Mais alguns rumos para seguir e somar

 

Fotografia por Antonio Rossa / Fotografias (abaixo) por Carlos de Aquino

Nos dias 25 e 26 de março, quinta e sexta da última semana, o projeto “Itaú Rumos Música” desembarcou em Florianópolis, mais precisamente no Teatro da UFSC. Lá estiveram artistas, músicos, produtores e jornalistas de diversos cantos do Brasil com a missão de discutir temas relacionados à realidade artístico-musical de SC, do Sul e de todo o Brasil. 

Os debates foram intensos e calorosos, mostrando que existe um bom número de pessoas a fim de discutir e encontrar soluções para a forma como a música e os grupos vêm sendo organizados e distribuídos atualmente. 

No primeiro dia as produtoras Dedé Ribeiro (RS) e Beth Moura (PR), mais o músico Guilherme Zimmer (SC),  falaram sobre CIRCULAÇÃO REGIONAL e o quanto isso pode  ajudar as bandas/compositores a levarem seus trabalhos para além das fronteiras de suas cidades/regiões. Relataram também dificuldades e soluções na organização de eventos com bandas autorais de menor expressão midiática, ou de estilos menos difundidos. Esse primeiro debate foi mediado por Edson Natale, representante do Itaú Cultural. 

Vale frisar a postura do Natale diante da condição do Itaú Cultural em relação ao evento proposto. Para quem esperava uma discussão sobre burocracias e  técnicas de projeto viu um evento muito mais preocupado em discutir a realidade da música nessas regiões e esferas, e assim poder ajudar a criar um campo fértil para que então esses projetos possam tornarem-se realidade. Ponto muito positivo. 

Marcos Espíndola (SC), Abonico Smith (PR) e Fabiane Tomaselli (SC) encabeçaram o debate DIFUSÃO, com a mediação do jornalista Israel do Vale.  Foi levantada a idéia de que o músico precisa organizar melhor a sua publicidade e também ajudar a divulgar os meios que oferecem espaço, para que os mesmos obtenham mais audiência e credibilidade. Não houve ali uma proposta ou menção a caminhos alternativos, virtuais, coletivos de divulgação. 

Espíndola falou sobre a Contracapa DC e seu programa na Rádio Atlântida, o Paredão Contracapa, para divulgação de bandas locais. Relatou também as dificuldades de se manter esse tipo de comunicação, pois acaba sendo uma briga interna por espaço. 

Um dos pontos críticos foi quando Fabiane Tomaselli (Diretora da Rádio Udesc) fez um apelo para que as bandas mandem para a Rádio um material bem feito, para que eles possam saber ao menos a ficha técnica e o nome da banda. É incrível e é verdade.

Para fechar a primeira noite o som especial do Cravo da Terra (clique aqui), levado ao palco pelo projeto “12:30 Acústico”.

No segundo dia o músico e ativista catarinense Jean Mafra explicou a proposta do MPB (Movimento Música para Baixar), na tentativa de esclarecer todas as polêmicas envolvendo os “torrents da vida” e a necessidade de difundir cada vez mais a arte pelas highways da superinformação. Notou-se que é ainda um terreno que merece diversos olhares e discussões.  

Logo após, Janine Durand e Carlos Zimbher relataram parte de suas experiências com a Cooperativa de Música, hoje organizada em São Paulo, e que conta com mais de 1.500 associados. Com uma explanação bastante clara eles conseguiram mostrar o quanto o esquema de cooperativismo pode ser benéfico não apenas para a música, mas para a sociedade em geral. Esse debate foi também mediado por Israel do Vale, que foi também uma espécie de cicerone do evento. Grande cabeça. 

O debate “AS REDES ASSOCIATIVAS NA NOVA ORDEM DIGITAL” contou com os coletivos Espaço Cubo, Fórum Permanente de Música, Música Para Baixar (MPB) e SConectada. Nesse momento foram explanadas as experiências que esses coletivos tem tido em suas regiões e até mesmo em âmbito nacional.   

Constatou-se durante essas reflexões a grande qualidade artística que SC possui e que pode ser encontrado exemplos em todas as suas regiões. Por outro lado ficou ainda mais claro o quanto nós estávamos sem representatividade e sem propostas de convergência, salvo alguns festivais que já estavam nesse caminho, mas sem metas mais abrangentes em termos de difusão midiática, por exemplo. Digo isso no passado, pois os trabalhos já estão sendo feitos, as conversas já estão sendo realizadas, tem muita banda boa na roda e coisas novas estão para acontecer nos próximos meses. 

Mais evidente é o fato de que as bandas e cantores (as) precisam ter em mente a extrema necessidade de buscar a qualidade em seus trabalhos, nas letras, na gravação do áudio, no design de seus materiais, em suas fotos e seus vídeos.

O consumidor quer um carro legal, uma escola boa,  uma roupa bacana e comida de qualidade, não é mesmo? Com a música não é nem pode ser diferente.

Bom, agora é não deixar a peteca cair e levar essas ideias cada vez mais adiante. 

Força há! Vamos lutar? 

Um grande abraço, Antonio Rossa 

Colaboração: Marcelo Silva

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3 Responses to “Mais alguns rumos para seguir e somar”

  1. Ana Paula Says:

    as boas ideias não podem ficar somente no campo das boas ideias…elas precisam de ação e coletividade para seguir adiante!
    parabéns meninos!!

  2. antonio, querido, “tamo junto”!!!

    grande abraço.

  3. O caminho é por aí, Antonio. O próximo passo é realizar reuniões permanentes para que as ideias discutidas sejam colocadas em prática.
    Se quiseres ler meu texto, é só acessar o blog do Festival Linguarudos: http://www.linguarudosfestival.blogspot.com
    Ah, te devo um disco do Fevereiro da Silva.
    Falo!

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