SETE QUESTÕES – Segunda Edição.

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A banda catarinense Maltines chegou ao público no final de 2005, trazendo na bagagem canções simples e melodias marcantes. O quinteto formado por Ligia Estriga (Vocal e Teclados), Cisso Fernando (Baixo), Jiva Lin (Guitarras), Lucão (Guitarra e Vocal) e Marcill (Bateria) está no meio das gravações do seu primeiro disco, com lançamento previsto para o início de 2008. Enquanto isso eu aproveitei para entrevistá-los durante este processo, confiram:

1 – A Maltines apareceu para o público há mais ou menos 2 anos atrás. De lá para cá o que mudou e o que permanece?

Acredito que a banda tenha amadurecido bastante em termos de melodias e letras. Algo mais orgânico está sendo produzido agora. Menos métrica nas melodias e mais conteúdo nas letras.No mais, aquelas coisas que o tempo acaba trazendo pra qualquer banda. Postura de palco, maior entrosamento…O que permanece é a disciplina que a gente tem quanto produção das músicas,  os ensaios…, coisas que acontecem fora do palco, mas que se refletem nas canções e nos shows, acredito. 

2 – Eu sei que vocês já estão se preparando para entrar em estúdio e gravar o primeiro CD. O que nós podemos esperar desse novo trabalho em termos de sonoridade e inovação?

A mudança mais evidente no disco será com relação aos timbres.  As guitarras estão ficando mais presentes e os vocais mais acentuados.  É notável também a influência da música eletrônica nas novas canções, coisa que viemos fazendo desde “Depois De Um Tempo”.  O disco carrega isso também, mas de maneira um pouco mais explícita em algumas músicas. Por outro lado, baladas regadas à piano e violão também farão parte do novo trabalho.A diferença entre os arranjos, entre os ritmos e entre as formas é algo que está sendo muito explorado no disco, no sentido de criar surpresas; criar expectativa de qual cara terá a próxima música, tornando o disco mais dinâmico.A busca por essa quebra da linearidade nos arranjos é, talvez, a dica mais valiosa que o Della (Fábio Della – Aerocirco) que está produzindo o disco, tem nos dado.  

3 – Quais são as maiores dificuldades para uma banda nova se estabelecer no mercado? Vale a pena ser independente?

Ser independente tem seus prós e contras, assim com estar no casting de uma grande gravadora também tem.Se você for independente é você quem de decide e discute com o produtor qual cara terá a banda; como serão as canções; qual tipo de público você quer atingir; e é esse tipo de coisa faz surgir novos estilos e tendências. E isso é muito bacana.Por outro lado, não ter um suporte que te dê mídia torna as coisas um pouco mais complicadas. No entanto temos aí a internet agindo em nosso favor. Amenizando um pouco do poder que a grande mídia exerce sobre o mercado fonográfico.  E muitas bandas que sabem usar bem essa ferramenta estão se dando bem, conseguindo viajar bastante, e divulgar bem o trabalho.

4 – O que vocês acham da atual música catarinense? Existe uma cena ou não?

Minha visão sobre a música catarinense é bastante positiva. Acho que nunca se fez tanto trabalho autoral por aqui.  Ou esses trabalhos nunca se tornaram tão visíveis, talvez, devido à facilidade de comunicação entre os músicos e a divulgação pela rede.Além do mais, o custo que os artistas têm para gravar um disco, produzir um vídeo-clipe bacana e fazer um bom trabalho gráfico é cada vez mais baixo.Aqui no estado é crescente o número de festivais, temos bandas catarinenses chamando atenção em revistas e jornais de destaque nacional.  Algumas se estabelecendo em São Paulo, o que de alguma forma chama atenção aos olhos da mídia especializada para o que está sendo produzido no Estado.Temos também o Clube da Luta, que está chamando atenção do público para os trabalhos autorais das bandas daqui, o que acaba por estimular as bandas a investir nisso também.Enfim, eu acredito na nossa música, sim.  

5 – O nosso estado parece ainda viver uma certa letargia cultural, uma espécie de lentidão no sentido de inovação e ousadia. Por outro lado há um certo descaso por parte de “quem decide”.  O que vocês acham que falta para SC deslanchar culturalmente?

A velha história, a cultura no país todo não anda lá muito bem.  Mas aqui parece que o negócio anda pior. Poucos shows, poucos museus…Falta iniciativa dos órgãos públicos, primeiramente.  Faltam incentivos e estruturas que dêem suporte e induzam a população a sair de casa e usar a cidade, indo à exposições, à apresentações ao ar-livre, faltam parques…, criando o hábito do consumo da arte. Por que arte é, acima de tudo, lazer.Se a população tiver a oportunidade de vivenciar mais isso, as iniciativas começam a partir de baixo também, e não só dos órgãos envolvidos com cultura.   

6 – Atualmente com as facilidades das novas tecnologias todo grupo pode experimentar alguns bons segundos de fama. Ao mesmo tempo as relações parecem ter um certo “prazo de validade”. O que vocês acreditam que possa ser um diferencial para um grupo permanecer criativo e unidos ao mesmo tempo? 

Pra permanecer unida a banda deve ser composta por um grupo de amigos, antes de qualquer coisa. É trabalho, exige disciplina, aquela coisa toda… mas antes de tudo é amizade; é ter gosto em comum, sair junto, fazer história junto.Talvez a imagem que eu tenha à respeito das bandas seja um pouco romântica demais, mas eu acredito que bandas que só se encontram no estúdio pra ensaiar estão fadadas ao fim.  Pelo menos no caso de grupos que estão tentando se estabelecer no mercado com um trabalho autoral.Quanto à criatividade, todo artista, seja músico, pintor, escritor… , precisa estar constantemente atento à reciclagem de sua obra, tomando cuidado para criar uma assinatura própria sem cair na produção do “mais do mesmo” em todo próximo trabalho.A produção musical exige tanta repetição e tantos testes que o ouvido dos músicos vai ficando viciado, e alguns erros vão passando despercebidos. Aí é que entra a opinião de alguém externo ao grupo. Isso é bem interessante e pode ajudar muito.A idéia de chamar alguém pra produzir nosso disco vai ao encontro disso.  Fazer-nos ficar atentos a coisas que nos passam despercebidas. 

7- Uma idéia para o futuro.

Finalizar o disco e tocar.

Maiores informações: www.fotolog.com/maltines 

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