John Frusciante: The Empyrean já está na rede!

 

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Foi de praxe, o mar da internet me trouxe uma “garrafa” com o mais novo disco-solo de John Frusciante, guitarrista do Red Hot Chili Peppers.

 

Há muito já é sabido que depois da viagem quase sem volta pós- Bloodsugarsexmagic, John tornou-se um dos artistas mundiais mais produtivos, compondo fervorosamente, além de contribuir com uma série de outros artistas. 

 

The Empyrean, seu décimo disco, será lançado oficialmente no próximo dia 20 de janeiro e já instiga a curiosidade de milhares de fãs mundo afora, quero dizer, para aqueles que ainda não baixaram o disco completo (incluindo as 2 faixas da versão japonesa).

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Recebi as músicas de uma amiga Chinesa que mora na Alemanha. O mundo fica pequeno daqui da minha mesa e as coisas parecem girar em um multiplano.

 

Não entendi!

 

Essa foi minha primeira impressão diante de The Empyrean, e tal sensação quase sempre me indica coisas que devo continuar e tentar, com forte indício, uma melhor observação.  Com os discos-solo de John, na maioria das vezes, aconteceu algo parecido e depois vieram surpresas atrás de surpresas, em maioria positivas.

 

Confesso que primeiramente não segui a recomendação do próprio John, que era ouvir o novo disco numa sala escura, na calada da noite.

 

Foi assim, no meio de uma tarde chuvosa, entre uma pausa ou outra nos trabalhos. que as 12 músicas foram sendo cuidadosamente ouvidas e absorvidas , amansando o terreno inconsciente da minha cabeça. Vozes, piano, cordas e distorções, dentro de uma atmosfera espiritual. Algo me levou a essa conotação.

 

A noite chegou e a sala escureceu. Daquele estado de espírito sugestionado, canções como a multifacetada God e a “world music” Dark Light saltaram pela casa, ganhando um espaço que parecia predestinado somente aos ouvidos da alma, pelo menos da minha.

 

Mal sabia eu o que viria pela frente. De fato, no escuro as vocalizações multi-sensoriais de John parecem ganhar uma dimensão particular e nem sempre plausível.  Parece que está tudo solto no ar, sem barreiras.

 

Para quem está acostumado com a parte previsível (e muitas vezes comum) da música pop, o resultado pode não fazer o efeito desejado e cair numa chatice desproporcional.

 

Frusciante imprime em cada canção uma espécie de selo, uma nuança criativa que sabe bem utilizar-se das próprias deficiências e virtuoses, em perfeita simbiose; e que podem alcançar estranhezas sensitivas muito saborosas. Seus discos têm um ponto central característico, são quase sempre indicadores conceituais oferecendo uma espécie de “menu” de possibilidades pop. 

 

Para quem só ouviu “Unreachable” (ouça aqui) vale lembrar que o primeiro single não chega nem perto de representar o disco, e nem eu pretendo fazer isso. Então o que eu escrevo aqui é muito mais um exercício de escrita do que um manual de como “viajar”. A viagem é minha! A sala escura da sua casa que lhe explique direito.

 

Previsiblidade contemporânea? Confesso que The Empyrean passa longe disso. Experimente ouvir Enough Of Me e você provavelmente entenderá (sentirá) melhor o que a tal “Morada dos Deuses” do guitarrista propõem. A instrumental Before The Beginning leva o agudo da guitarra para uma espécie de redenção. Bela!

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One More Of Me e After The End são dois desfoques de realidade. Na primeira, sob uma base de cordas, John canta em tom bastante grave rumo a um descontrole “Zappaniano” emocionante. Já na segunda o ouvinte pode facilmente imaginar uma viagem espacial (ou astral). Para uma mente suficientemente elástica certamente a sala já não está no mesmo lugar.

 

A homenagem a Tim Buckley (Song To The Siren) também emociona, mesmo que a versão original seja uma daquelas pérolas irretocáveis.

 

Alguns merecem o posto de gênio, John o faz por merecer. Vivo!

 

Ouça “The Empyrean!

 

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

 

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