O livro nosso de cada dia.

O lançamentoO Livro

É engraçado que na vida, inevitavelmente temos que passar por alguns ritos,  momentos factuais geradores de novos caminhos e perspectivas. Existe aquele lance de “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Apesar de tantas experiências disponíveis hoje no mercado, sintéticas e naturais, líquidas e sólidas, embaladas e a granel, ainda acredito que estes três ritos são realmente a base daquilo que nos trouxe até aqui. O filho nos dará a chance de ascendermos rumo ao eterno, a árvore nos garantirá alimento, ar, madeira e sombra; e o livro registrará tudo isso.Há pouco mais de um ano eu e o lendário amigo Filipe Polese resolvemos colocar no papel algumas idéias as quais nós já vínhamos discutindo há bastante tempo.

Não havia nada claro nem programado, o objeto livro ainda nos parecia algo substantivo demais para alcançarmos. Havia uma certa ironia constante, um “auto-deboche” incrédulo diante da passiva e visível insegurança pré-ritual.Pra quem só tinha plantado uma árvore, um livro e um filho ainda somavam mais do que a metade, o imprevisível ainda tomava conta do pedaço.Mas eis que o ato e a idéia colaboram entre si, e o fato então assim se fez.Havia a idéia, a vontade e a possibilidade. Então, por que não?Antes disso eu estive morando na Europa por um ano, e durante este período Filipe e eu não havíamos trocado um e-mail sequer. Acho que são sinais, sinais estes que inúmeras vezes passam despercebidos pela maioria das pessoas.

Enfim, de volta ao Brasil havia uma centena de motivos para nos encontrarmos,  e um belo churrasco em uma churrascaria qualquer me pareceu uma excelente idéia, já que eu não comia carne vermelha “de verdade” já fazia um bom tempo.“O corte no dedo, o sangue…”A tal sensação estranha, digo algo que você comumente não sente, sempre me pareceu o indício de que algo precisa ser dito, ser mostrado enfim, penso que as idéias moram nos acostamentos dos caminhos rotineiros, logo ali ao lado onde todo mundo passa e quase ninguém vê.

E de um corte no dedo, a partir de uma lâmina afiada numa churrascaria qualquer nasceu “Eu Também”, o nosso livro de cada dia. Foi uma gestação estranha, alimentada por conversas verdadeiras – talvez verdadeiras até demais – via e-mail e MSN. 

Desde o lançamento do livro em dezembro de 2005 – que ocorreu na Livraria Catarinense em Florianópolis, e que passou por diversos lugares, incluindo a Fundação Cultural de Lages – estranhamente minha vontade de escrever pairava em um sono profundo e silencioso. Não sei exatamente a razão, mas depois dos compromissos com o lançamento do livro canalizei toda minha energia criativa para a música e o vídeo. Eu achava que não havia mais nada a ser dito naquele momento, pelo menos não daquela forma. 

Há poucos dias atrás, por insistência de amigos e de minha mulher, abri novamente o “Eu Também”, e pude relê-lo através da interpretação de outras pessoas. Confesso que foi lindo, senti-me não apenas “egocentristicamente” alienado, mas profundamente comovido pela plasticidade das palavras e pelo apelo sempre novo da interpretação espontânea das idéias. O livro está vivo como a vida precisa estar. 

Um abraço, Antonio Rossa      

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