O Planeta também é aqui!

 

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Pois bem, a edição 2009 do Planeta Atlântida chegou ao fim, nenhuma grande novidade conceitual, algumas ausências locais foram sentidas, mas tudo corre bem como o sangue em nossas veias.

 

Claro, Lenzi Brothers e Sociedade Soul tinham cacife de sobra para incendiar o Palco Voador e fazer bonito. Não tenho dúvidas de que o Aerocirco fez por merecer o espaço e mandou bala. John Bala Jones e Dazaranha já são praticamente sócios do Planeta, então se confirmou que a maior novidade dessa edição do festival foi mesmo o tal Sertanejo Universitário.

 

Sinceramente não tenho muito que reclamar do Planeta Atlântida, acredito que o foco do festival seja bem delineado, isto é, quem vai sabe o que está comprando e o que verá e ouvirá. Dar um espaço um pouco maior para as bandas catarinenses seria talvez um ato de retribuição social. Ancorados pelas estrelas nacionais, cinco bandas catarinenses no Palco Voador já seria um espaço muito bacana para mostrar alguns dos excelentes trabalhos que vêm sendo realizados em SC.

 

É preciso admitir que o Planeta Atlântida não lança tendências artísticas propriamente ditas, mas sim busca o que vem acontecendo no meio artístico com o lastro fiel ao mercado. Isso é fato e a gente precisa entender, queiramos ou não. É comum ouvirmos gente dizendo que os grandes empurram aquilo que a gente não quer ouvir. Discordo em parte, creio que o público quer sim ouvir isso também. Conheço uma pessoa, por exemplo, que tem devoção por Zeca Baleiro, Ivete Sangalo e Renato Borguetti. Parece estranho? Quantas misturas parecidas não existem por aí?

 

Então há sempre uma tendência de centralização (você quer o seu, eu quero o meu, eles querem o deles) às vezes mais brusca em quem está nos arredores do centro do que o contrário. Mas existe então a necessidade do lucro, da usura, e isso pode até fazer a água tornar-se vinho.

 

Será que essas bandas locais estão de fato prontas para esses festivais e para o tal sucesso? Caso suas músicas tocassem nas rádios com freqüência alcançariam o sucesso almejado? Tudo que toca na rádio (sem juízo de valores aqui) estoura, acontece? Acredito que a maioria não! Agora, não tenho dúvidas de que SC conta com umas cinco ou seis bandas que vem fazendo um trabalho sério, comprometido e profissional. Estou sendo mais específico com as bandas pop, que poderiam fazer parte de um festival como esse.

 

Este blog, o Mundo47, o Esquerda Festiva, o Blog do Marquinhos, o Orelhada, certamente são boas ferramentas para que os grandes grupos possam observar o que uma parte da comunidade tem visto e ouvido. Esses canais alimentam boa parte do que é noticiado sobre cultura local aqui no estado. Cito também com relevância a rádio da Udesc e a apresentadora Renata Pedroso, que dá um espaço bacana para a música autoral catarinense.

 

Então a análise crítica desses meios é fundamental, é legítima, pois contrói e propoêm novas visões e argumentos. Não criticar e não analisar é de fato um problema, aliás, um grave problema. Li no Mundo47 o post onde o titutar do blog – Rafael Weiss – dizia que alguns leitores seus haviam sugerido que ele deveria pegar mais leve, pois um dia ele poderia precisar da RBS, por exemplo.  

 

Fora a crítica pessoal e vaiodosa, as demais críticas sempre têm o intuito de reavaliar, de propor e analisar certos argumentos, além de colocar o objeto da análise em foco, gerando novas observações e visões. Imagina um amigo seu lhe dizer que seu hálito é desolador? O que você faria num primeiro momento? Pense bem, e depois sinta a “dura” crítica transformar-se em uma preciosa informação para você.  Seria proveitoso, não?

 

A classe artística e a sociedade só deveriam ficar realmente irados caso existisse dinheiro público em eventos privados com geração de lucro, em SC. Quanto à escalção de bandas, não há motivo para tanto, né?

 

O casting do Planeta Atlântida certamente não é nem foi montando em vão, deve haver ali uma pesquisa de opinião para saber quem trazer, além das cartas marcadas de festivais como o Skank, Jota Quest e o ORappa, é óbvio.

 

Então o que eu sugiro é um espaço para o risco, para a inovação e para a contribuição social com a comunidade local. Resta saber se a comunidade conhece e realmente quer ouvir aquilo que a gente tanto preza. Fica a dúvida.

 

Um abraço, Antonio Rossa

 

One Response to “O Planeta também é aqui!”

  1. Ulysses Dutra Says:

    Mandou bem na crítica lúcida Antônio. abração

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