Quantos caracteres para tentar explicar você?

Quantos caracteres você precisaria para tentar explicar você mesmo a uma platéia?

Imagine que não há pré-release a seu respeito nem seu rosto ou suas ideias são conhecidas por aí. Quantos caracteres seriam necessários? E quando você os encontrasse em números, seriam eles suficientes?

Pergunto isso, pois dia desses cheguei a uma conclusão no mínimo estranha. Senti que eu, passados uns seis ou sete meses, talvez tivesse conseguido falar muito pouco ou quase nada através do Twitter.

Não que eu tivesse encontrado “mega-brechas” negativas na ferramenta – apesar de haver sempre uma tentativa humana de jogar para fora de si o foco da responsabilidade – pelo contrário, instigava-me sua utilização para diversos fins e verdadeiramente não havia nem sequer sinais de uma briga contra os 140 caracteres.

Em nenhum momento me prometeram comunicação plena nessa centena e pouco, era uma ponte, aliás, antes disso eu raramente pensava no número, por exemplo, de palavras necessárias para me explicar, salvo a paciência de meu interlocutor, que vez por outra me mostrava que era hora de calar a boca.

Fora isso as palavras sempre me pareceram imensas, de utilização quase infinita, como se houvesse uma fonte de água que jamais haveria de secar. O “falar bem” sempre me impressionou.

Aflige-me pensar na ideia de que um dia alguém lhe dará exatos 140 caracteres para você dizer algo, e só. Seria a paciência então algo em processo de extinção ou no fundo a sociedade esta ganhando teores tão óbvios e padronizados que um simples OK, mesmo fora de contexto, seja capaz de explicar algo com clareza?

Qual frase lhe explicaria? E ela lhe explicaria de fato?

Logo de cara pensei no livro e na sua quase manutenção ao longo dos séculos. Sim, penso que não se pode afirmar (não achei nenhuma pesquisa) que os livros modernos possuam menos páginas do que livros antigos, e mesmo que possuam, é algo quantitativamente irrelevante. Quero dizer, os livros geralmente ainda possuem em média mais do que 100-200 páginas, alguns próximos a 400-500 e em menor quantidade aqueles de 700-800.

De qualquer maneira, foi inevitável não pensar naquilo que existia antes do papel e da imprensa, isto é, as tabuletas de argila e de pedra. Quantos caracteres cabiam numa placa? E mesmo que coubessem a revelia, vamos e venhamos que não era lá muito simples escrever um livro a marretadas. Assim sendo, o Twitter já existiu, mas há alguns milhares de anos.

Dessa observação me veio a clara constatação de que estamos saindo da era da pedra lascada da nova comunicação.

Claro, ficamos décadas presos por telefones fixos e de difícil acesso. Passamos para telefones fixos residenciais e experimentamos a sensação de mobilidade e maior liberdade com o advento dos celulares.

Andamos para trás com a internet quando fomos obrigados a voltar para a frente dos computadores ligados à rede. Novamente estávamos nós lá enclausurados, sentados na posição angular que a coluna dos nossos ancestrais milenares se encontravam. Andávamos pelo mundo, mas soando a poltrona e não gastando a sola do sapato.

Atualmente temos a geração 3G, de celulares e smartphones, onde as pessoas podem voltar às ruas e se comunicar ao mesmo tempo, porém utilizando-se de caracteres quase limitados. Tudo bem que existem as redes wi-fi para computadores, mas ainda não é algo democraticamente viável e plenamente acessível.

Será a internet 3.0 a solução real desses impasses? Teremos assim realmente mais liberdade?

Enquanto isso andamos muitas vezes em círculos, mesmo que tenhamos a sensação de que estamos indo para frente.

Aliás, alguém aí sabe a direção do tempo?

Antonio Rossa

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