Vik “de todas as coisas” Muniz

Dia desses, como aquelas obras do destino, veio-me novamente em mãos uma edição da revista Trip de fevereiro de 2001.

Por alguma razão a capa da minha edição trazia Chico Science estampado, e não Juliana Paes, lembrando que a Trip sempre ofereceu duas possibilidades de capa para o leitor.

No fundo eu estava muito mais “ sentimentalmente próximo” de Chico do que Juliana, é fato e justifica a escolha.

Nessa célebre edição ainda havia uma entrevista que na época me deixou bastante entusiasmado sobre as possibilidades da arte como ofício, e de como os brasileiros possuíam uma certa “criatividade reciclada” das coisas.

Vik Muniz, artista brasileiro, hoje quase uma lenda mundial, já fazia seus belos estragos, ou talvez, suas recomposições de estragos, mas ainda era uma certa  “descoberta de gringo”.

O sarcasmo e a intensidade da entrevista combinavam com as fotos da revista que mostravam as suas obras. Aquilo parecia honesto, isto é, a vida do artista e todas as suas nuances, dificuldades e gozos faziam um sentido para a própria existência de sua obra. “A inevitável auto-reflexão na falta de apetite frente a um prato de comida inacabado”.

Foi-me intenso ver “um grito” desenhado num prato de macarrão com restos de macarrão e molho ou Monalisa feita de geléia, ou Elvis com lapadas de chocolate derretido num prato branco. Havia desenhos feitos com açúcar e outros com sangue (um auto-retrato), e que depois eu viria a descobrir que não era sangue verdadeiro. Nada que tenha me decepcionado, seria injusto de minha parte.

De lá para cá muito coisa mudou, eu mudei, Vik ganhou o mundo e o mundo ganho Vik. Estar novamente em contato com a obra desse artista trouxe-me questões e respostas sobre a minha própria arte e ofício. “O resto das coisas para um fim é o todo das coisas para o início de outro fim”. 

Hoje ainda descobri a existência de um documentário chamado “Waste Land”, que mostra o trabalho de Vik transformando lixo em obras de arte e conhecendo os catadores de lixo. Fiquei extremamente curioso.

O certo é que a obra de Vik choca pela simplicidade do inusitado e pela complexidade do resultado. Mais do que as figuras ou os próprios resultados, a idéia inicial parece sempre prevalecer sobre a obra do artista, o que confere a ela um extenso sentido que foge da mera “realidade de vitrine” ou “fast-food-de todas-as-coisas”.

Algo me diz que Vik Muniz será ainda mais celebrado no momento em que o mundo realmente acordar para a maneira como o próprio mundo ainda vê sua relação com o “lixo das coisas”. Talvez então o lixo torne-se ouro, ou qualquer coisa de grande valor.

Acesse o site de Vik Muniz e saiba mais: www.vikmuniz.net

Boa semana e um abraço,

Antonio Rossa

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One Response to “Vik “de todas as coisas” Muniz”

  1. Esse artista plastico é d+
    Tenho que fazer uma releitura de sua obra…
    é muito facil de fazer =)

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