.

Melodias ricas, velocidade com delicadeza, precisão e um refinamento digno dos grandes músicos mundiais.

Amanhã (02.09 no TAC), Florianópolis terá o imenso prazer de receber o grupo CataVento, de música “aberta” para quarteto de cordas e jazz trio, do qual Felipe faz parte.

Além dessa turnê nacional, o grupo ganhou os prêmios Elizabete Anderle da Fundação Catarinense e o Prêmio Circuito Funarte 2010, do Ministério da Cultura.

O trabalho foi chamado a ser executado também no IV Seminário Nacional de Violão de Itajaí e o Festival Internacional de Flamenco de São José dos Campos, SP.

Música de qualidade para ouvidos espertos.

Antonio Rossa

A música inovadora de Avishai Cohen

Posted in musica with tags , , , on 18/03/2010 by transitoriamente

Começar um novo dia é sempre um desafio. Começar um novo dia com arte pode fazer muito bem. Começar um novo dia com o talento de um músico como Avishai Cohen é puro deleite. Viva bem.

Avishai é baixista, cantor, compositor, pianista e arranjador, nascido em Israel há quase 40 anos.

Por volta da metade dos anos 90 tornou-se uma espécie de “popstar” do jazz e liderou o grupo Corea´s de 1996 até 2003.

Clique aqui e seja feliz.

Bom som, bom dia e um abraço,

Antonio Rossa

Para ser feliz agora

Posted in musica with tags , , , on 21/12/2009 by transitoriamente

Uma bela manhã de segunda-feira, como essa que resplandece aqui na capital de SC, merece uma trilha sonora a altura.

John Coltrane, e a sensual “My Favorite Things”, podem fazer você olhar a vida de uma maneira sem igual.

A vida é aquilo que nós criamos, e mesmo que muitas e muitas vezes nós deixemos alguém “criá-la” por nós, só e somente nós podemos imaginá-la, cada qual com o seu universo, suas saídas e soluções. Felicidade quando nossos cosmos pessoais adentram o universo do puro saber, do genuíno sentir. Onde o corpo não pesa, onde não existe rancor nem qualquer outro sentimento terreno.

Como é eterno o brilho que nos cativa, a luz que nos inspira, o som que nos comove. 

Vamos ser felizes antes de amanhã? Agora, logo após o almoço? Quem sabe depois, antes do entardecer?

Abraços, Antonio Rossa

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