As tendências e o pensamento: Um breve texto reflexivo

Verdadeiramente não acredito que o cinema 3D suplantará o cinema dito convencional, como também não acredito que o mp3 acabará com as rádios, ou o Youtube fará a televisão sucumbir.

Em breve será finalizada a primeira década deste novo século, e a interação entre estas mídias parece que ditará as regras do atual  mercado. O mesmo consumidor do mp3, em algum momento será o consumidor do cinema 3D, do cinema convencional, da TV por assinatura e do Youtube, e ao mesmo tempo será agente de mudança para estas mesmas mídias, produzindo e interagindo.

Até mesmo os famosos discos de vinil, que na Europa continuaram a ser produzidos mesmo depois da invenção do CD, estão ganhado uma legião de novos adeptos aqui no Brasil, pessoas verdadeiramente dispostas a consumir os bolachões.

Na era do conhecimento e da tecnologia, o mundo está ficando cada vez menor, já não somos apenas a nossa rua ou a nossa cidade. Agora nós somos o mundo, podemos fazer negócios e interagir com praticamente todo o planeta, e o mais interessante é que essa mudança é tão recente que hoje até mesmo experts em determinados negócios de sucesso em um passado recente estão de cabelo em pé diante da insegurança proporcionada pelo “novo”.

A internet, que é esta via onde as pessoas e suas idéias interagem, cresceu e tomou proporções de um “forte estado” (Ou seria a ausência do estado?), que é controlado, produz, sofre quedas e assaltos, etc.

A sede do homem pela novidade, pela comunicação e pelo conhecimento é real e é viva. Quando se tira de um jovem – ou de qualquer pessoa – o seu direito à educação, à expressão, se está de alguma forma, com o perdão da analogia, tampando as vias de excreção deste ser, impedindo que um fluxo vital e natural se desenvolva, cresça e seja devolvido ao universo em alguma forma de arte ou ciência.

Sem este fluxo, sem a conscientização e a educação de qualidade, ficamos a mercê de um animal humano em puro extinto de sobrevivência, que vive meramente por viver, e assim sendo, pode matar meramente por matar, roubar meramente por roubar.

Quando um prefeito ou um governador inaugura um prédio, temos a sensação de que algo foi feito, pois olhamos para aquele prédio e o percebemos como prédio, como matéria, com suas janelas, acabamentos, a sua forma em si. Ao mesmo tempo, quando estas mesmas pessoas investem na educação, ali está se plantando algo que só se tornará palpável com o tempo, não há nada claro para se ver e tocar; e nem sempre é possível mensurar com precisão o “lugar alcançado”, mesmo porque na educação o potencial nunca se encerra, não há lugar de chegada e sim um contínuo desenvolvimento com saltos de consciência.

No imediatismo eleitoral, asfaltam-se ruas mesmo que no próximo ano estas mesmas ruas necessitem sérios reparos. Gasta-se tempo, dinheiro e paciência com obras “mascaradas” a fim de se obter o voto “certo”, barato e sem objeções. Com isso gasta-se mais, polui-se mais e a sociedade simplesmente arca com os onerosos custos.

Nós precisamos de ruas em condições de trafegabilidade, ao mesmo tempo que nós também precisamos de uma auto-estrada mental saudável, onde as pessoas possam desenvolver suas habilidades e assim contribuir para um crescimento sustentável, possível.

Este texto não tem o objetivo de criticar os trabalhos feitos, mas sim colocar em xeque algumas prioridades ante a outras. Qual a melhor saída? Comprar novas armas e carros para a Polícia, educar e remunerar melhor os policiais, ou então educar e melhorar a vida das pessoas? Você pode chegar à conclusão que um pouco disso tudo faria uma grande diferença, e eu também acredito que sim.

A inteligência é também essa capacidade de equilibrar interesses, que muitas vezes parecem separados e distantes entre si, mas que promovem as mais diversas conseqüências para todos nós, boas e ruins.

Na simples retórica tudo fica mais simples, na prática sabemos que as coisas são um pouco diferentes. Estamos no tempo do fazer, do realizar. A ação é a marca fundamental do nosso tempo, então é interessante que nós ergamos a cabeça e realizemos o que precisa ser feito.

Mas o que precisa ser feito? Sem alimentos você não terá condições de pensar e estudar, sem a educação você não terá condições de raciocinar sobre o meio-ambiente, por exemplo. Com o desgaste do meio-ambiente a sua vida ficará mais cara e mais dependente de novas tecnologias que nem sempre conseguirão resolver esses danos. Como bem questionou um amigo: para onde irão as baterias dos carros elétricos, tidos como parte de uma solução?

Há e sempre haverá algum impacto. Com menos alimentos milhares de pessoas pagarão o preço do caviar que uma certa elite come. Em suas cápsulas pressurizadas, nos seus dessalinizadores de água e nos jardins monitorados 24h, distantes da realidade crua, o calor e o frio excessivos, a violência urbana desenfreada, a falta de água, as doenças mentais e orgânicas, a intoxicação, serão assuntos para eu e você suportarmos, até onde der.

O Brasil do presente precisa organizar um projeto mundial de preservação da Amazônia, não apenas fechando suas fronteiras, organizando a integração da América Latina e montando exércitos, mas também propondo alternativas para uma elevação de consciência em âmbito universal. O Brasil precisa dar esse salto para que nós adentremos de fato a um novo nível de consciência mundial.

Nós chegamos até aqui, então é porque ainda temos chances de fazer alguma coisa. Apesar do dia-a-dia nem sempre corroborar com esta idéia, a inércia pesada da realidade não deveria nos fazer desacreditar, porque somos carne, osso, mas também somos mente e coração. Há muito mais para ver, para sentir e para saber do que nós conseguimos perceber.

Talvez você não se pergunte como você e seu amigo conseguem falar através de um celular, mas é porque talvez você ache isso normal. Já acreditar no poder das ondas do seu cérebro, na força da sua mente, parece muito distante e improvável, não é mesmo?

Essa deve ser a razão pela qual você troca muito mais o seu celular do que renova suas idéias, seus projetos e suas perspectivas.

O mundo depende de você, agora!

Um abraço, Antonio Rossa



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One Response to “As tendências e o pensamento: Um breve texto reflexivo”

  1. «Nada é permanente neste mundo cruel. Nem mesmo os nossos problemas.»

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