As tendências e o pensamento – Um breve texto reflexivo.

 

Como bem diz o já célebre blogueiro catarinense Mr. Rafael Weiss, do Mundo47, o Youtube é de fato a maior e melhor televisão do mundo. Nós todos sabemos que o Youtube antecipa, de alguma maneira, a forma como as pessoas assistirão a televisão num futuro próximo, isto é, tendo a possibilidade de escolher a hora e o local onde querem assistir tal programa, que hoje ainda conta com uma grade e horários pré-definidos.

 

Nas últimas conversas com amigos ou em entrevistas, tenho divagado bastante a respeito do termo tendência. Lembro-me muito bem dos dias longos da minha pré-adolescência, procurando notícias das minhas bandas preferidas nas pouquíssimas revistas especializadas da época, esperando que aquela “minha” música tocasse no rádio ainda naquela tarde. Foi nos anos noventa.

 

O dedo ficava descansando no rec, aguardando a grande hora do cassete rodar. A idéia de Internet ainda nem me passava pela cabeça. Eu trocava arquivos, revistas, VHS e outros materiais Brasil afora. Não era tarefa simples, apesar da emoção gostosa em busca de novos CEP´s.

 

Pergunte a um adolescente de hoje qual a tendência da música, ou do cinema, ou da moda? Apesar de toda padronização dos gostos, acredito que as respostas serão inúmeras, muitas delas criativas, mas diferentes entre si em alguns pontos.

 

Imagine que em apenas uma tarde, qualquer pessoa pode assistir a um vídeo produzido há 50 anos atrás e ao mesmo tempo um lançamento de 50 minutos atrás, passando por várias décadas e estilos através de alguns toques no mouse do computador.

 

Para nós, que naquela época esperávamos pela tendência do ano, isto é, a tendência da moda em 90, ou a tendência da música em 92, ou “o livro” de 95, o pouco acesso que se tinha era tido como “a única verdade existente na face da terra”. Os livros não passavam de uma ponte intransponível entre realidade e ficção, com aquele charme arrebatador típico do inalcançável.

 

Lembro-me de ouvir insistentemente o mesmo disco por meses a fio, tentando achar enigmas nas capas, buscando significados e sinais nas letras, viajando nas melodias e tirando um som.

 

Hoje, tendência parece ser o acumulo de tudo isso, das épocas, das cores e das misturas. Aliás, mistura me parece um termo bastante apropriado para os nossos tempos atuais, seja de raças, de roupas, de idéias, seja na paleta de cores do seu computador.

 

Então quer dizer que você simplesmente mistura algo e isso é o nosso tempo? Não, nem sempre, apesar de arte e acaso me parecerem um casamento mais interessante do que arte e negócios! Por mais que 50 pessoas tenham em suas mãos os mesmos ingredientes, a gente sabe que cada uma destas pessoas pensará o seu prato a sua maneira, uns prepararão deliciosos e aromáticos maincourse, outros nem sequer conseguirão fritar os ovos.

 

O que cada vez mais eu penso como fator fundamental da criação do nosso futuro é justamente a coerência que nós precisamos desenvolver para equilibrar todas essas vertentes, estilos, modismos e cores.

 

Neste ponto é que a educação entra como um alicerce importantíssimo para o desenvolvimento da nossa arte e da nossa vida como um todo. Eu digo educação crítica, filosófica, aquela que propõe uma ação de pensamento e uma análise sobre o pensar. Apesar de não ser a única solução, construir novas escolas e preparar e remunerar melhor os professores já é um grande adianto, e isso precisa ser feito agora. Mas educação de verdade é um passo ainda maior e que precisa ser planejado seriamente.

 

A dissociação e a criação das multi-especializações contribuiram e muito para uma parte decisiva do nosso desenvolvimento. Chegou-se longe, é um fato indiscutível.

 

Por outro lado distanciaram-se alguns pontos de conexão entre diversas áreas, isto é, existem hospitais onde o médico, o enfermeiro e o psicólogo realizam trabalhos convergentes, porém cada um pensa este dever por conta própria levando em consideração somente aquilo que lhe foi apresentado como verdade, seja na universidade, em algumas especializações e até mesmo na prática de sua profissão.

 

Nesta prática, muito possivelmente, o aluno não foi confrontado com a análise do seu pensamento, nem mesmo com as conseqüências dos seus atos para a organização como um todo. Este aluno aprendeu como realizar tal técnica, específica, mas freqüentemente finaliza um curso com uma elevada carga de imaturidade social, filosófica e cultural

 

O desconhecido não é respeitado, e isso é lógico. Como eu respeitarei algo que eu nem sei que existe? Como eu terei vontade de ter algo que nem ainda foi criado? Então há uma urgente necessidade de fornecer às pessoas alguns instrumentos básicos para que estas possam vislumbrar novas idéias e conceitos, e mais do que tudo, possam perceber um mundo ainda maior, porém mais integrado.

 

As minhas atitudes influenciam você! As suas atitudes influenciam o José, e as de José me influenciam. Nós somos responsáveis por nos mesmos, mas freqüentemente deixamos as rédeas da nossa vida sob responsabilidade de pessoas que nós nem ao menos sabemos que existem.

 

Atentamos contra nossos conhecidos, falamos mal de nós mesmos como se isso fosse um exercício de humildade. Confundimos com facilidade ignorância com essa humildade, aliás, é muito comum ver pessoas tentando galgar posições enaltecendo e fingindo até mesmo defeitos que não são os seus.

 

Caso a comunicação de qualidade consiga alcançar quem ainda vive a sombra dela, talvez tenhamos mais uma ferramenta para tirar da humanidade o peso de ser um projeto mal sucedido, a deficiência do próprio ser humano. 

 

Mas para que isso aconteça, teremos ainda que perceber com mais clareza aquilo que não é fácil de notar, que num primeiro momento não é material e que existe e está em todo lugar, agora e em trânsito: o pensamento.

 

Pense bem, Antonio Rossa

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