Aconteceu naquele Novembro…

Pode ser engraçado, mas por outro lado tremendamente assustador, pensar que a classe média hoje, tornou-se apática e passiva diante da ideia de revolução. Nada grita, e o marasmo shopping-center prevalece como anestesia, leve como suas inúmeras parcelas, que amortecem a dor das compras sem razão.

Já as classes menos favorecidas, quando também desprovidas de acesso ao conhecimento, promovem revoluções ao contrário, ora matando seus próprios comparsas, ora se atirando contra o asfalto num grito sufocado pela marginalidade que são colocados. É apenas violência, sem nenhum requinte de revolução verdadeira.

Claro que existem as exceções, em todos os níveis, de diversas formas, mas a massa ainda é maior, e segue cega pela rua escura, sem pensar que o amanhã virá.

Do ponto de vista dessa passividade, a mansidão do povo brasileiro só é colocada a prova na final de algum campeonato de futebol, na copa do mundo e ponto. No resto do tempo aceitamos de mãos atadas e olhos vendados fatos como, por exemplo, os mais de R$ 6,7 milhões gastos pela Prefeitura de Florianópolis, apenas como decoração de natal e um show no final do ano. Some-se a isso mais R$1,9 milhão gastos com a nova pista de kart, feita para o desafio das estrelas, e temos então quase R$ 9 milhões de gastos duvidosos, que no mínimo deveriam ser revistos.

Gastou-se? Ok! Mas qual será o retorno? Caso amanhã saia um relatório da Prefeitura ou do Governo de SC  provando que o ganho será maior do que o custo, então pode-se mudar de ideia e rever os fatos.

Às cegas, fica tudo estranho.

Celebração pública de Natal, turismo, eventos internacionais ? Sim, claro que sim, porém algumas coisas mais urgentes precisam ser resolvidas antes, POR FAVOR.

Cadê o incentivo à cultura? A nossa música, o nosso cinema, os nossos atores e escritores? Quando conseguem aprovar algum edital de cartas marcadas, recebem alguns “míseros trocados” por meses e anos de trabalho. A nossa saúde pública ainda agoniza e nossas ruas tornaram-se formigueiros de automóveis.  CADÊ A SOLUÇÃO? Ela precisa vir de onde?

No dia 30 de novembro de 1979, portando há 30 anos, as chamas da revolução estavam acessas aqui na capital de SC. A ditadura estava se encaminhando para sua dissolução, porém a dor da castração é sentida até hoje.

Na época, os Arenistas Esperidião Amim e Jorge Bornhausen promoveram a visita do General João Figueiredo à capital do estado. O clima era de desconfiança e revolta. Figueiredo gesticulou de forma estranha, endoçava uma forma de governo detestável, então foi hostilzado e tentou retrucar colocando-se no meio do povo. A confusão estava estabelecida.

O movimento estudantil da UFSC levou cerca de 4 mil pessoas ao centro da cidade, onde o confronto violento com policiais marcou essa data, e deixou claro que qualquer movimento ditatorial e perseguitório merece o nosso repúdio.

Esses 30 anos devem ser lembrados, não apenas como um mero registro histório, mas também como ponto de análise futura, para que não deixemos prevalecer hoje, sob hipótese alguma, as forças de qualquer movimento que se coloque e se proclame como único. A ditadura e seus reflexos precisam ser compreendidos, pois eles ainda hoje se manifestam sob uma passividade populacional digna de um cercado de gado castrado, e que acometeu as gerações futuras, inclusive a nossa.

De qualquer maneira, os resquícios da ditadura ainda estão – hoje em dia – ao nosso redor, seja na repressão imaginária contra a liberdade de ideias e expressão do povo, seja nas concessões para comunicação, na pressão psicológica e estética das pessoas para com as pessoas (riqueza, magreza, beleza, materialismo, etc), na perseguição política que ainda nos assola, seja no sucateamento da saúde pública e da educação, dois pilares fundamentais para o exercicio da democracia.

As fotos inéditas desse post foram feitas pelo então estudante de sociologia a época Nilton Fraiberg, hoje Gerente de Projetos do Ministério do Trabalho, em Brasília.

Ao pensarmos na repressão violenta contra a liberdade civil, fazer uma foto naquela época e naquela situação é um ato que merece o nosso respeito hoje, caso contrário não teríamos registros visuais que ilustram esses sórdidos, porém reais fatos.

O Brasil necessita avançar, e para isso ele precisa da nossa consciência. Não podemos esquecer a nossa história, sem passado o futuro será sempre confuso e sem sentido.

GARRA!!!

Antonio Rossa

Fotos por Nilton Fraiberg

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