SETE QUESTÕES – WADO

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Ele se define “catarinense de nascimento e alagoano de coração”.  

Com um trabalho solo que se iniciou em meados de 2000, o cantor e compositor Wado está lançando seu terceiro disco na “praça”. De quebra o site do cantor já indica o caminho: Download Free de Terceiro Mundo Festivo; e já estamos com música boa na sala. 

Eu era neném, mais velho… Lambedor de boca de mistério… Eu era neném, é serio!”, vem junto com a batida “ balanço carioca funkeado” de Teta. 

Belas letras, melodias sensíveis construídas sobre grooves enérgicos e uma desconstrução intensa longe de muitas das óbvias colagens sonoras atuais. Terceiro Mundo Festivo não é unidirecional, há uma linha estética que dança por entre melodidas, grooves, violões, piano e poesia.  

Há ali um tom terceiro-mundano lançado com ternura e poesia, mais possibilidades e menos “mazelas mainstream”, como o vulgar “terceiro submundo midiático”, que comumente mostra nosso Brasil lá fora, a base de violência, sexo e carnaval.  

“A liberdade serve a morte, assim destino a sorte”, ele canta em Pendurado. 

Wado que já esteve em Paris participando do Projeto Pixinguinha em 2004, no ano de 2006 voltou ao cenário internacional, selecionado para participar do projeto Copa da Cultura / Música do Brasil, onde se apresenta durante a Popkomm, Feira de Música Internacional realizada em Berlim – Alemanha, além de apresentações importantes como o Tim Festival, oportunidade em que se apresentou ao lado de bandas como Los Hermanos, Lambchop, 2manyDJs e Public Enemy.  

“…olha o meu novo sapato, estou de fato tentando me adequar ao seu modelo, ao seu cabelo…”, na emocionante letra de “Melhor”. 

Você confere abaixo as respostas de Wado para o Sete Questões. 

Um abraço, Antonio Rossa 

Maiores informações: http://www2.uol.com.br/wado

SETE QUESTÕES  

1 – As novas tecnologias já permitem que um artista independente alcance maiores distâncias e um público mais diversificado, ao mesmo tempo essas mesmas tecnologias dão um tom descartável aos produtos, os tornam ainda mais efêmeros, o consumo passa a ser mais rápido e quase superficial. Como você encara a música nesse início de novo século? 

Wado: Tudo bom Antonio! Acho que temos um leque de possibilidades maiores, mas não acho que deixe a música descartável ou superficial, os discos que gosto eu escuto muito e com muita atenção. Sobre as possibilidades da internet, a quantidade de gente que usa isso pra conhecer coisas novas ainda é ínfima, mas é a ferramenta que temos e a partir daí cada um com sua estratégia, estou feliz com o disco novo e satisfeito de poder disponibilizar ele inteiro para download. 

2 – Você saiu de SC e foi morar em Alagoas. Ouvi diversas vezes seu último disco (Terceiro Mundo Festivo) e percebi um sotaque neutro em relação a estes dois Estados. Como você define seu som e como foi essa “troca de Estados”? 

W: Eu morei em Florianópolis até os oito anos de idade, tenho irmãos, familiares e amigos por aí, a adolescência passei em Alagoas (algumas vezes passava férias de verão na ilha). Depois que comecei a trabalhar com música fiquei indo e voltando entre AL, RJ e SP, talvez por isso o sotaque meio neutro. Musicalmente acho que é um disco bem brasileiro, mas não regional, apesar de que como gravei em Alagoas acho que tem um clima mais ensolarado em comparação com meu disco anterior que foi feito em Sampa.

Tenho a impressão que Santa Catarina e Alagoas são Estados que olham pra fora, por seu passado sofrido, daí fica mais difícil uma clareza nesses aspectos locais, ao mesmo tempo isso é bom pelo aspecto cosmopolita e de incorporação que isso permite. Não sei se me fiz entender, este é naturalmente um assunto longo. 

Estive por aí ano passado na época da pesca da tainha, eram redes lotadas, toneladas de peixe. Fui tomar uma cerveja na Barra da Lagoa com Gustavo, Ariela, Caio e Ulysses do Clube da Luta, e outro dia fui comer ostras com cachaça com Demétrio dos Irmãos Panarotto. Foram dias especiais. Adoro, tenho uma música nova que não foi gravada inspirada nesta estada.  

3 – “Estou de fato tentando me adequar ao seu modelo, ao seu cabelo… Mesmo que isso custe o nosso tempo…” Ainda é possível sonhar com uma música original – como eu costumo dizer, composta com o coração, gravada com emoção e mixada com intuição – ou os modismos e padrões irão engolir toda e qualquer forma idiossincrática?   

W: Eu acredito na música que carrega um sentimento, seja ele qual for, real ou inventado, não acredito em originalidade, tudo é construção, e essa construção parte das referências de quem cria.  

4 – Em SC discuti-se a existência ou não de uma cena, ao mesmo tempo em que o Estado vive um bom momento em relação a novas bandas e qualidade de material produzido. Como está a cena de Alagoas? 

W: Daí eu conheço Pipodélica, Coletivo Operante, Phunky Buddha (nota do editor: atualmente multiplicada em Gubas & Os Possíveis Budas, Coletivo Operante, Samambaia Sound Club e Quarteto Nota Jazz), Tijuquera e  Dazaranha, mas só assisti show do Phunky Buddha há muitos anos atrás. Acho que já constitui uma cena, seja ela uniforme ou não, Alagoas também é assim, tem uma cena, mas de bandas diversas. Alagoas tem bandas muito boas como Mopho, Xique Baratinho, Sonic Junior, Junior Almeida, Cris Braun. 

5 – Quais são as suas influências mais remotas e o que de “novo” tem lhe agradado? 

W: Gosto muito de música brasileira, este disco novo trás referências de músicas terceiro-mundistas como o funk carioca e o reggaeton da América Central, tem também alguma coisa de MIA e Timbaland. 

6 – Como foram as gravações e como tem funcionado a divulgação deste seu novo trabalho? 

W: Este disco é novíssimo, a divulgação ainda nem começou. O que aconteceu até agora foi espontâneo, ainda vamos mandar o disco pra revistas e jornais. A mídia na net tem sido ótima. A captação e a concepção do disco foi toda em Alagoas, eu, Dinho Zampier, Pedro Ivo Euzébio, com muita coisa midi e a mixagem e a masterização foram feitas em SP por Sérgio Soffiatti. 

7 – Uma idéia para o futuro? 

W: Quem sabe Santa Catarina me descobre e eu vou tocar por ai! Abração,Wado.   

Assista ao clipe: “Wado e Realismo Fantástico – Grande Poder”

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