Nem toda desconstrução é genial! O novo vídeo do Radiohead.

O Radiohead lançou nesta última semana um vídeo (Scotch Mist) com todas as canções do seu mais recente álbum – o excelente In Rainbows – sendo tocadas ao vivo em estúdio. Uma idéia muito bacana (o vídeo é muito bom), porém em se tratando de inovação nós poderíamos muito bem lembrar de diversas bandas brasileiras que há alguns anos atrás já mostravam todo o processo de gravação dos seus albúns em estúdio, através de uma webcam ligada 24h por dia. Para a época, um grande salto.

A desconstrução dos processos do mainstream não me parecem nenhuma grande jogada de genialidade, a não ser uma necessária reformulação dos padrões arcaicos, que já foram muito lucrativos e que estão a cada ano mais obsoletos (leia-se a queda nas vendas de CD´s ao redor do mundo).

Nossa tendência suburbana (principalmente mental) é aplaudir todo feito a partir de um primeiro ato bem feito, ao exemplo daquela política de palanque ou daquele picareta maquiado em estúdio.

Certo, achei a estratégia de colocar o álbum In Rainbows à venda pelo preço que você quisesse pagar muito interessante, o álbum é de fato instigante e expressivo, ponto. A partir disso é caminho contrário, é babar o ovo do rei só porque ele admitiu que come uma coxa de galinha com as mãos de vez em quando. 

Ao mesmo tempo os preços dos ingressos para ver a banda na Inglaterra estava pra lá de salgado, ou seja, pretende-se o mesmo lucro, porém por vias diferentes. Isso não tira o mérito da banda, de forma alguma, apenas acho interessante discutir e analisar as ações, colocá-las na balança antes de gritar: Nossa, que lindo!

Com um breve descuido, a gente começa a comer carne de segunda só porque o primeiro quilo era de primeira.

O corre-corre desesperado do nosso tempo já começou, é banda independente querendo ir pro lado de lá, é papa do mainstream querendo flertar com o lado de cá, é duplo-caminho-sem-volta e salve-se quem puder! A esfera mostra-se pequena e a inovação cada vez mais precisa de combustível para continuar avante. Pelo amor de Deus, suicídio de Amy´s ou Britiney´s não vale!

Calma lá, eu agora só irei babar ovo se o Radiohead fizer um show gratuito no Largo da Alfândega, e pedir para o Valdir Agostinho abrir. Isso sim seria uma tacada de mestre.

Um abraço, Antonio Rossa

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