Uma mentira repetida até virar verdade. O lema do Brasil.

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A notícia de repente leva verdades claras ao patamar de mentiras renovadas. A casa vai ao chão, a desculpa vem, geralmente igual a tantas que a gente ouve por aí. Há aquelas mentiras de classe, do futebol à política, do vendedor ao empresário farsante, sempre padronizadas, até o suspiro antes da primeira palavra parece ter sido ensaiado. 

Que na vida certeza é uma palavra transitória, acredito que pouca gente duvida. A questão torna-se aberrativa e preocupante quando a mentira torna-se moeda valorizada, status, quando um carro ou uma bolsa levam você a ter mais poder de persuasão e sua palavra começa a ganhar dotes de conhecimento, simplesmente porque você tem algo, que custa algo e que apodrece como qualquer coisa.  

É engraçado como no Brasil estamos passando por um momento onde a verdade soa vergonhosa, aliás, a verdade por aqui é tão enfadonha que contá-la durante um jantar pode fazer alguém passar mal. Os jornais, na maioria das vezes, não se aprofundam. Apenas contam a mesma história que alguém “lá de cima” lhes contou, com os mesmos pontos. Questionamentos? Poucos, quase inexistentes.  

Ao contrário da mola-mestre da filosofia, nossa mídia de um modo geral não questiona e nem favorece o questionamento. A filosofia-burra de um Big-Brother, onde há uma tentativa descarada de condicionamento social e uma neo-concepção comportamental, leva a população a escolher o certo e o errado a partir de um simples sim ou não, aceito ou não aceito, claro ou escuro; como se a vida real fosse um código binário de um computador. 

Aí então um tal Alemão – um tal Bambam ou seja lá quem for –  se torna exemplo de conduta, onipresente na casa de milhões de brasileiros, quase que um formador de opinião. Você quer ser igual ao Alemão, ao Bambam? Eu particularmente não! E aí eu lhe pergunto: Cadê a programação de qualidade? Ela existe? Existe sim, e está lá escondida as seis e pouco da manhã em um canal aberto, ou em algum programa da TV a cabo, onde poucos têm acesso. 

A esperança de que a TV Digital e a interatividade venham a sacudir esse marasmo é grande. Uma TV do povo, sem as fronteiras atuais, mesmo porque existem algumas poucas fórmulas onde o povo é supracitado, seja na tragédia-cômica dos jornais, seja nos programas populares onde a moda agora é desnudar “caipiras”. 

Soluções? Quase nada! Educação? Algumas filosofias vãs publicitárias. Projetos? Para a construção de um novo Projac.  

Quase ninguém quer ouvir, o sonho da mentira parece vender mais, e na verdade ela vende mais, muito mais.  Aí então as coisas começam a ser niveladas por baixo, o sujeito tem um emprego melhor ou simplesmente mora num bairro mais interessante, ou então vence um programa fajuta de auditório, e assim a cambada aplaude, vê nisso o poder, a glória, exatamente o poder que falta a estas pessoas, a ausência de auto-estima, a ignorância civil, a ausência de cidadania, a falta de educação e auto-conhecimento. 

Na escala crescente da sociedade pouca mudança existe entre quem amarga a escassez e quem consegue comprar uma casa em Jurerê Internacional, por exemplo. Em verdade, nem o lá de baixo nem o lá de cima se diferenciam pela real inteligência, um não pensa e o outro pensa que sabe, e quase todos se igualam na fome voraz pelo dinheiro, fama e poder. Onde fica a classe média? Bem, geralmente perdida e sem saber pra que santo se ajoelhar. 

Eu não sou totalmente contra a alguém dizer: aqui as coisas funcionam assim! A questão é que raramente as coisas funcionam, e se as coisas não funcionam, as coisas não funcionam assim.  

Aceitar a palhaçada calado é ser conivente com sua própria derrota, pois meu caro amigo, se não for no bolso a sua derrota, certamente ela virá na construção de uma ditadura de idéias, uma padronização de pensamentos, de uma doença social quase irreversível, onde quem não pensar conseguirá viver um pouco mais, mas mesmo assim na merda. 

Qual a sua escolha?

Um abraço, Antonio Rossa

Obs.: Por motivos de prevenção de saúde mental não citarei neste momento nenhuma palavra à respeito do nosso amigo Presidente dos EUA.

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