Pipodélica entre os melhores. Mais do que justo!

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Alexandre Matias, do excelente blog Trabalho Sujo, colocou “Não Esperem Por Nós”, último disco do Pipodélica, grupo que encerrou suas atividades nesse ano de 2008,  como um dos 50 melhores deste ano. Justiça seja feita.

A grande novidade é que no início de 2009 um documentário sobre “Não Esperem Por Nós”, com imagens da carreira da banda, trechos de músicas de estúdio inacabadas e ótimas estórias sobre a gravação deste último disco e de outros da carreira do grupo, estarão condensados em um vídeo muito bacana, com produção da Transitoriamente. Aguardem. Segue o texto do Matias.  

 

“É difícil saber a hora de parar – qualidade rara num país em que PRATICAMENTE NENHUMA BANDA TERMINA (repare). São desconfortos internos, o cansaço de repetir mais uma vez toda a rotina gravação-lançamento-show, a vontade de dar um tempo ou de tocar o barco pra outro rumo – chega uma hora que o melhor é encarar a realidade do que continuar insistindo em discos ao vivo, novos produtores ou mudanças na formação. Assim, o título do último disco do Pipodélica, Não Esperem Por Nós, resume um pouco dos motivos que levaram a banda à aposentadoria prematura. A banda, ao lado dos Ambervisions, ajudou a cena de Florianópolis a se criar neste início de século, e a cena da ilha que cresceu em paralelo à banda também viu o Pipodélica cada vez mais assumir uma identidade musical própria, sem que essa caísse numa autocaricatura ou fórmula de composição. Rock com afeição à melodia, letras tortas e francas, além de uma mania comportada a pender pela psicodelia clássica, o som do grupo carrega influências que são difíceis de resumir em gêneros – há tanto elementos de rock de garagem, indie rock ou power pop quanto de Roberto Carlos ou bossa nova -, embora a beatlemania e os timbres do rock clássico sejam inerentes à própria formação do grupo. Principal banda psicodélica brasileira no começo desta década (um posto solitário, fundado pelos Mutantes, que já pertenceu, em diferentes épocas, ao Jupiter Maçã, ao Violeta de Outono e ao Mopho, só para ficar em exemplos recentes), o Pipodélica se despede com um álbum feito para ser redescoberto no futuro, pronto para a posteridade, um Nuggets composto por um único autor, um disco conceitual sobre canções pop. A maturidade musical da banda poderia ser elogiada, mas certo elemento de ingenuidade e doçura (que às vezes se contrapõe a alguma mágoa ou pesar de algumas faixas) que impede tirar a juventude dessas canções.”

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