Archive for April, 2010

Um Porsche pelo preço de um Fusca?

Posted in Curiosidades with tags , , , on 28/04/2010 by transitoriamente

O vídeo abaixo mostra fielmente um tipo de relação mercadológica que está muito aquém da arte da negociação que deveríamos ver e ter.

Uma coisa é você tentar adequar um orçamento, outra é você menosprezar certos pontos a fim de tentar baixar certos valores de seu fornecedor ou “parceiro”.

Ao meu  ver um bom trabalho vai além de um bom serviço. É preciso somar a técnica, a dedicação e o comprometimento em relação ao trabalho pretendido. O valor se constrói em diversos níveis.

Nós aqui na Transitoriamente não nos vemos como vendedores de fotos e vídeos. Nós realmente gostamos é de oferecer ideias, olhares e assim somar, construir relações sólidas e pensamentos que possam elevar o nível de profissionalismo do nosso mercado e, como consequência, da nossa comunidade.

Partimos da ideia de que quanto mais talentos tivermos, e eu digo isso em relação a todo mercado, mais os trabalhos serão nivelados por cima, e com isso teremos mais chances de conquistar clientes comprometidos com o crescimento de toda a cadeia.

Com isso a Transitoriamente ganha mais, produz melhor e a sociedade recebe de volta uma equipe comprometida com a evolução, melhores atendimentos, produtos e serviços.

Pense nisso, pois nós já pensamos e fazemos.

Um abraço,

Antonio Rossa

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Escultura e foto: Leandro Chaves


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“Quando um manual não resolve”. Um breve texto reflexivo

Posted in fotografia on 27/04/2010 by transitoriamente

Mesmo com as tecnologias mais avançadas em se tratando de fotografia e audiovisual, os trabalhos realmente relevantes continuam contendo certos mistérios que dificilmente se aprendem em bancos de escola. Mistérios estes que vão além de análises e conceituações semióticas, pois também dependem de situações transitórias, que mudam como aquela chuva imprevisível que agora cai.

Por mais que você diga “Uau! Depois de cinco anos de análise sinto-me muito mais eu” ou “A ciência agora comprovou que café faz bem”, é sempre complicado imaginar uma integridade plena, um 100% real de alguma coisa, ainda mais em se tratando de infinitos mentais, isto é, nossos universos multi-direcionais e mutáveis.

Somos aproximadamente alguma coisa, quase isso, muito próximo daquilo, tudo em constante transformação. Porém, ainda ficamos presos àquelas “sensações da mamadeira” – o nosso primeiro vício – e passamos a nos segurar, dia após dia, em referenciais que fazem as funções de “papai e mamãe” da nossa consciência e, por conseguinte, dos nossos atos.

São nessas “faltas ou sobras” onde certos detalhes parecem habitar, onde até mesmo a ciência precisa pedir permissão para entrar, e que geram os saltos ou as quedas de qualidade em uma relação, em um trabalho, em uma conversa, etc.

Uma mistura de técnica,  atenção aos detalhes, sorte e acaso podem criar ambientes magníficos ou exatamente o oposto, mesmo que as condições sejam tecnicamente positivas e comprovadas.

É de se esperar que em uma máquina regulada as coisas funcionem como o esperado. Já não se pode dizer o mesmo de ambientes onde alguns fatores não podem ser fielmente controlados, como um show musical ou teatral, por exemplo. Em determinados ambientes uma emoção pode levar gasolina ao fogo e vice-versa.

É preciso uma forcinha extra para impulsionar o que parece líquido e certo, e essas forças nem sempre são em “forma de cabo”. Estão em algum canto do seu inconsciente, algumas vezes prontas para acertar o alvo da criatividade e gerar novos e inusitados resultados.

Há fotos que funcionam e outras que não. A modelo, a luz e a maquiagem são as mesmas de ontem, mas hoje simplesmente não funcionou. Ontem sim, por quê? O sol parecia o mesmo de ontem.

Alguém pode afirmar que esse mistério seria justamente a falta de um conhecimento mais amplo em relação a determinado assunto. Tudo bem, em certos termos isso faz sentido, porém, agora eu preciso acreditar no que não é necessariamente visto, e isso é uma opção filosófica própria e que deve ser respeitada, pois quem está com o dedo no REC sou eu e o trabalho precisa acontecer dentro das suas condições. Mal ou bem eu preciso fazer o meu melhor.

Penso que a humildade, quando genuína, não é meramente um recurso para ser aceito socialmente ou causar boa impressão, mas uma abertura que pode facilitar a percepção de coisas mutáveis que desafiam aquela cadeira que sempre está ali no mesmo canto da sua sala.

Essa mesma cadeira aparentemente parada pode levar você a acreditar que as demais coisas também estão paradas. Nem mesmo a cadeira, fisicamente falando, está.

Nos trabalhos fotográficos, audiovisuais e de design que eu realizo, é sempre de suma importância conhecer um pouco melhor certos pontos que podem passar batido em relação às pessoas envolvidas. Quais as motivações daquelas pessoas, quais são seus gostos explícitos, mas também quais são seus gostos íntimos e aparentemente inacessíveis?

Costumo dizer que eu não faço fotografias, eu observo. A máquina é apenas um meio, ou seja, eu preciso me acertar com a minha mente, já que a máquina eu conheço bem.

Essa proximidade e essa intimidade podem deixar o ambiente muitas vezes mais explosivo, mas certamente essa energia liberada fará com que todos tenham chances de realizar coisas até então desconhecidas, que estavam escondidas em algum canto da nossa mente. E no fim das contas, na arte e na vida a gente sempre precisa ir além, mesmo que para isso precisemos arrastar aquela cadeira alguns centímetros para o lado.

Um abraço,

Antonio Rossa

free FRIDAY

Posted in musica with tags , , , on 23/04/2010 by transitoriamente

A chuva não haverá de atrapalhar nenhum plano para uma boa sexta-feira, indica o otimismo empírico de minha rápida análise.

Nada de precipitação, a não ser a chuva que cai. Pelo contrário, tentei apenas pescar minha primeira impressão sobre os segundos que viriam.

Lágrimas e chuva podem indicar emoções necessárias, já que a dureza inflexível tende a se quebrar. Baixa velocidade, suspiro leve.

Aliás, quebrado, quem lhe montará?

Beber um chá, um vinho ou um café. Fazer algo ou simplesmente não fazer nada. Até um copo d´água com estilo fica bonito. Simplicidade faz muito bem, não é mesmo?

Uma fotografia da chuva caindo pode abrir novos caminhos. Um vinil no player ajuda o vinho a descer ainda mais macio, acredite.

Ok! Não acredite, mas invente ao menos.

Deixo aqui para vocês um clipe e um som super bacanas, para animar a alma e seguir adiante.

Abraços,  Antonio Rossa

Vodpod videos no longer available.

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Para não esquecer da nossa história

Posted in fotografia with tags on 19/04/2010 by transitoriamente

Nesse dia tão especial, o Dia do Índio, algumas reflexões insistem em aparecer. Da relação de nós brasileiros com nossa cultura ao abandono de nossa própria história.

Como apurar certas impunidades? Como resgatar partes da história que talvez já tenham sido dizimadas pelo tempo e pela ação dos homens e seu posterior esquecimento? Será que ainda resta tempo para reconstruirmos parte dessa nossa cultura-mãe?

Mesmo diante de tantas perguntas sem claras respostas, consola-nos celebrar o Dia do Índio com esses belíssimos retratos de um dos mais importantes fotógrafos mundiais, o brasileiro Sebastião Salgado.

A arte ainda é capaz de ajudar o mundo a se enxergar.

Um abraço, Antonio Rossa

Para germinar… Só o tempo

Posted in musica with tags , , , , , on 19/04/2010 by transitoriamente

Eu realmente acredito que a vida, a arte e a natureza não podem ser medidas com precisão quando se leva em conta apenas as tecnologias do momento. Talvez nem seja a precisão o mote disso tudo.

O pinheiro Araucária continua levando dezenas de anos para alcançar seu robusto porte, assim como inúmeras coisas de nossa vida, nosso próprio crescimento, que não acompanham necessariamente a velocidade de um e-mail ou de um processador.

Há coisas que necessitam de maturação, de descanso ou simplesmente do tempo.

Mesmo com a ciência e a internet os vinhos, por exemplo, continuam necessitando de anos e anos para alcançarem um precioso sabor. Tudo no seu tempo fica mais verdadeiro e mais saboroso.

Querer tudo agora pode ser um sintoma que releve não querer nada nunca.

A semente precisa germinar.

Acordei hoje com o precioso texto do compositor e amigo Rodrigo Daca em seu blog. Mais do que um texto, um presente. NUVEM vive, pois vive nas pessoas.

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NUVEM – ANTONIO ROSSA (2009). Texto por Rodrigo Daca.

 

Na música, quem grava por gosto e vontade, sem se prender à rótulos ou tendências, já merece meu respeito. Mais ainda quando não é uma pessoa que tem essa arte como a sua primeira. Rossa, é um talentoso fotógrafo e comunicador, seja através do seu site ou das suas fotos e clipes, além de um incansável incentivador de algumas bandas e compositores, e eu mesmo me incluo entre eles. Quem tem contato e amizade com esse lageano, sente que ele não pára. Isso aliado à uma bela antena que captura as composições no ar, quase que mediunicamente.

 

Seu álbum “Nuvem” de 2009, tem fortes influências do som regional da sua cidade natal e também do country norte-americano mas cantado em português, o que leva àqueles que tem preguiça de escrever ou referências limitadas, à compará-lo com Raul Seixas. Sei que vai muito além disso. Passa por Expresso, banda catarinense da década de 80, que fazia “rock rural” e John Frusciante.

Canções muito bem gravadas por Renato Pimentel em seu “lugar mágico”, o estúdio The Magic Place, com uma banda azeitada e competente e que faz parecer fácil tocar e gravar um disco. Gustavo “Gubas” Barreto nas guitarras e violões, André FM na bateria, Diego Carqueja nas teclas de piano, teclados e acordeon além do grande baixista Marco “Nego” Aurélio. Conta ainda com a voz sem precedentes da cantora Bruna Gargioni em “Quem De Nós” e Jiva Lin (as guitarras mais modernas são dele). Um álbum honesto por vir de onde deveriam vir todas as coisas que fazemos: do coração. Está longe de agradar à todos, mas Rossa não tenta e sabe que isso é irrelevante e desnecessário.

Num dos vários cafés e mates que tomamos nas tardes florianópolitanas onde discutimos os rumos da música catarinense, sempre deixei claro que tem que se fazer ao invés de reclamar.

Ser outsider e sentar na janela é possível, desde que se queira e tenha competência para tal. E tem lugar vago pra ti, meu caro.

Aquiles Priester lança novo DVD

Posted in musica with tags , , , , on 15/04/2010 by transitoriamente

Algumas pessoas torcem o nariz quando a alcunha de “melhor de todos os tempos”, “o melhor do mundo” são adicionados em resenhas e portfólios. Acho realmente plausível tomar cuidado com tais afirmações e não cair em “contos do vigário”.

Para quem conhece e já viu/ouviu Aquiles Priester (Hangar) tocar sabe que de fato o Brasil hoje tem um dos melhores bateristas do mundo, indiscutivelmente.

Com seu talento e técnica assustadores, Aquiles agora apresenta o seu segundo DVD (Vídeo-aula) intitulado “The Infallible Reason of my Freak Drumming”. O primeiro DVD foi “Live In Concert – Inside My Drums”, lançado em 2004.

Para você que é baterista ou pretende se iniciar nesse instrumento, nada mais apropriado do que começar tendo algumas aulas na sala da sua casa, no seu computador ou onde você estiver, com uma verdadeira fera das baquetas.

Aquiles ainda viaja o Brasil e o Mundo com seus workshops. Para saber mais acesse www.aquilespriester.com

No vídeo abaixo, produzido pela Old Jack Produções, você poderá conferir um pedaço desse material. Mais abaixo o videoclipe de “Dreaming of Black Waves” – do Hangar – produzido pela Transitoriamente, em 2009.

Segure-se!

Entrevista em Trânsito – Marcos Espíndola

Posted in Entrevista em Trânsito on 14/04/2010 by transitoriamente

O blog Transitoriamente está fazendo uma série de entrevistas com diversas pessoas do meio artístico, músicos, fotógrafos, cineastas, atores e jornalistas, com o nítido intuito de tentar elucidar e trazer à tona alguns pontos que muitas vezes não são discutidos nas mídias segmentadas. Arte vs. Política; Pontos de vista particulares vs. Opinião pública; Amizade vs. Negócios, Jornalismo vs. Publicidade.  Tudo em perspectiva.

O “Entrevista em Trânsito” estreou na semana passada com uma quente entrevista com a banda Lenzi Brothers, que ali foi representada pelo guitarrista Márzio Lenzi.

Márzio não poupou nada em suas respostas, sendo que recebi diversos comentários muito positivos à respeito do posicionamento do guitarrista.

O entrevistado dessa vez é um jornalista que vem trabalhando pela causa da música autoral catarinense há alguns anos e que, portanto, é voz ativa e relevante nas discussões musicais aqui no Estado.

Marcos Espíndola está a frente da coluna Contracapa do Diário Catarinense, há 1 ano apresenta (junto com Kléber Bola) o programa Paredão Contracapa – todos os sábados na Atlântida FM – e prepara para breve (dia 16 de abril) o blog ContraVersão, junto com o também jornalista Renê Muller, editor do caderno Variedades do DC.

Nessa entrevista abaixo Espíndola foi direto ao ponto e mostrou muita clareza em suas pontuações, sem esquivos ou indiretas.

Vale conferir.

Um abraço, Antonio Rossa

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1 – TM: O Paredão Contracapa nasceu com uma proposta quase experimental, no sentido de que vocês teriam apenas 3 meses para emplacar a idéia. A festa de 1 ano do programa coroa o sucesso dessa empreitada ou ainda é preciso conquistar mais espaço para se firmar?

Marquinhos: Que festa rapaz?! A gente ainda nem começou a comemorar ainda. A reunião com o Daza foi só a celebração factual da data, mas temos muito barulho por fazer. Afinal foi um ano de uma luta dramática, de convencimentos interno e externo. Internamente, digo dentro da empresa, não tivemos problema algum, pelo contrário, a causa foi abraçada fervorosamente dentro da rádio e da RBS, além dos demais veículos do grupo que sempre nos deram todo o suporte.

A questão ainda é quanto ao público, que requer uma atenção maior, que precisa se acostumar com a ideia e isso não acontece do dia para a noite (digo em um ano..ehehe). Mas acredito que vencemos uma etapa decisiva e agora partiremos para ações mais arrojadas, o que está decisivamente ligada a questão da consolidação do espaço junto aos ouvintes.

Por exemplo, o Paredão vai sair dos estúdios da Atlântida e ganhar as ruas. Entendemos que esta seja a melhor forma de se consolidar esta aproximação entre os ouvintes e as bandas. Mas tem muita coisa engatada para este ano sabático para o projeto. Uma delas é conseguir viabilizar a série de EPs que pretendemos lançar com bandas que passaram pelo programa. Seriam quatro EPs com cinco faixas de bandas distintas. Ainda no ano passado começamos os contatos com as bandas. Só depende agora do patrocínio mesmo.

2 – TM: Qual o critério para uma banda tocar no programa quando se observa que muito da qualidade de uma cena fica tantas vezes fora dos meios? A culpa é do segmento, das bandas ou dos jornalistas?

Marquinhos: Cara, a nossa premissa é basicamente a qualidade na gravação e na produção. Quanto aos gêneros tentamos aproveitar o máximo dentro do conceito da rádio, que é pop. Mas neste universo você vai do indie, ao kraut rock, ao electro, ao experimental, ao reggae, enfim.

Em Santa Catarina predomina o rock, principalmente nas demais regiões do Estado. Mas sempre procuramos também diluir outras propostas, como o instrumental, que transformou Florianópolis num dos pólos mais criativos do país. Não podemos ignorar estas movimentações, mas tratamos com um tipo de público que não está ambientado com esta proposta e precisa ser apresentado e não “bombardeado”.

Não vejo como culpa de ninguém Rossa, venho refletindo muito a respeito. Vivemos um momento de indefinição total, não sabemos para onde vamos, qual modelo a ser adotado. O público se segmenta, os artistas se segmentam e os meios também buscam e seguem o mesmo caminho, mas tudo na base do erro e acerto. Hoje muito mais nos erros…

3 – TM: Como você observa a quase inevitável possibilidade que  todo meio de comunicação tem de se tornar parcial e paternalista em algum momento, isto é, apadrinhando alguns e “excluindo” outros? É possível ficar isento numa cidade que muitos dizem ser ainda provinciana? A nossa crítica musical não estaria afogada em panos quentes?

Marquinhos: Primeiro, não sei se nossos artistas estão devidamente preparados para a crítica. Não faço crítica, divulgo trabalhos, bandas, na verdade é um trabalho jornalístico voltado para a cultura. Uma cobertura e não uma crítica.

Quanto ao “todo meio de comunicação tem de se tornar parcial e paternalista” fale por você. Eu julgo a afirmação temerária, pois não podemos colocar no balaio uma série de iniciativas independentes que estão ajudando a oxigenar a cobertura cultural. O Transitoriamente é paternalista e parcial? A Contracapa é paternalista e parcial?

Não vejo problema em ser parcial quando você se entusiasma e gosta de um determinado trabalho ou abraça uma causa que você julga que terá uma grande contribuição no espectro social. O Clube da Luta foi abraçado pela Contra, porque julga a iniciativa relevante e representativa dentro de um cenário, assim como uma série de outras ações e mobilizações que ocorrem neste Estado. Veja o caso de Joinville, Rio do Sul, Chapecó, as frente do cinema, do teatro, das artes visuais. E isso vem de um ambiente que é fruto deste momento: de espaços segmentados para estas coberturas, com foco na questão cultural e por isso sempre cobrirão melhor, estarão sempre a frente da mídia digamos “analógica”.

Se o Transitoriamente, o Mundo 47 ou o ContraVersão a partir de amanhã se enveredarem para a cobertura política do cenário catarinense ou do futebol vamos tomar na cabeça, não é não? Esse povo que está nas FMs, nas redações das tevês e jornais também precisam ser devidamente apresentados a estas novidades. Ali é a Clínica Geral, onde tudo deve ser diluído para um público que se informa na sua grande forma no “atacadão”.

Cabe a nós fazer o devido barulho para que se faça ouvir nas redações.

4 – TM: A cena musical catarinense se renova em boa velocidade?

Marquinhos: É um processo contínuo e percebo que está mais seguro hoje. Vencemos aquelas etapas em que os ciclos se davam por limbos criativos, uma pasmaceira, depressão. Agora não, surgem movimentos aqui e acolá, morrem no dia seguinte, mas a produção continua pipocando. Morre um Clube da Luta, mas suas bandas continuam – pelo menos aquelas que realmente têm cacife para seguir adiante. Então ele cumpriu o seu propósito, de revelar e não de levar todos nas costas.

Em Florianópolis há uma série de outras movimentações em curso, de bandas criando, de coletivos dialogando. Tem o projeto SCConectada que ainda vai dar muito caldo. Então você pega a BR e sobe para Joinville, que vive uma efervescência. Chapecó e o Oeste é um celeiro de bandas, assim como a Serra e o Vale do Itajaí, que a partir de Rio do Sul e Blumenau estão produzindo a mil. A questão é essa: há uma produção em processo contínuo e arrisco dizer que isso é um bom indicativo de que enfim estamos criando uma cena.

5 – TM: As obras no CIC parecem infindáveis e quase não existem espaços para as bandas tocarem com qualidade em Florianópolis e região. Não seria o momento certo para as bandas começarem a utilizar mais as ruas, já que dificilmente os governos irão dar a ajuda realmente necessária para o meio?

Marquinhos: Sobre utilizar as ruas, demorou! Faz quatro anos que eu vi o Andrey e a Baba e o Samambaia ocuparem as Escadarias do Rosário numa noitada incrível e depois daquilo não rolou mais nada naquele espaço. Está ali é só ocupar. Governo não ajuda, governo está ali para servir. Tem que bater no Ipuf, na prefeitura ou na FCC e cobrar espaço.

Temos que sair da passividade e parar de chorar isoladamente. Rossa, governante é servidor público e não nosso “patrão”!

6 – TM: Qual a proposta do novo blog ContraVersão? O que o público pode esperar da junção do Tra-lá-lá com o Blog do Marquinhos?

Uma derradeira tentativa de se cavar uma nova trincheira, que opere por conta própria, independente da cobertura diária dos seus respectivos espaços no DC. Música, literatura, cinema, quadrinhos e todas as formas possíveis e subversivas de arte estarão sob o foco deste caleidoscópio da cobertura pop. A junta psiquiátrica que nos acompanha agradece desde já a compreensão e o incentivo de todos – afinal, pensem bem, nós poderíamos estar roubando, né?

ContraVersão entra no ar no dia 16 de abril ofertando aos seus internautas, além das tradicionais resenhas e agenda cultural, vídeos produzido ao longo das ultimas semanas, como uma entrevista com a banda Cassim & Barbária e uma discussão sobre o bom momento que o cenário da música em Joinville atravessa. Estrearemos também o ControVerso, um podcast semanal sobre música, cinema e amenidades da cultura pop.