Como assim!? – Radiohead e o novo mercado.

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Como assim?

Tenho certeza que você fará, se não esta mesma pergunta, alguma muito próxima disso.

Pra começar talvez você pense algo como: “Esse assunto ainda vai dar muito pano pra manga”.
Trata-se do novo lançamento do Radiohead, banda inglesa, que na contramão do mercado mundial está
lançando seu novo disco. Novo disco? Só isso?
Isso não quer dizer nada? Bom, no caso desse novo disco o consumidor é quem irá
decidir o preço a ser pago. Gostou? Vale a pena?

Bom, imagine você entrar numa loja de roupas, andar pelos corredores, experimentar modelos e mais modelos e no
final, com o cesto cheio, poder decidir quanto irá pagar por aquelas peças todas.

Num mercado cada vez mais estranho pra não dizer competitivo, a música hoje se encontra num caminho separado
da expansão e dos lucros que esta mesma obtinha poucos anos atrás.
Hoje você decide qual artista quer ouvir, qual música você quer e quando quer.
Em poucos minutos você tem “uma pilha” de discos no seu player, e provavelmente você não pagou nadinha por isso, além de não ter nada tomando espaço ou mofando no quarto.

O Radiohead já foi pop, já foi cult, já foi experimental, já bancou de bacana sustendada por grandes gravadoras,
e agora voltou ao começo.
Ao começo?

“In Rainbows” é o sétimo disco de estúdio da banda e já está disponível em formato mp3, no site www.radiohead.com, desde ontem (10 de outubro). Quem saiu na frente foi a rádio inglesa XFM, clique no link a seguir, acione o player e divirta-se: http://www.xfm.co.uk/Article.asp?b=reviews&id=490630

No meio disso tudo eu lhe pergunto: qual seria o preço justo?

No site a banda colocará também à venda uma caixa-especial, incluindo dois vinis, uma versão em CD de “In Rainbows” e um segundo CD com novas músicas, encarte e fotografias da banda. Isso tudo custará 82 doletas (aproximadamente R$ 160,00). Aqui a teoria das roupas cai por terra, mas creio eu o futuro começou há bastante tempo atrás e pode ser amanhã o dia da grande surpresa.

Se nas filosofias orientais o fechamento de um ciclo denota um novo começo, no mercado musical (e outros também)
o assunto parece ter caído como uma bomba no centro de uma grande capital.

Em verdade não é fácil aceitar quem se destaca, a não ser que você ganhe algo com isso.
Agora, é muito mais difícil quando alguém se destaca, e além disso se destaca indo ao encontro de nós mesmos, fazendo algo que nós também fazemos, sendo mais mortal e menos robô.

Isso talvez não seja a maior sacada financeira para uma só banda, porém talvez seja a maior sacada para uma centena de milhares de bandas que já fazem um excelente trabalho, mas que ainda não possuem um mecenas por trás. Digo, um exemplo assim pode animar bandas e mais bandas a irem muito mais a fundo nesse esquema “on-line”. 

Será interessante ficar atento em como essa iniciativa será recebida pelos consumidores brasileiros, acostumados a experiências financeiras complicadas, impostos absurdos e corrupção sistemática.

É claro que falar de Radiohead não soa uma boa comparação com muitas outras bandas, mas é bom ficar atento e trabalhar
pois o mercado muda muito mais do que você troca de roupas.

Um abraço, Antonio Rossa

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