Archive for September, 2007

Trânsito Musical N.1.

Posted in musica with tags , , , , , , on 25/09/2007 by transitoriamente

Vamos à primeira sugestão musical do blog. Vou fugir às regras dos bons modos e começar com um artista estrangeiro, prometendo desde já trazer no próximo “Trânsito Musical” artistas brasileiros e independentes.

Trata-se do guitarrista, cantor e compositor John Frusciante, o homem responsável pelas seis cordas do grupo norte-americano Red Hot Chili Peppers. Se não bastasse sua já consagrada carreira com os Peppers, Frusciante ainda guarda na manga algumas dezenas de excelentes e inspiradas canções que foram despejadas em nada menos do que onze discos solos. 

Inclusive está marcado para o segundo semestre deste ano o lançamento do décimo algum sob a alcunha de John Frusciante e o décimo segundo se contarmos os dois discos do projeto Ataxia.

Em 2004 John lançou seis discos em apenas seis meses, mostrando claramente que os tempos sombrios entre drogas e inércia criativa parecem ter ficado para trás. Para alguns o número incomum de lançamentos pode sugerir inconsistência e excesso. Para quem tiver a oportunidade de ouvi-los a “salada” de sons certamente irá surpreender, principalmente para quem guardar um tempinho e ouvir toda sua discografia.  

De qualquer maneira há músicas para todos os gostos, momentos inspirados, sonoridades incomuns e aquela melodia sublime digna de uns dos maiores guitarristas dos nossos tempos.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

 MAIORES INFORMAÇÕES: http://www.johnfrusciante.com/

 DISCOGRAFIA:

Niandra Lades and Usually Just a T-shirt – 1995
Smile From The Streets You Hold – 1997
To Record Only Water For Ten Days – 2000
From the Sounds Inside – 2003 (internet release)
Shadows Collide With People – 2004
The Will To Death – 2004
Inside Of Emptyness – 2004
A Sphere in the Heart Of Silence – 2004
Ataxia / Automatic Writing – 2004
Curtains – 2004

– Ataxia II – 2007

Videoclipe de “Past Recedes”, do álbum Curtains: 

O Youtube e as bandas.

Posted in O Youtube e as bandas. with tags , , , , , , on 22/09/2007 by transitoriamente

Não há dúvidas de que o Youtube e seus genéricos criaram uma ferramenta capaz de tirar do anonimato quase qualquer coisa que se mova ou não. Para as bandas independentes, por exemplo, os resultados são fantásticos, já que até pouco tempo atrás se você tivesse uma banda e quisesse que seu som fosse conhecido seria interessante você acampar na porta de uma rádio ou emissora e rezar pra que algum diretor visse em você a salvação do mundo, mesmo que fosse a salvação do mundo daquela semana.

Já nos dias de hoje o negócio vem sendo um pouco diferente, já que a abertura proporcionada por esse canais de internet levou a banda mais conhecida da sua rua a ser conhecida também em algumas outras ruas. Claro, é impossível negar que as grandes emissoras ainda passeiam relativamente tranquilas, pois estas ainda detém um grande número de excelentes profissionais, equipamentos de ponta, acessos a pessoas e a eventos exclusivos e produções com cifras a perder de vista.  Ao mesmo tempo criou-se uma via de mão dupla, sendo que a programação dita “amadora” está passando a fazer parte da grade destas grandes emissoras, e o melhor, com todas as pompas que algo novo e interessante pode merecer. Na verdade estou citando bandas pois é algo que está mais próximo de mim, porém as vantagens são visivelmente proporcionadas a todos que tem algo a dizer, e claro, banda larga disponível.

Aproveitando a deixa quem está comemorando os 5 mil acessos no Youtube é a banda catarinense Kronix. O clipe da música “Insano” – dirigido por mim em nome da hoje chamada Transitoriamente Filmes – vem alcançando resultados expressivos.

Parabéns KRONIX!

Um abração, Antonio Rossa

A volta do Expresso Rural.

Posted in musica with tags , , , on 20/09/2007 by transitoriamente

A notícia de que o Expresso Rural irá subir ao palco novamente pode ser encarada como um verdadeiro presente. Certamente há muita gente com um sorriso largo esperando pra ver e ouvir esse momento histórico. Tudo bem, a princípio a apresentação será única em Florianópolis no dia 03 de outubro no CIC, porém não me parece pecado acreditar que dessa primeira pode vir a segunda e assim por diante. Lages receberá a banda no dia 04, no Teatro Marajoara, no centro.

O Expresso Rural, antes também conhecido como Grupo Expresso, foi uma das primeiras bandas de Santa Catarina a alcançar reconhecimento dentro e fora do estado. A banda surgiu com o clássico disco “Nas Manhãs do Sul do Mundo”, em 1983, e chegaram até a realizar uma breve excursão pela Espanha em 1985. O Expresso teve também músicas na coletânea da “toda-poderosa” Som Livre, chamada ‘Som Brasil’.

“Nas Manhãs do Sul do Mundo”, de Daniel Lucena – além de dar nome ao primeiro disco – não só é uma das canções mais bonitas já compostas no Brasil como tem uma letra que de certa forma antecipa o nosso futuro. Aliás, quem em sã consciência já não pensou alguma vez em “fugir dessa metrópole à libertação”.

Para você ficar por dentro das novidades do Expresso Rural acesse o blog da banda:

http://grupoexpresso.blogspot.com/

Você também pode ler uma matéria muito bacana à respeito do grupo no blog do jornalista e radialista Rafael Weiss ( http://mundo47.wordpress.com ).

Pra conhecer mais sobre o Expresso Rural, você pode acessar a comunidade deles no site de relacionamentos Orkut:

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=812832

Enquanto isso ficarei aqui roendo as unhas e pensando na volta do Led Zepellin, para uma “únicazinha” apresentação.

Um abraço, Antonio Rossa

Corrida Maluca.

Posted in Corrida Maluca. with tags , , , on 16/09/2007 by transitoriamente

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Correria. Creio que nove em dez pessoas acham que estão vivendo na tal correria. Bom, não tem jeito, o mundo moderno nos reserva uma dinâmica a qual somente com muita organização e disciplina seremos capazes de levar uma vida “mais tranquila” enquanto o mundo corre. Trabalhar com vídeos, pelo menos no meu caso, é estar no centro desse corre-corre, mesmo porque o vídeo, hoje em dia, precisa estar em sintonia com a velocidade das coisas, ou seja, talvez a “maquiagem excessiva” pode fazer com que o material fique pesado e perca aquilo que de mais importante ele deve conter: espontaneidade.

O ano de 2007 ainda não acabou – aliás têm muitas coisas a serem feitas –  mas mesmo assim sinto-me bastante satisfeito com as oportunidades que este ano me trouxe. Estamos finalizando nosso quinto e sexto videoclipe do ano, um número que eu considero bastante expressivo em se tratando do mercado independente de música, mercado este que somente agora começa a dar sinais de aquecimento e possibilidade de auto-sustentabilidade.

 Além disso estamos participando da direção do programa Zoom Catarina, programa este que será transmitido no SBT nas noites de Domingo, com horário previsto para às 23h. O Zoom Catarina será um programa de moda diferenciado. Digo diferenciado porque a proposta do programa vai além daquele mundo da moda que as pessoas estão acostumadas a ver, que é o mundo do glamour e das passarelas. O grande objetivo desse projeto é justamente mostrar os outros lados da moda, isto é, dismistificar a idéia de que moda é feita apenas para quem tem dinheiro e vive no high-society. Vocês terão a oportunidade de perceber que a moda transita por todos os lugares e entre todas as pessoas.

Bom, estamos na correria mas com muita alegria.

 Um abraço, Antonio Rossa 

O livro nosso de cada dia.

Posted in O livro nosso de cada dia. with tags , , , , , , , on 13/09/2007 by transitoriamente

O lançamentoO Livro

É engraçado que na vida, inevitavelmente temos que passar por alguns ritos,  momentos factuais geradores de novos caminhos e perspectivas. Existe aquele lance de “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Apesar de tantas experiências disponíveis hoje no mercado, sintéticas e naturais, líquidas e sólidas, embaladas e a granel, ainda acredito que estes três ritos são realmente a base daquilo que nos trouxe até aqui. O filho nos dará a chance de ascendermos rumo ao eterno, a árvore nos garantirá alimento, ar, madeira e sombra; e o livro registrará tudo isso.Há pouco mais de um ano eu e o lendário amigo Filipe Polese resolvemos colocar no papel algumas idéias as quais nós já vínhamos discutindo há bastante tempo.

Não havia nada claro nem programado, o objeto livro ainda nos parecia algo substantivo demais para alcançarmos. Havia uma certa ironia constante, um “auto-deboche” incrédulo diante da passiva e visível insegurança pré-ritual.Pra quem só tinha plantado uma árvore, um livro e um filho ainda somavam mais do que a metade, o imprevisível ainda tomava conta do pedaço.Mas eis que o ato e a idéia colaboram entre si, e o fato então assim se fez.Havia a idéia, a vontade e a possibilidade. Então, por que não?Antes disso eu estive morando na Europa por um ano, e durante este período Filipe e eu não havíamos trocado um e-mail sequer. Acho que são sinais, sinais estes que inúmeras vezes passam despercebidos pela maioria das pessoas.

Enfim, de volta ao Brasil havia uma centena de motivos para nos encontrarmos,  e um belo churrasco em uma churrascaria qualquer me pareceu uma excelente idéia, já que eu não comia carne vermelha “de verdade” já fazia um bom tempo.“O corte no dedo, o sangue…”A tal sensação estranha, digo algo que você comumente não sente, sempre me pareceu o indício de que algo precisa ser dito, ser mostrado enfim, penso que as idéias moram nos acostamentos dos caminhos rotineiros, logo ali ao lado onde todo mundo passa e quase ninguém vê.

E de um corte no dedo, a partir de uma lâmina afiada numa churrascaria qualquer nasceu “Eu Também”, o nosso livro de cada dia. Foi uma gestação estranha, alimentada por conversas verdadeiras – talvez verdadeiras até demais – via e-mail e MSN. 

Desde o lançamento do livro em dezembro de 2005 – que ocorreu na Livraria Catarinense em Florianópolis, e que passou por diversos lugares, incluindo a Fundação Cultural de Lages – estranhamente minha vontade de escrever pairava em um sono profundo e silencioso. Não sei exatamente a razão, mas depois dos compromissos com o lançamento do livro canalizei toda minha energia criativa para a música e o vídeo. Eu achava que não havia mais nada a ser dito naquele momento, pelo menos não daquela forma. 

Há poucos dias atrás, por insistência de amigos e de minha mulher, abri novamente o “Eu Também”, e pude relê-lo através da interpretação de outras pessoas. Confesso que foi lindo, senti-me não apenas “egocentristicamente” alienado, mas profundamente comovido pela plasticidade das palavras e pelo apelo sempre novo da interpretação espontânea das idéias. O livro está vivo como a vida precisa estar. 

Um abraço, Antonio Rossa