Jean Mafra lança Rosebud EP (e já não está tão só)

Ao lançar seu novo trabalho – Rosebud EP –  o cantor, compositor e contador de histórias Jean Mafra parece estar cada vez mais disposto a encarar as estranhezas e correr os riscos do seu particular caminho.

Não que a arte precise necessariamente de boas doses de risco para existir, da mesma maneira que um esporte radical não é mais esporte do que aqueles menos radicais. Mas uma dose há de haver, como uma pitada de sal que faz a língua salivar e um prato ganhar sentido.

Mafra é o tipo de “chef” que parece não se preocupar com a dose de sal, desde que o prato fique saboroso e você da mesa ao lado deseje dar uma lambiscada.

É notório, existe um público não conformado querendo discutir os fatos inexatos, disposto a apreciar aquilo que não necessariamente passa pelo crivo da novela das oito (nove?) da Globo ou por revistas semanais.

Por outro lado, não podemos esquecer que a vida é quase sempre implacável com quem corre riscos, sendo que os extremos das curvas analíticas acabam sendo sua morada. Quero dizer, mesmo que o risco lhe deixe fora do páreo por tantas e tantas vezes, ele também pode lhe levar às alturas.

É preciso coragem e Mafra mais uma vez conseguiu ser relevante em suas particularidades, passear por ritmos e velocidades diversos em apenas quatros canções, sem perder a pose, ou sua “superpose”.

Rosebud, que já havia sido lançada em “Jean Mafra Só”, volta em versão ainda mais leve, dando a entender que Mafra aceita a não fixação unitária da canção, a sua transitoriedade factual. Ligia Estriga (Ex-Maltines) divide os vocais com Mafra como na antiga versão.

Cor de ouro é “pista moderna” com letra esperta, quase parnasiana. Poderia facilmente se chamar “Rosedub”. O toque de Isaac Varzim (Superpose, Florian Bill), e isso eu falo aos quatro ventos, faz muita diferença na música eletrônica atual. Tem substância e particularidade. A canção ainda conta com a irreverência sonora do vocal de Paula Felitto (Superpose).

De Plástico é densa da letra à sonoridade. Mais cirurgia cardíaca, bem menos coração. Uma sagaz parceria com Clive Mund, da banda Dellamark. 

Você chegou (Cadê você?), parceria de Mafra com o produtor Felipe Melo, é de leveza ímpar e letra profunda. O cirurgião cardíaco aqui parece sucumbir à emoção do coração. Um contraste estético do frio em pleno litoral do sul do Brasil.

Mafra ajuda a confirmar aquilo que eu tanto prezo, a ideia de que a relevância não é necessariamente algo quantitativo. Rosebud EP faz seu papel e sinaliza.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

——–

LANÇAMENTO:  “Rosebud EP” terá seu lançamento oficial neste sábado, 22 de maio, durante a 2° edição da festa OPA!, que acontece na Célula Cultural (Bairro João Paulo), às 23h.

BAIXE ROSEBUD AQUI

Fotografia do post por Martha Dias

2 Responses to “Jean Mafra lança Rosebud EP (e já não está tão só)”

  1. Antonio, meu querido conterrâneo, creio que foste muito feliz ao descrever em minúscias o EP Rosebud. Falar sobre Jean Mafra “só” já é uma tarefa de extrema complexidade, e ainda acompanhado de outros seres se torna quase um exercício inviável.

    Sobre a minha parceria, penso que tu conseguiu captar um pouco, a estética do frio, está inteirinha lá…

    Um abraço!

    Felipe Melo

    • transitoriamente Says:

      Obrigado Felipe.
      Gostei muito do trabalho de vcs.
      Parabéns.
      Um abraço,
      Antonio Rossa

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: