Raul não morreu há 20 anos atrás!

 

Raul Seixas

Tentem imaginar Raul Seixas vivo hoje, digo vivo em “carne e osso”, já que eu realmente acredito que Raul não morreu há 20 anos atrás. Pensem no contexto, no Sarney, na ascenção do politicamente correto e nas “ceras de hipocrisia” que muitos têm usado como gel no cabelo.

O que Raul pensaria da mídia, por exemplo, que em raros casos consegue apontar e assumir uma opinião unidirecional e firme? Hoje as opiniões mudam, e mudam tão lépidas quanto aquele dia quente que termina em pancada de chuva.  

É tudo quase sempre negociável, manipulável e passível de panos quentes. Destreza com a verdade? É uma habilidade de poucos.

Não creio que Raul teria lugar nessa festinha que começa na família calada e termina na corrupção de nossas instituições, tudo com muita parcimônia e requintes cirúrgicos de manipulação. Não que na época de Raul não existisse tais mazelas, a questão é que o mundo evoluiu em muitas questões, então nós precisaríamos ter evoluido de tal maneira.

A grande diferença é que hoje não parece haver revolta, uma ou outra indignação pessoal se esfacela na possibilidade de retaliação, uma espécie de mão invisível que pode lhe tirar do jogo. Aí então esse medo se alastra, e assim qualquer boato vende mais jornais do que a verdade.

Hoje, o tempo não é o de dizer o que se pensa, mas sim o tempo de pensar muito antes de falar ou emitir qualquer opinião que não seja aquelas gracinhas engomadas com tarjas indicativas de idade e público. Tempo de aceitar ter que dizer aquilo que não se acredita, mesmo que você passe o ano debruçado em seu computador “twittando” milhares de caracteres.  

Por exemplo, você realmente acredita que a Rede Globo está preocupada com a falta de ética do bispo Edir Macedo e sua rede de TV e de igrejas? Que eu saiba ética não tem o mesmo significado de Ibope. Simples e só.

Será que Raul entenderia fatos como o Moeda Verde, aqui em Florianópolis? Digo isso no sentido da apatia da população diante do descarado desrespeito com o meio-ambiente local (que é meu, é teu e é nosso), e que agora mofa numa gaveta do judiciário. Oásis de corruptela na Ilha da panela.

De que forma Raul engoliria a retórica de Lula ao afirmar que José Sarney não poderia ser tratado como as pessoas comuns. Aliás, quem são os comuns e quem na são? Onde você se enquadra nessa?

Mesmo eu acreditando que o amanhã será sempre melhor, penso que Raul não estaria em bom lugar. De qualquer maneira isso me faz imaginar as belas canções como resultado.

Por essas e outras eu penso: “Raul, da morte suas palavras permanecem vivas, quanto que em vida muitas bocas caladas agonizam na aflição de não dizer palavras”.

Raul permanece, Sarney já não existe.

Antonio Rossa

Passo pela praça e acho graça
Falam mal de mim e eu acho graça
Todo tempo ido tá contigo na manhã
Todo tempo tido, tô contigo na manhã
Na manhã! Na manhã!

EU ACHO GRAÇA (Raul Seixas e Sérgio Sampaio)

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