Archive for May, 2010

Quantos caracteres para tentar explicar você?

Posted in literatura, Livre Comunicação, Novas tecnologias with tags , , , , , , on 31/05/2010 by transitoriamente

Quantos caracteres você precisaria para tentar explicar você mesmo a uma platéia?

Imagine que não há pré-release a seu respeito nem seu rosto ou suas ideias são conhecidas por aí. Quantos caracteres seriam necessários? E quando você os encontrasse em números, seriam eles suficientes?

Pergunto isso, pois dia desses cheguei a uma conclusão no mínimo estranha. Senti que eu, passados uns seis ou sete meses, talvez tivesse conseguido falar muito pouco ou quase nada através do Twitter.

Não que eu tivesse encontrado “mega-brechas” negativas na ferramenta – apesar de haver sempre uma tentativa humana de jogar para fora de si o foco da responsabilidade – pelo contrário, instigava-me sua utilização para diversos fins e verdadeiramente não havia nem sequer sinais de uma briga contra os 140 caracteres.

Em nenhum momento me prometeram comunicação plena nessa centena e pouco, era uma ponte, aliás, antes disso eu raramente pensava no número, por exemplo, de palavras necessárias para me explicar, salvo a paciência de meu interlocutor, que vez por outra me mostrava que era hora de calar a boca.

Fora isso as palavras sempre me pareceram imensas, de utilização quase infinita, como se houvesse uma fonte de água que jamais haveria de secar. O “falar bem” sempre me impressionou.

Aflige-me pensar na ideia de que um dia alguém lhe dará exatos 140 caracteres para você dizer algo, e só. Seria a paciência então algo em processo de extinção ou no fundo a sociedade esta ganhando teores tão óbvios e padronizados que um simples OK, mesmo fora de contexto, seja capaz de explicar algo com clareza?

Qual frase lhe explicaria? E ela lhe explicaria de fato?

Logo de cara pensei no livro e na sua quase manutenção ao longo dos séculos. Sim, penso que não se pode afirmar (não achei nenhuma pesquisa) que os livros modernos possuam menos páginas do que livros antigos, e mesmo que possuam, é algo quantitativamente irrelevante. Quero dizer, os livros geralmente ainda possuem em média mais do que 100-200 páginas, alguns próximos a 400-500 e em menor quantidade aqueles de 700-800.

De qualquer maneira, foi inevitável não pensar naquilo que existia antes do papel e da imprensa, isto é, as tabuletas de argila e de pedra. Quantos caracteres cabiam numa placa? E mesmo que coubessem a revelia, vamos e venhamos que não era lá muito simples escrever um livro a marretadas. Assim sendo, o Twitter já existiu, mas há alguns milhares de anos.

Dessa observação me veio a clara constatação de que estamos saindo da era da pedra lascada da nova comunicação.

Claro, ficamos décadas presos por telefones fixos e de difícil acesso. Passamos para telefones fixos residenciais e experimentamos a sensação de mobilidade e maior liberdade com o advento dos celulares.

Andamos para trás com a internet quando fomos obrigados a voltar para a frente dos computadores ligados à rede. Novamente estávamos nós lá enclausurados, sentados na posição angular que a coluna dos nossos ancestrais milenares se encontravam. Andávamos pelo mundo, mas soando a poltrona e não gastando a sola do sapato.

Atualmente temos a geração 3G, de celulares e smartphones, onde as pessoas podem voltar às ruas e se comunicar ao mesmo tempo, porém utilizando-se de caracteres quase limitados. Tudo bem que existem as redes wi-fi para computadores, mas ainda não é algo democraticamente viável e plenamente acessível.

Será a internet 3.0 a solução real desses impasses? Teremos assim realmente mais liberdade?

Enquanto isso andamos muitas vezes em círculos, mesmo que tenhamos a sensação de que estamos indo para frente.

Aliás, alguém aí sabe a direção do tempo?

Antonio Rossa

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“Invisivelmente” no Transitoriamente

Posted in musica on 28/05/2010 by transitoriamente

A banda catarinense Aerocirco está de casa nova (a banda agora mora em SP) e com um disco inédito prestes a ser lançado. O dia 20 de junho foi a data escolhida.

Como prévia do lançamento do seu quarto álbum de estúdio, intitulado Invisivelmente, a banda soltou na web um teaser com trechos de algumas novas canções e depoimentos dos integrantes.

A expectativa é que Invisivelmente seja o melhor álbum de carreira da banda, que apesar de bons discos já lançados parece ainda estar em busca de seu álbum fundamental.

O guitarrista Maurício Peixoto conversou comigo por email, e você confere logo abaixo:

TM: O que “Invisivelmente” trará de novidades para a sonoridade do Aerocirco?

Maurício Peixoto:  Esse é o disco mais pop da banda, e também o que traz um trabalho maior de dinâmicas nos arranjos. Isso não foi proposital, saiu naturalmente enquanto arranjávamos as músicas. Apesar de mais pop, também tem músicas bem fortes, como é o caso do single que já lançamos, Faz de Conta. Também inserimos outros instrumentos, como violoncelo e baixo acústico, usamos mais violões que nos disco anteriores. Arriscamos dizer também que é o disco com a melhor captação de áudio que já tivemos, eu relação aos timbres dos instrumentos.
TM: É um álbum conceitual?

MP – Não é um álbum conceitual. As músicas foram escritas num intervalo de 2 anos, então cada uma tem uma cara bem diferente uma da outra, o que nos agradou bastante. Apesar disso achamos que invisivelmente era uma expressão que traduzia bem o disco, a banda e a cena da música autoral em Floripa, que é meio que invisível ao resto do país, com raras excessões. E também achamos que é um nome muito sonoro.
TM: Teve alguma grande diferença no processo de composição e produção em relação aos discos anteriores?

MP – Nesse disco eu e Lange também aparecemos como compositores, apesar de o Della continuar sendo o principal compositor do grupo. Quanto à produção, foi a primeira vez em que a banda se reuniu em tempo integral por 2 meses no estúdio, diferente das outras vezes em que as coisas eram feitas de modo mais espaçado, o que contribuiu muito para atmosfera do disco.
Maiores informações:  www.aerocirco.com.br

Luciano Bilu prepara novo álbum

Posted in fotografia with tags , , , , , on 28/05/2010 by transitoriamente

A fera da guitarra Luciano Bilu escolheu a Transitoriamente para produzir as fotos do seu novo álbum intitulado “Zeus és Tu”, que já está em fase final de produção.

Acima você pode ver, com exclusividade, duas das fotos tiradas dessa sessão.

Um abraço, Antonio Rossa

Entrevista em Trânsito: Catarinense ganha prêmio internacional de design

Posted in Entrevista em Trânsito with tags , , , , , , , , on 24/05/2010 by transitoriamente

O catarinense Ricardo Seola saiu do Brasil há pouco menos de dois anos rumo à Itália, com o objetivo de se aprofundar no estudo do Design. Deixou uma empresa e uma banda para trás e se mandou para o velho mundo.

Passado algum tempo os resultados dessa empreitada já começam a aparecer. Há pouco Seola faturou um prêmio de grande importância para o design mundial, o “iF Awards”.

Criou um brinquedo chamado “Original Soundtrack” que mistura diversão e música para crianças, e fez a diferença.

Seola conversou com a Transitoriamente, por e-mail, diretamente da Terra do Design.

Antonio Rossa


1 – Qual o valor e o que significa para você ganhar um prêmio do porte do If Concept Awards?

Profissionalmente vale muito, o selo “iF Award” quer dizer que o projeto foi posto a prova e aprovado por um júri especializado e o mercado dá muito valor a esse prêmio. Para quem, como no meu caso, está entrando no mercado, é quase uma prova de maturidade, um facilitador enorme. Pessoalmente talvez valha mais ainda, dá confiança, principalmente por ter sido meu primeiro e único projeto de produto até hoje, sendo que até 2008 eu trabalhava com marketing.

Eu faço uma brincadeira dizendo que possivelmente não farei mais nenhum, assim termino com 100% de aproveitamento.

2 – O que você pretendia intimamente quando criou o brinquedo “Original Soundtrack”?

O briefing era bastante aberto, qualquer produto relacionado a crianças (0 a 10 anos). Queria que meu projeto fosse estimulante, que contribuísse de alguma forma para o desenvolvimento pessoal da criança. Envolver música foi natural, já que é minha grande paixão. Meu primeiro contato com música foi relativamente cedo, aos 7 anos, e sei o quanto é importante ter esse tipo de estímulo durante a infância. Daí a ideia de oferecer um “instrumento”, um primeiro contato com esse universo.

3- Há no design essa eterna briga entre forma e função, como o que geralmente ocorre entre arquitetos e engenheiros?
Isso é uma questão possível de se resolver ou é inerente ao trabalho do design conviver com essas dicotomias?

Encaro o design como comunicação, como contar uma história. A fantasia, indispensável pra contar uma história é a mesma fantasia indispensável pra deixar um objeto não apenas necessário, mas acima de tudo desejável.  Moschino, estilista italiano polêmico e revolucionário nos anos 80/90, disse o seguinte sobre isso:

A fantasia é aquela parte do projeto adicionada gratuitamente.
Diz-se que a fantasia chega no artista a noite, nas viagens,
no supermercado, nos movimentos mais impensáveis.
A fantasia chega quando termina o dever,
e então o projeto tem, a mais, um coração impresso!

Ninguém é fã dos produtos Braun dos anos 60 porque eles são exemplos de perfeito funcionamento. Dieter Rams, então projetista da marca, é um gênio, e apesar dele prezar pelo minimalismo suas criações são um sucesso porque são bonitas pra caramba! E é infinitamente mais complicado projetar o simples, as pessoas em geral reconhecem isso e dão valor.

Ao mesmo tempo, movimentos como o anti-design dos anos 60/70 e o Memphis nos anos 80 propuseram com grande sucesso objetos extravagantes, onde a forma quase nem deixava espaço pra função. E quem está certo? O mínimo ou o máximo? Pra mim está certo quem consegue chegar até as pessoas. Sou um pró-pop convicto e acho que precisamos do Le Corbusier assim como precisamos do Frank Gehry, e precisamos do Dieter Rams assim como precisamos do Philippe Starck.

4 – Geralmente imaginamos o produto do design como sendo algo material, físico. Onde está o design metafísico?

Acho que é mais ou menos como usar uma camiseta de banda. Ninguém usa porque é bonita ou porque a malha é boa, mas pra passar uma imagem de si mesmo que gostaria que os outros percebessem. Assim deve ser o design, a parede de casa, a estante da sala. Como eu disse antes, acho que o design deve contar histórias.

5 – Na sua opinião, qual a relação entre música e o design, e o que isso implica no seu dia-a-dia?

Em ambos a intuição é tão importante quanto a técnica. É um continuo exercício de sensibilidade, de tentar entender de que forma a mensagem vai chegar ao destino final.

Gene Simmons, do Kiss, certa vez disse o seguinte: Estou cansado de músicos dizendo ‘não me importa o que você quer ouvir, vou tocar o que eu quiser porque sou um artista’. Você é um artista? Então pinta minha casa, bitch!”. Lido com o design da mesma forma. Meus problemas eu resolvo como bem entender, mas pra resolver os problemas dos outros, precisamos, sem arrogância, entender o que os outros precisam. É um processo inclusivo, não exclusivo. O público não quer saber se quem está no palco sabe ler partitura, o público só quer cantar junto.

6 – Digamos que seja possível reconhecer os traços do design italiano, do inglês, do alemão e do japonês em seus automóveis, por exemplo. Qual seria o design Brasileiro?

Acho lamentável bater no peito com orgulho pela vocação multi-étnica, multi-cultural, multi-isso e multi-aquilo e na hora de se expressar usar sempre os clichês de nordeste e favela.

Isso fica claro na literatura, no cinema, e já começa, infelizmente, a ser uma característica do (embrionário) design Brasileiro. Um exemplo: digo sempre que no Brasil existem dois designers. Chamam-se Humberto e Fernando e, pra detonar o aproveitamento, eles são irmãos.

No último Salone del Mobile, em Milão, com certeza estiveram entre os protagonistas e há algum tempo começam a formar no resto do mundo uma ideia mais clara sobre o tal design Brasileiro.

Sou muito fã da linha de pensamento dos Campana, mas as suas criações reforçam minha bronca com os clichês quando recebem nomes como “Cabana”, “Brasilia”, “Favela”…O design italiano é reconhecido como o mais relevante do mundo, mas não se inspira na pizza, no panettone, na máfia. O “Made in Italy” não faz referimento ao país, mas a uma linha de raciocínio, uma filosofia projetual, coisa que não existe no Brasil. Penso que não vai existir enquanto o Design no Brasil for tratado de forma acadêmica e não como assunto de mercado. Até lá os nossos “mestres” promoverão nas universidades calorosas discussões sobre a correta utilização do termo “logomarca” ou “desenho industrial”.

Fotos:

01 e 02 – Original Soundtrack por Ricardo Seola

03 – SK 4 Phonosuper Record Player por Dieter Rams (Braun)

04 – Villa Savoye por Le Corbusier

05 – Juicy Salif por Phillipe Starck

06 – Favela por Irmãos Campana

Jackson Araújo abrirá o SCMC 2010

Posted in Moda with tags , , , , , on 22/05/2010 by transitoriamente

Já não é de hoje que a moda deixou de ser “uma roupa na vitrine” e passou a permear o comportamento das pessoas, seus gostos, gestos, arte e sua música.

O “estar na moda”  é uma questão que atualmente pode até soar como algo ultrapassado. As pessoas hoje parecem querer “ser a moda” e não apenas estar, haja visto a crescente tendência da customização, onde o cliente pode interferir no produto final, levando para casa algo muito mais próximo do exclusivo.

Com mais ferramentas à disposição  é de se esperar que cada vez mais as pessoas passem a interagir com aquilo que lhes é oferecido. A passividade de uma simples compra parece que ficará no passado, ou seja, os serviços precisarão ser oferecidos com mais amplitude de ofertas e oportunidades de interatividade.

A indústria da moda parece entender, tantas vezes na frente de outras indústrias, que na prática a complexidade humana se faz ainda mais presente, mais ampla e indecifrável. Realmente não vivemos um tempo de ideias fixas e isso se reflete no ato de consumo das pessoas.

No próximo dia 25 de maio, em Blumenau, acontecerá a abertura do Santa Catarina Moda Contemporânea (SCMC) com a palestra do comunicólogo e consultor de moda Jackson Araújo.

Jackson é um desses profissionais do novo século que transitam entre diversas áreas com desenvoltura e competência. Alguns chamam de profissionais multimídia, já eu prefiro usar o atual “profissionais transmídia”.

Fica o convite.

Um abraço, Antonio Rossa

A paixão pelo futebol

Posted in Curiosidades on 22/05/2010 by transitoriamente

Não tenho nenhuma relação com a marca norte-americana de artigos esportivos Nike, apesar de reconhecer a qualidade de seus produtos, ponto.

O que eu quero mostrar aqui é um vídeo intitulado NIKE WRITE THE FUTURE, mais uma daquelas sacadas geniais que a marca consegue muito bem mostrar em seus comerciais. Poesia visual e dinamismo estético.

Deu até vontade de bater uma bolinha.

Antonio Rossa

Jean Mafra lança Rosebud EP (e já não está tão só)

Posted in musica with tags , , on 21/05/2010 by transitoriamente

Ao lançar seu novo trabalho – Rosebud EP –  o cantor, compositor e contador de histórias Jean Mafra parece estar cada vez mais disposto a encarar as estranhezas e correr os riscos do seu particular caminho.

Não que a arte precise necessariamente de boas doses de risco para existir, da mesma maneira que um esporte radical não é mais esporte do que aqueles menos radicais. Mas uma dose há de haver, como uma pitada de sal que faz a língua salivar e um prato ganhar sentido.

Mafra é o tipo de “chef” que parece não se preocupar com a dose de sal, desde que o prato fique saboroso e você da mesa ao lado deseje dar uma lambiscada.

É notório, existe um público não conformado querendo discutir os fatos inexatos, disposto a apreciar aquilo que não necessariamente passa pelo crivo da novela das oito (nove?) da Globo ou por revistas semanais.

Por outro lado, não podemos esquecer que a vida é quase sempre implacável com quem corre riscos, sendo que os extremos das curvas analíticas acabam sendo sua morada. Quero dizer, mesmo que o risco lhe deixe fora do páreo por tantas e tantas vezes, ele também pode lhe levar às alturas.

É preciso coragem e Mafra mais uma vez conseguiu ser relevante em suas particularidades, passear por ritmos e velocidades diversos em apenas quatros canções, sem perder a pose, ou sua “superpose”.

Rosebud, que já havia sido lançada em “Jean Mafra Só”, volta em versão ainda mais leve, dando a entender que Mafra aceita a não fixação unitária da canção, a sua transitoriedade factual. Ligia Estriga (Ex-Maltines) divide os vocais com Mafra como na antiga versão.

Cor de ouro é “pista moderna” com letra esperta, quase parnasiana. Poderia facilmente se chamar “Rosedub”. O toque de Isaac Varzim (Superpose, Florian Bill), e isso eu falo aos quatro ventos, faz muita diferença na música eletrônica atual. Tem substância e particularidade. A canção ainda conta com a irreverência sonora do vocal de Paula Felitto (Superpose).

De Plástico é densa da letra à sonoridade. Mais cirurgia cardíaca, bem menos coração. Uma sagaz parceria com Clive Mund, da banda Dellamark. 

Você chegou (Cadê você?), parceria de Mafra com o produtor Felipe Melo, é de leveza ímpar e letra profunda. O cirurgião cardíaco aqui parece sucumbir à emoção do coração. Um contraste estético do frio em pleno litoral do sul do Brasil.

Mafra ajuda a confirmar aquilo que eu tanto prezo, a ideia de que a relevância não é necessariamente algo quantitativo. Rosebud EP faz seu papel e sinaliza.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

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LANÇAMENTO:  “Rosebud EP” terá seu lançamento oficial neste sábado, 22 de maio, durante a 2° edição da festa OPA!, que acontece na Célula Cultural (Bairro João Paulo), às 23h.

BAIXE ROSEBUD AQUI

Fotografia do post por Martha Dias