O Brasil abre os braços para Belchior.

 

Belchior

Já fazia algum tempo em que nenhum figurão da MPB causava um furor de âmbito nacional, como o acontecido com o cantor e compositor Belchior nessa última semana.

Caetano Veloso ganhou um documentário há poucas semanas, além do caso da Lei Roaunet, mas certamente Belchior levou o posto de estrela das últimas semanas.

O motivo, é fato, iniciou-se por um conjunto chato de informações e desencontros à respeito de Belchior, o que suscitou milhares de comentários sobre as possíveis causas do seu desaparecimento, que segundo a sua família já fazia dois anos.

O lado cult de Belchior, em parte, sempre se deveu a esse certo “anonimato” em relação às massas, e a uma certa incompreensão do teor de suas letras, em sua maioria claras e sensíveis. Quem sabe agora o momento é de redescoberta desse compositor com 50 discos lançados e 35 anos de carreira.

Lembro-me que na infância, gostar de Belchior era estar num mar distante do gosto da maioria, como se poucos pudessem compreender a carga poética de suas letras e somente os fãs conseguissem sacar um código que somente entre eles houvesse razão. Com o tempo eu aprendi a equalizar essa apreciação, e até certo ponto compreender que as emoções e as importâncias são muitas, e que cada um tem as suas.

Voltando aos últimos dias, a web esquentou com o assunto, sendo que até o famoso jornal inglês The Guardian noticiou o fato com grande atenção. Compararam o acontecido com o caso de Richey Edwards, guitarrista e letrista da banda Galesa Manic Street Preachers. Aliás, recomendo esse trio (ouça aqui).

Nessa última edição do Fantástico (Rede Globo), eis que Belchior apareceu ao grande público, em entrevista concedida à repórter Sônia Bridi. A repórter o encontrou num vilarejo Uruguaio, e mesmo com um certo descontentamento inicial em receber a imprensa, Belchior pareceu tranqüilo e lúcido, comentou sobre seu interesse e amor pela América-Latina e pelo Brasil, e ainda prometeu novidades artísticas para um futuro breve. Segundo o próprio, um cancioneiro de suas músicas em português e espanhol já está em processo de produção.

Belchior ainda fez questão de ressaltar à repórter:  “O Brasil está comigo sempre. Todos os lugares onde eu estou, eu me sinto perfeitamente no Brasil. Tanto é a força da cultura do Brasil, tanto é o amor daquela gente, tão boa, que pode e deve ser como está sendo hoje um exemplo de paz para o mundo. Eu sempre estou voltando para o Brasil. Eu sempre estou no Brasil. Esse movimento é portanto desde o seu começo extremamente bem sucedido, sabe? Eu vou voltar”.

Como fã, confesso que me preocupei com o fato, já que Belchior merece antes de tudo um reconhecimento digno de sua importância para a MPB e para a memória nacional. Seus fatos pessoais merecem a atenção e o esclarecimento, predominamente, dos envolvidos na situação.

De Belchior é possível se extrair parte da fotografia temporal e imaginária que está no coração e na mente de milhares de brasileiros, e que agora – queira-se ou não – poderá ganhar novos apreciadores.

Espera-se, e assim o compositor nos prometeu, novas composições, pinturas e notícias.  O resto, que se julgue pelas vias próprias.

“Paralelas” é a trilha sonora por aqui. Qual a sua?

Abraços,

Antonio Rossa

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