Para germinar… Só o tempo

Eu realmente acredito que a vida, a arte e a natureza não podem ser medidas com precisão quando se leva em conta apenas as tecnologias do momento. Talvez nem seja a precisão o mote disso tudo.

O pinheiro Araucária continua levando dezenas de anos para alcançar seu robusto porte, assim como inúmeras coisas de nossa vida, nosso próprio crescimento, que não acompanham necessariamente a velocidade de um e-mail ou de um processador.

Há coisas que necessitam de maturação, de descanso ou simplesmente do tempo.

Mesmo com a ciência e a internet os vinhos, por exemplo, continuam necessitando de anos e anos para alcançarem um precioso sabor. Tudo no seu tempo fica mais verdadeiro e mais saboroso.

Querer tudo agora pode ser um sintoma que releve não querer nada nunca.

A semente precisa germinar.

Acordei hoje com o precioso texto do compositor e amigo Rodrigo Daca em seu blog. Mais do que um texto, um presente. NUVEM vive, pois vive nas pessoas.

…………………..

NUVEM – ANTONIO ROSSA (2009). Texto por Rodrigo Daca.

 

Na música, quem grava por gosto e vontade, sem se prender à rótulos ou tendências, já merece meu respeito. Mais ainda quando não é uma pessoa que tem essa arte como a sua primeira. Rossa, é um talentoso fotógrafo e comunicador, seja através do seu site ou das suas fotos e clipes, além de um incansável incentivador de algumas bandas e compositores, e eu mesmo me incluo entre eles. Quem tem contato e amizade com esse lageano, sente que ele não pára. Isso aliado à uma bela antena que captura as composições no ar, quase que mediunicamente.

 

Seu álbum “Nuvem” de 2009, tem fortes influências do som regional da sua cidade natal e também do country norte-americano mas cantado em português, o que leva àqueles que tem preguiça de escrever ou referências limitadas, à compará-lo com Raul Seixas. Sei que vai muito além disso. Passa por Expresso, banda catarinense da década de 80, que fazia “rock rural” e John Frusciante.

Canções muito bem gravadas por Renato Pimentel em seu “lugar mágico”, o estúdio The Magic Place, com uma banda azeitada e competente e que faz parecer fácil tocar e gravar um disco. Gustavo “Gubas” Barreto nas guitarras e violões, André FM na bateria, Diego Carqueja nas teclas de piano, teclados e acordeon além do grande baixista Marco “Nego” Aurélio. Conta ainda com a voz sem precedentes da cantora Bruna Gargioni em “Quem De Nós” e Jiva Lin (as guitarras mais modernas são dele). Um álbum honesto por vir de onde deveriam vir todas as coisas que fazemos: do coração. Está longe de agradar à todos, mas Rossa não tenta e sabe que isso é irrelevante e desnecessário.

Num dos vários cafés e mates que tomamos nas tardes florianópolitanas onde discutimos os rumos da música catarinense, sempre deixei claro que tem que se fazer ao invés de reclamar.

Ser outsider e sentar na janela é possível, desde que se queira e tenha competência para tal. E tem lugar vago pra ti, meu caro.

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