O Clube da Luta chegou ao fim? Mas qual fim afinal?

 

Vina Nu - Transitoriamente 2008

Depois de tantos fins, mais um fim.

O Clube da Luta chegou ao fim? Mas qual fim afinal?

Confesso que no primeiro ano de Clube da Luta, aqui na capital catarinense, fui um entusiasta convicto, daqueles que vestem uma camisa imaginária e acreditam na luta, pois para mim havia no ar um cheiro de renova – ação, apesar do discurso que não deixava às claras o propósito da idéia.

“Governo da música independente” e “é daqui e é nosso”, foram alguns dos jargões utilizados para vender uma idéia, que até pouco tempo atrás nunca tinha ficado realmente nítida, apesar da quase sempre agressiva publicidade.

Idéias realmente não faltaram, leia-se Movimento, Cooperativa, Panela, Grupo de Amigos. O que era “nosso” acabou se tornando de poucos, e no fim das contas as tantas idéias não conseguiram tornar, de fato, o Clube maior do que uma festa semanal na Capital. Não que isso seja demérito, porém há talento para ir mais longe. 

Quem sabe a história contará as coisas de um modo diferente, mas aí será a história, e não uma agência de publicidade tentando martelar alguma coisa goela abaixo. O tempo tem esse grande trunfo, ele esclarece quase tudo.

Eis que chegou um ponto em que algumas coisas começaram a ficar mais nítidas, a idéia de algo maior e com participação mais abrangente de bandas não existia, e como alguns disseram, nunca existiu de fato. Nesse ponto a comunicação do Clube falhou, e algumas pessoas se sentiram lesadas, com ou sem razão.

O que foi aquele episódio da parceria com a MTV? Até hoje pouco se sabe. Enfim…

Ando bastante por aí, ouvindo bandas, artistas, e é preciso esclarecer que o Clube reúne (reuniu?) algumas ótimas bandas, sim, mas de forma alguma condensa (condensou?) o que é a música catarinense. Há uma parte ali, não tenho dúvidas, uma pequena e importante parte. Porém, precisamos colocar as coisas em perspectiva.

Tive o prazer de trabalhar recentemente com o selo Beluga, encontrei ali um baú de preciosidades e com uma década de estrada. É mais uma excelente peça para somar, mas também não resume A MÚSICA DE SC. Temos muito mais a oferecer, de canto a canto do Estado.

Devo deixar claro, eu não estou aqui para apontar erros, nem ser advogado de nada. Acredito realmente que em alguns pontos o Clube da Luta foi (é?) importante para a música feita em Florianópolis e até certo ponto no Estado. Planejado ou por acaso? Não sei. Porém, há um valor nisso tudo, e que merece ser visto também.  Um valor nem sempre mensurável, pois além do capital financeiro, envolve também questões pessoais e emocionais, que serão ativadas ou deixadas no canto de um saudosismo barato.

De qualquer maneira, deixo uma questão, que para mim servirá de exemplo para outras frentes e para o futuro: ATÉ QUE PONTO DEVEMOS FAZER DA MERA PUBLICIDADE ALGO MAIOR DO QUE A REALIDADE? É POSSÍVEL PERSUADIR SEM QUERER CATEQUIZAR?

Uma coisa é fato, a música não vai parar, as bandas não deixarão de trabalhar e o melhor certamente ainda está por vir. Não há fim, apenas continuidade.

Talvez alguém diga que não acabou, mas aí então será preciso recomeçar.

De qualquer maneira, fiz alguns bons amigos com essa estória toda, e só isso já me deixaria muito feliz.

Um abraço, Antonio Rossa

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