As incertezas dos processos criativos, comunicação integrada e a Transitoriamente.

 

dsc09909.jpg

É bem cedo, acabei de tomar meu café da manhã. Fiz um pequeno alongamento “nas juntas” e sentei-me defronte ao computador.

É mais um dia, um novo dia, e na agenda de hoje apenas “desenvolvimento de projetos” que eu estarei realizando nessas próximas semanas.

Gosto de pensar que o próximo passo a ser dado ainda não está calculado, que nenhum resultado alcançado no passado irá substituir a necessidade da surpresa atual, e digo, preocupo-me inicialmente em surpreender a mim mesmo, preciso de uma certa segurança em saber para onde estou indo. Mas quem indica o caminho? Ah! Esta seria uma história bastante longa, pois não há ninguém que venha com respostas prontas, não há manuais nem tampouco planejamentos exatos.

No trabalho de desenvolvimento visual de uma banda, por exemplo, que envolvem fotos, videoclipe e figurino; não é apenas o som que ditará o caminho a ser seguido, nem serão as letras, nem mesmo somente a banda. Será uma mistura disso tudo, adicionado de boas doses de intuição, conhecimento, desprendimento e bastante trabalho.

É relativamente simples fazer uma pesquisa no Google ou abrir uma revista da moda e encontrar fotos e mais fotos, inúmeras e variadas referências. O problema está na linha tênue que separa a mesmice do original, o ideal do “vai assim mesmo”.

Mesmo que o público e a crítica venham tecer seus comentários, nem sempre as empresas ou os profissionais das mais diversas áreas conseguem ouvir “verdades” sobre uma foto, ou vídeo, ou música lançada, ou qualquer trabalho que seja.

Alguém pode indexar ao consumo o resultado (ampla e esmagadoramente utilizado atualmente), outros podem fazer uma pesquisa com seu público-alvo, outros ainda podem chamar consultores, e mesmo assim a discrepância em relação aos resultados tenderá a acontecer, inevitavelmente.

Primeiro porque o consumo não necessariamente indicará qualidade e/ou inovação (mesmo que haja tendência), segundo porque muitas vezes o público-alvo tenderá a relevar alguns pontos, subestimar ou valorizar em demasia outros, terceiro porque raramente um consultor dirá “não é preciso mudar nada, absolutamente nada, continuem assim mesmo, este é o caminho!”.

O que eu quero dizer com isso é que há uma tendência natural das pessoas em mudar as coisas, em parte porque sempre algum ponto pode ser melhorado, em outra parte devido a insegurança em admitir que algo pode estar realmente bom. Aí vem uma questão: o que, quando e como mudar sempre (ou na maioria das vezes) para melhor?

Então, meus amigos, a convivência com o inesperado, com certas angústias da criação, com as incertezas do caminho a seguir e dos resultados futuros, não é um luxo ou problema o qual somente você passa. É realidade nua e crua, é fato concreto e ao mesmo tempo uma fantástica possibilidade de ir mais a fundo no mundo do conhecimento e da percepção.

Aprender a conviver harmoniosamente com estes conflitos parece ser o grande diferencial de algumas pessoas que obtiveram grande êxito em suas áreas.

Certo dia desses um amigo alemão, que é consultor da BMW em Munique, estava me contando que ele se formou em Engenharia Aeronáutica e que nunca havia feito algo diretamente relacionado com esta área, pelo contrário, havia sempre trabalhado em áreas administrativas. Ao mesmo tempo ele comentou algo importante, dizendo que – segundo ele – a diferença entre quem estudou e quem não, é que os primeiros acabam suportando melhor as situações de adversidades e stress frente a algo novo, pois inevitavelmente elas ocorrerão e, podem acreditar, a maioria não saberá o que fazer com elas.

O lado bom das incertezas é quando tiramos o salto alto e descemos ao plano da realidade observando o que acontece no mundo, é ter a oportunidade de trocar idéias com as pessoas, ouvir pontos de vista, discutir visões e chegar a um entendimento onde a minha opinião não será aceita somente por força, cargo ou vaidade. É comum em grupos a luta declarada dos egos, e pelo menos para mim, a própria percepção de que isso ocorre dentro do grupo já é  um dos pontos-chave para manter e fazer um grupo crescer saudável e positivamente.

Não me refiro apenas à continuidade de um grupo (muitos grupos sobrevivem aos trancos e barrancos), estou falando à respeito de sua capacidade de crescimento e inovação, como a manutenção de um casamento feliz onde os dois lados se sentem nutridos e valorizados, em franca expansão, mesmo diante das adversidades.

É exatamente aí que está um outro ponto importante do nosso trabalho, isto é, fazer com que grupos desenvolvam suas reais potencialidades, onde todos se sintam integrados, com capacidade de opinar, levar para a “mesa de discussões” assuntos que não lhe agradam ou pontos que necessitem passar por reavaliação. E estes fatores, incrivelmente negligenciados em alguns casos, também influenciarão nos resultados dos trabalhos, da prática ao conceito, da estética aos relacionamentos.

É claro, muitas vezes eu sou chamado para fazer uma sessão de fotos, o pessoal dá o prazo e o valor, e é isso, ok! Sem nenhum problema, eu vou até lá e faço, mas isso é somente uma parte e não o nosso real foco.

Nesses últimos 4 anos tive a oportunidade de trabalhar em diversos ramos, de garçom a trader de uma multinacional, no Brasil, Itália e Inglaterra, até chegar de fato a este momento, que já dura 2 anos e que parece nitidamente ser o meu real foco. Em algumas empresas e grupos, aparentemente saudáveis, não me parece haver uma real preocupação na descoberta e retenção de talentos, nem no desenvolvimento de habilidades multifuncionais dos colaboradores. Não estou dizendo nada a não ser: é preciso preparar as mentes para o novo mundo, para uma era de incertezas e multifuncionalidades.

Pensar diferente nem sempre pode ser visto como “ser do contra” – aliás acho muito estranho “birras gratuitas” – mas sim como uma tendência a uma investigação criteriosa. É achar soluções nas diferenças e nas adversidades.

Talento, na minha opinião, mostra-se nitidamente aí, na capacidade de criar algo novo com os recursos que se tem em mãos, onde a participação do grupo possa ser sentida, não apenas nos “agradecimentos da diretoria” nas festas de fim de ano, mas na prática, no dia-a-dia.

Confesso que não é a foto ou o vídeo em si o que realmente mais me agrada, apesar da grande paixão que nutro por este trabalho. Ao longo do tempo fui percebendo – e ainda estou a perceber – que a parte que mais me cativa neste trabalho é a capacidade de convivência, de manter um grupo unido mesmo em condições adversas, respeitar as individualidades e ao mesmo tempo integrá-las ao grupo e após isso ver na prática os resultados desse trabalho. A partir disso o trabalho criativo parece ganhar fôlego, novas cores e um direcionamento mais preciso.

Eu aprendo, o grupo aprende, soma-se e multiplica-se, e aí então os resultados aparecem, e estes, mesmo que não digam toda a verdade, certamente mostram boa parte dela.

Para mim sucesso não é apenas a capacidade de contar histórias do passado, mas sim criar visões de futuro, sólidas e flexíveis ao mesmo tempo.

O ser-humano como fator de excelência na comunicação, isto é um pouco do trabalho da Transitoriamente.

Um abraço, Antonio Rossa

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: