NUVEM: Release oficial

Antonio Rossa – “Nuvem”

por Juliano Malinverni

Não há, principalmente em Florianópolis, uma linha clara que divida os dois universos da música, o mundinho que a faz e o mundão que a consome. Figura fácil da cena musical da ilha, Antonio Rossa ficou conhecido por seu trabalho no meio de campo: produtor cultural, Rossa popularizou-se por seus trabalhos sobre a música e os músicos: videoclipe, blog, documentários, coberturas, fotografias.

Em “Nuvem”, Rossa crava a bandeira no território musical como… Músico. E o faz em grande estilo: amparado pelos músicos de ponta da Sociedade Soul em uma gravação de qualidade acima-de-qualquer-suspeita que mostra o poder de fogo do estúdio The Magic Place e do anfitrião Renato Pimentel. Está ali também o guitarrista de um dos destaques pop de Santa Catarina, Jiva Lin, dos Maltines. Em algum momento, voltando do estúdio em direção a sua casa, Rossa deve ter pensado que um time de acompanhamento desse calibre pode – tende a – ofuscar o acompanhado. Era bobagem. Essa trupe tem competência de sobra e sabe jogar pelo time. O foco fica todo nas canções, que caminham por veredas de folk, country, rock popular.

Em Santa Catarina, esses caminhos não são novos. Duas das bolachas mais famosas e bem-logradas produzidas no estado bebem de fontes parecidas – “Expresso Rural” e “Não contavam com os Pistoleiros”. Em “Nuvem”, esses caminhos parecem bem mais contemporâneos. Se não houvesse outros méritos, o mini-disco poderia ser referenciado como o primeiro disco de levada folk/alt-country/rock realmente bem gravado em Santa Catarina. Mas há outros méritos, a começar pelo enfoque na canção. Você pode perder as contas de quantas bandas e artistas locais estão preocupados demais com o visual, a performance, o conceito, a imagem, o “tocar pra caralho” e deixam a canção em segundo plano. Isso tudo é importante, claro. Mas tem algo que não pode ser esquecido. O que era, mesmo?

“Roubaram minha cena”, diz a pobre da canção. Mas não aqui, não espere isso do Rossa. Entretanto, há também algumas ousadias e outras cores. Certas sacadas das letras destoam do piloto-automático que costuma levar os boeings do pop local. Alguns instrumentos parecem deliciosamente fora-de-lugar no ambiente das canções. Clavinete em uma canção country? E o vocal feminino – da cantora Bruna Gargioni – que lembra aquelas meninas que aprenderam a cantar na igreja? De onde saiu essa menina? Surpresa! Ficou bom.

“Nuvem” foi feliz em unir a experiência e competência dos músicos de apoio com a espontaneidade e o entusiasmo do cantor. Conservou aquele jeito de primeiro trabalho, dentro do que há de bom e de ruim em uma estreia: soa mais como um ponto de partida do que como um ponto de chegada, mais como travessão do que como ponto final. Pede mais. Que o Rossa não demore outros quinze anos compondo e atuando somente no meio-de-campo para lançar o próximo.

Ouça NUVEM: http://www.myspace.com/antoniorossaoficial

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