Maltines lança seu primeiro disco!

 

Toda crítica esbarra em dois pontos fundamentais: a isenção e a preguiça de quem escreve.

 

A isenção tem a ver com o “olhar de fora”, sem ter medo que a roda de amigos lhe acuse de ser maldoso ou excessivamente verdadeiro. Já a preguiça está relacionada com o “vou seguir a onda e escrever o que a maioria disser”.

 

Caso você pare para analisar, aqui em SC são poucas as críticas que chegam ao ponto, dizem as “suas verdades”, colocam o dedo na ferida, caso necessário. A realidade é outra, isto é, coisas do tipo “eu só falarei mal caso eu não goste de fulano”, ou ainda, “prefiro falar bem e ser aceito, eu sou mesmo um merda, não tenho opinião e ainda por cima tenho medo do bicho-papão”.

 

Falar do novo (na verdade primeiro) disco da Maltines (que contou com a produção de Fábio Della – Aerocirco) pode parecer delicado, já que eu trabalhei com eles no início da banda, tenho músicas compostas em parceria, conheço o pessoal, etc.

 

Mas este não é o caso, pelo menos aqui. Confesso que ouvi diversas vezes o novo trabalho, cada canção foi cuidadosamente apreciada.

 

Comparar não é apenas um exercício de auto-segurança, é uma necessidade vital.

 

Ponto n.1: As canções antigas (que já tinham sido gravadas) soavam melhores no EP do que agora, no novo disco. Mera e preguiçosa comparação? Talvez! Mas como fugir e fingir agora?

 

O que aconteceu com o hit “Cinema”? Cadê aquela pegada que encantou SC em 2006?

“Depois de um tempo” ficou sem força, indecisa entre ser uma canção de pegada ou a prima-pobre das demais canções. Onde está a leveza de “Canção para acordar”? A bateria eletrônica ficou a frente até mesmo das cordas, quase irritante.

 

Marcill, Jiva, Ligia, Cisso e Galelli

 

Já “Maus Costumes” é hit! Nesse caso a “fórmula” parece ter caído como uma luva. Letra boa, refrão grudento e uma das melhores performances da vocalista Ligia, no disco. “Fim do jogo” é uma belíssima canção, charmosa e forte, outro potencial hit.

 

Se uma das metas da banda for tocar nas rádios, a erasmorobertiana “Solidão a dois” é a minha candidata. Letra leve, redonda, com uma produção simples, na medida certa pra encantar diversos corações.

 

Com “Farsa” a banda ganha novo fôlego. As letras de Jean Mafra são geralmente precisas, bem costuradas. Ficou gostoso de ouvir a levada da batera com as guitarras rasgadas.

 

Por falar em bateria, em alguns pontos certas “quebradas” parecem sem direção, porém sem nenhum abalo sísmico ao conjunto da obra.

 

A arte gráfica da capa (e do Myspace) ficou caprichada, bem feita. As cores pastéis combinaram com a sonoridade da banda, as fotos ficaram expressivas e sem excessos. Ponto positivo.

 

Ao vivo a Maltines vem vencendo muito mais do que perdendo, realizando bons shows e ganhando cada vez mais público e espaço na mídia. É uma banda bonita, bom de se ver.

 

A saída do vocalista Lucão deixou um certo vazio, mas que aparentemente parece já estar sendo preenchido pelo guitarrista Galelli, que chegou com personalidade própria, dando novas cores ao grupo. É nas adversidades que se conhece o homem, não seria assim?

 

O guitarrista Jiva Lin assumiu alguns vocais que eram originalmente de Lucão. Particularmente prefiro Jiva nas guitarras com toda a sua panca de guitar-hero.

 

No fim das contas, “Maltines” é um disco legal, com algumas ótimas canções (radiofônicas ou não), mas com certas irregularidades que o tempo provavelmente corrigirá.

 

Agora é com vocês!

 

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

 

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