YER. Em algum lugar entre Lages e Londres

Eu gostaria de espiar o futuro, 20 – 30 anos à frente, para quem sabe poder compreender um pouco melhor esse nosso tempo.

Tempo de “infinitos” amigos e contatos. Tempo onde todo mundo é uma espécie de celebridade. Onde todos têm voz, onde todo mundo sabe, onde todos têm milhares de seguidores. Tempo também onde crescem as vendas de anti-depressivos, o que de alguma forma denota que há cada vez mais gente atolada em angústias e solidão. Será que o mundo sempre foi assim? A humanidade caminha para trás, mas com design futuro? 

Tenho as minhas dúvidas sobre o “agora”, esse excesso de certezas não me parece realmente crível. Para quase todas as coisas existem fórmulas, métodos, esquemas.  É preciso diferenciar a essência do shape.

Ouvindo a banda lageana Yer, pego-me a pensar na razão pela qual tantas vezes o mundo parece ignorar alguns talentos em detrimento de modismos artificiais e sem gosto. Eu não estou falando do seu gosto genuíno, mas daquilo que é imposto a você, como “a certeza da felicidade”, “o melhor de todos os tempos”.

Sim, eu não acredito em uma “escala artística” que delimite claramente bons e maus artistas, pelo contrário, a subjetividade da arte é o seu próprio argumento de continuidade e auto-preservação. O ponto-chave está numa certa exposição que tantas vezes não se dá a quem, de alguma forma, deveria estar lá.

Quem sabe esteja aí essa “tal chave”, esse “tal caminho”. O melhor da arte parece estar fora da auto-estrada, numa rodovia mais silenciosa, muitas vezes encostada, pedindo carona, sem pressa.   

Este é o mundo que analisa, por exemplo, o novo disco do “stroke” Julian Casablancas como algo “para frente”. Para mim, é tão “para trás” quanto Hendrix, Lennon, Beasty Boys ou Iggy Pop, que sejam guardadas as devidas proporções, por favor. O ponto é que a mídia parece sempre querer eleger o tipo de passado que merece mais atenção, e aquele que não. Ora bolas, todo futuro é a reorganização do passado, não é mesmo?  Hendrix continua sendo amanhã, não apenas ontem.

“Gosto pessoal” é só um detalhe, como essas palavras que eu escrevo agora. É preciso mais do que isso, há um mundo que necessita de diferentes opiniões e não apenas um melodrama uníssono e unilateral. 

O que uma banda como Yer precisa fazer para que as pessoas atentem-se ao seu som forte e marcante? Fazer propaganda de refrigerante ou de carros? Ser trilha de seriados policiais na TV? Tocar no Raul Gil? Ou simplesmente esperar pacientemente a “moda” voltar? Mesmo que a internet tenha provocado dezenas de centenas de síndromes egocêntricas e confusas, pelo menos ela nos deu essa grata oportunidade, que é a de ver e ouvir coisas relevantes, que poderiam passar despercebidas por ouvintes e telespectadores desatentos e/ou conformados.

Queira Deus que essa turma, antes de tudo, continue com esse gás de levar o rock´n´roll ( e a boa música) adiante. O resto? Bom, o resto é um detalhe que não me cabe prever, apenas ouvir e sentir.“Let me try” carrega pelo menos 40 anos de rock´n´roll, com a diferença de estar sendo feita e tocada agora. E isso me cheira muito bem.

Abaixo você confere o primeiro clipe do trio catarina, filmado e editado pelo mago da guitarra Mr. Marzio Lenzi. A banda também fecha o ano com 04 musicas do CD First of Many Others, que será lançado em fevereiro de 2010. Você pode ouvir essas canções em http://www.myspace.com/bandayer

Recomendo também o excelente EP Cheers Mate, lançado em 2006.  

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

One Response to “YER. Em algum lugar entre Lages e Londres”

  1. po Antonio, fiquei emocionado de ter reconhecimento de nosso trabalho expressado com tua opiniao eloquente. grande abs – cheers mate – Fabiano / Yer

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