Eleições? O que começa quando acaba?

 

Passada uma segunda-feira de muito trabalho, mas de muito Wilco no som, chegamos a mais um dia de labuta. Terminadas as eleições municipais, aqui em Florianópolis ficou a sensação de uma cidade dividida politicamente. A diferença entre os candidatos Dário Berger (57,68%) e Esperidião Amin (42,32%) foi relativamente pequena e o índice de abstenção bastante grande (17%), ou seja 53.914 pessoas diante de 225.338 votos válidos

 

Dentre inúmeras análises é possível perceber uma população avessa ao velho jogo político, cansada do “chove e não molha”, das propagandas amanteigadas, das maquiagens que escondem até corrupção a céu aberto.

 

Enquanto isso nós vemos a capital catarinense amargar sérios prejuízos em relação ao turismo, que necessita de uma séria e rápida profissionalização, pagando e treinando melhor os colaboradores, investindo na revitalização dos nossos centros histórico-culturais, preparando até mesmo a população para receber melhor quem vem de fora.

 

Para uma cidade com dezenas e dezenas de belíssimas praias e outros locais, com uma natureza abençoada, quem verdadeiramente lucra são os impostores ao estilo do Moeda Verde, que usam áreas de preservação para lucrarem (e muito) individualmente

 

Além do descaso ambiental, o esquecimento cultural em nossa cidade é algo assustador, até mesmo quando você compara a países “menos desenvolvidos” como o Peru, por exemplo, que tem a sua cultura viva nas ruas mesmo passando por situações de miséria. O nosso Centro Integrado de Cultura, o CIC, passa por uma reforma lenta, burocrática e inconcebível. É um espaço frio, esquecido, sem direção definida.

 

O Teatro Álvaro de Carvalho, o TAC, até funciona, mas sem aquele respeito digno de um espaço secular.  O espaço ao redor do Planetário da UFSC virou ponto de venda de drogas, ao mesmo tempo em que tem um funcional palco que poderia abrigar um espaço cultural, um brique de fim de semana, com shows, artesanato e pessoas circulando livremente. Ao invés disso visitar aquele espaço hoje em dia é correr riscos desnecessários contra a nossa integridade.

 

Outro ponto triste visto na capital catarinense diz respeito às praças públicas, que mais parecem desertos. Não há praticamente crianças brincando, não há jovens interagindo, não há adultos e idosos lendo, conversando. Digo isso em relação à maioria das praças. Perdemos assim, dia após dia, a chance de uma vida mais contemplativa em relação ao nosso município, o amor à cidade passa a ser o amor ao patrão, ao coronel, ao impostor mascarado.

 

Quem nessa cidade não sofre as conseqüências nefastas do transporte público ineficiente e do caos no trânsito? A população parece não conseguir ver esse desrespeito, mas aposto que todos sentem na pele, quase todos os dias.

 

Já está mais do que na hora das pessoas, das cabeças pensantes, dos micro-empresários, dos artistas, dos simples batalhadores do dia-a-dia, arregaçarem as mangas e cobrarem soluções inteligentes, práticas e sustentáveis, que sejam do interesse público e que venham a colaborar com todos. Eu me coloco no meio disso, com disposição para lutar.

 

Não é mais possível admitir benefícios isolados, apenas para poucos. A nossa cidade precisa honrar sua função, a de ser um local para o bem-estar comum. Olho vivo e faro fino meus caros amigos e amigas!

 

Em alerta, Antonio Rossa  

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