Archive for June, 2010

Onde King é rei

Posted in musica with tags , , , , , , , , , on 25/06/2010 by transitoriamente

Passam décadas, modas e movimentos e a Black Music continua influenciando gerações com sua batida, seu groove e sua força.

Não é raro ver nos charts mais disputados do mundo quase que uma hegemonia das raízes musicais “black”, onde atualmente o R&B parece reinar.

Posso fazer uma pequena lista, sendo realmente simplista, de alguns representantes da black

music e lá estariam pelo menos James Brown, Michael Jackson, Tim Maia, Jorge Ben, Jamiroquai e Amy Winehouse.

Nessa lista você também notaria que nem só de rostos negros se faz este estilo, isto é, a sua condição global e multi-racial já é um fato consolidado e indiscutível.

Muitos nomes seriam necessários para deixar essa lista acima com a cara e o teor que ela merece, e sem dúvidas o nome do cantor brasileiro Gerson King Combo deveria estar lá.

Não será nenhuma surpresa caso você não tenha ouvido falar no nome de King Combo, mas posso lhe garantir que isso se deve em parte à nossa própria desatenção cultural e também ao nosso defeituoso processo de reconhecimento da nossa própria história.

King Combo  foi fundador do movimento “Black Rio” nos anos 70, que vinha de uma mistura quase explosiva do suingue americano com a batida brasileira, e que foi denominado Brazilian Soul.

A banda catarinense Sociedade Soul (assista ao clipe abaixo), que leva a black music em sua raiz, não deixou isso passar batido e convocou King Combo para mais uma jornada de grooves.

Como parte dos festejos de lançamento do primeiro CD da Sociedade Soul (veja a capa abaixo com exclusividade), a banda trará a Florianópolis (09 de julho) essa ilustre figura da nossa música, que para os apreciadores e conhecedores do gênero é tido como o “rei da música negra brasileira”.

Será uma brilhante oportunidade para você curtir parte da nossa história musical regada ao som de extrema qualidade deste quarteto catarinense, e que ainda está preparando outras surpresas para a festa.

Não deixe também de assistir acima ao trailer do documentário Gerson King Combo VivaBlackMusic, registro mais do que merecido e que de alguma forma ajudará a fechar parte de uma lacuna que o nosso país tem com muitas de suas figuras emblemáticas.

“Funk Brother Soul” para os espíritos atentos e dançantes!!!

Antonio Rossa

Canja Rave para gringo ouvir

Posted in musica with tags , , , , , , on 23/06/2010 by transitoriamente

Enquanto alguns reclamam da chuva, outros vendem guarda-chuvas.

Essa frase se aplica muito bem ao duo brasileiro Canja Rave, que nos últimos três meses fez nada mais nada menos do que 60 shows entre EUA e Canadá.

Além disso, a “Canja” gravou seu novo videoclipe em Buenos Aires (confira abaixo) e agora volta a Porto Alegre para uma pequena pausa antes de retornarem aos ares e estradas desse mundão.

Formado por Paula Nozzari (Bateria, Percussão e Voz) e Chris Kochenborger (Guitarra e Voz), o duo lançou há pouco seu novo e segundo disco –  Badango – gravado em Detroit pelo produtor Jim Diamond (sim, aquele dos primeiros discos do The White Stripes).

Na entrevista abaixo eles falam um pouco dessa experiência de ser uma banda independente que está rodando o mundo e conquistando seu público mesmo longe dos padrões “vitrine” do mainstream.

Coragem e determinação parecem não faltar a estes viajantes da música.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

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Transitoriamente –  Sessenta shows entre EUA e Canadá, clipe em Buenos Aires. Brasil agora só de férias?

Canja Rave – Sim, foi uma verdadeira maratona da Canja Rave, dessa vez onde a música foi vivida com uma intensidade que nos deixou muito felizes e viciados em estrada. Tocamos em diversas cidades que ainda não havíamos tocado, mapeando mais ainda a América do Norte. Fizemos 20 shows por mês e rodamos mais de 20.000 km em apenas três meses. Para isso tivemos que ter muita concentração, e isso com certeza nos fez amadurecer muito como banda.

Gravamos um clipe novo em Buenos Aires – “Vôo das seis” – com a direção do nosso grande amigo Fábio Nagel (ex-diretor do Video Show e Multishow).

Agora, além de merecidas férias, faremos a divulgação do nosso novo disco “Badango” e alguns shows já confirmados em São Paulo. Além disso, em função do prêmio que ganhamos no THE MUSIC THINK TANK, em Milão (Itália) em breve partiremos para outra tour, mas agora pela Europa.

TM – Como foi gravar com Jim Diamond nos EUA? Quais as particularidades do processo de gravação de Badango?

CR – O segundo disco é mais cru, mais direto e bem mais fiel ao que somos ao vivo.

Gravar com o lendário Jim Diamond além de ter sido um privilégio, pois fomos a primeira banda brasileira, foi com certeza desafiador! Ele é o tipo de produtor que não se identifica com as facilidades da tecnologia, não faz edições e nem utiliza recursos para afinar as vozes, por exemplo.

Gravamos tudo a moda antiga: ao vivo e em fita. Uma forte característica dele são os incríveis timbres, principalmente de bumbo e guitarra, e pra tal resultado usamos somente instrumentos anos 50, 60 e 70. Jim acredita que cada música deve ser gravada em apenas um take. Para ele, repetir a mesma  canção ou apenas um trecho dela inúmeras vezes com o intuito de corrigir pequenas imperfeições não faz o menor sentido, por isso, gravamos todo o disco em apenas cinco dias e a mixagem e masterização ele fez em apenas dois dias.
No primeiro disco, usamos apenas bateria, guitarra e vocais e no segundo, mesmo buscando uma sonoridade mais próxima possível do show, aproveitamos para usar alguns instrumentos bacanas que estavam disponíveis no estúdio do Jim: tímpano, teclado (um Farfisa anos 70), usamos megafones, pedais de guitarra vintage e novas formas de cantar. No primeiro disco cantamos o tempo todo juntos, no “Badango”, deixamos isso mais solto, às vezes juntos, às vezes não.

TM – Quais as diferenças mais marcantes – na visão de vocês – entre os mercados de música dos EUA e do Brasil?

Na nossa opinião há uma grande diferença, principalmente no mercado independente dos 2 países. No exterior, podemos tocar todos os dias e dessa maneira  atingimos diretamente o público de forma mais direta. No Brasil você precisa passar por todos os “filtros” da mídia. É preciso primeiro tocar nas rádios, TV´s, estar em todos os tipos de mídias para quem sabe um dia, você atingir o público. Lá, como tocávamos diariamente, fomos conquistando o público aos poucos, como em Detroit, por exemplo.

Outra coisa, durante o show, com seus iPhones, o pessoal já comprava nossas músicas no iTunes e depois da apresentação vendíamos muitos discos, tanto que a 1a tiragem do CD de “Badango” já se esgotou! Quando conseguiríamos isso deixando nossos discos parados nas lojas?

Lá fora o público é quem decide, e assim se constrói uma carreira gradativamente, dependendo da sua dedicação e do seu próprio trabalho.

TM –  Mais estrada e céu pela frente? Para onde os ventos levarão o Canja Rave agora?

CR – A Canja Rave também participou de uma coletânia, Motorcity Special #1, onde nós e mais quatro bandas de Detroit gravamos um show no JAZZ MUSIC HALL CAFÉ e que será lançado numa tiragem limitada para colecionadores em vinil. A pré-venda já está esgotada e provavelmente teremos alguns shows referentes a esse projeto.

Estamos indo tocar em São Paulo, lançaremos o segundo disco por lá e faremos alguns programas de divulgação. Em setembro embarcaremos para a Europa para mais uma tour, e dessa vez, sem data certa para voltarmos ao Brasil.

O céu e o inferno em cada esquina: Um breve texto reflexivo

Posted in Livre Comunicação with tags , , on 21/06/2010 by transitoriamente

Está na capa da revista: Deus está morto!

Está na capa do jornal: Assassinatos em nome de Deus!

Ateus dizem: Não há Deus.

Fíeis clamam: Deus está em mim.

Lá no fundo da minha alma. Espera aí. Como assim, alma?

Alma tem código? Aceita cartão? Compra-se almas ou compra-se a ideia da alma?

O homem criou e matou Deus a seu bel prazer, e até hoje tenta vender drágeas de fé, sensibilizantes, amortecedores dos próprios infinitos desequilíbrios.

Compreendo que um Deus morto pode ser também um paradigma “martelante” levado ao chão. Um Deus-material hoje pode ser equivalente a um i-Pod na vitrine do shopping da moda onde tantos andam com desejos afiados e a flor da pele.

Deus seria então apenas uma imaginação do homem? Mas o que é real de fato? Um Macbook Pro ou um Big-Mac? Conheço vários admiradores de Steve Jobs que o tratam quase que como um “santo”.

Seria o “endeusamento” uma medida de excassez frente a luta pela sobrevivência? Quem sabe apenas um argumento paliativo?

Porém, quando temos o que comer, um amor e um sofá, por qual motivo ainda nos deparamos com um vazio? Seria apenas uma condição mecânica como inspirar e expirar?

Nos limites do conhecimento humano criou-se e destituiu-se Deus, Freud explica, mas ainda continua a não explicar muitas das coisas. O homem e suas eternas complexidades, as novas e as antigas.

Wall Street tinha achado uma fórmula para o seu crescente sucesso. A sacanagem afinal foi de Deus, do Diabo, da matemática, do próprio homem ou do acaso e do desconhecido?

Uma curiosidade: quem não acredita em Deus por conseqüência não acredita no Diabo, ou chega a ter um aval?

Vejo tanta gente molestando moralmente outras pessoas, até mesmo gente com semblantes calmos e ações comedidas. Existe o palavrão-educado ou a ética-mentirosa? Sabemos que não.

Somos julgados, por vezes massacrados ou exaltados, pelo grau do nosso conhecimento e pelo grau de apego que temos com coisas visíveis e invisíveis. Sim, somos o que sabemos ser e parcialmente aquilo que mostramos ser.

Fulano é materialista!

Cicrano é místico!

Todo apego excessivo constitui matéria, sendo que o próprio preconceito é um agravante imaterial sobre coisas materiais. Caso contrário o ser-humano só poderia tecer opiniões após uma saraivada de análises e pesquisas, baseado em fundamentações teóricas apropriadas e certificadas. Não fazemos isso, aliás, você conhece alguém que faça?

Tudo bem, tem o Google, mas no Google a verdade não está certificada, pelo menos não ainda. E quando for, qual será a verdade que irá prevalecer?

Pois bem, caminhamos para um mundo “digital-verdade-não fuja”. Sim, aquele lance Matrix, íris ocular, via-satélite, etc. Será que chegaremos a um ponto onde o auto-conhecimento passará a ser chamado de auto-esquecimento, onde seremos obrigados a nos esquecer para conseguirmos ir adiante? Tudo estará no Google,a poucos cliques. Até aquela sua piada mal-sucedida estará lá, para todo mundo ver, rir ou chorar. Será então possível alguém ficar fora da área de cobertura?

O projeto do homem inevitavelmente passa por um projeto de Deus, do Éden perfeito, do corpo puro. O capeta pode ser simplesmente a não assepsia, pois a ideia de bem e mal parecem defasadas para tentar explicar a conduta do homem moderno.

Sua conta bancária pode falar um pouco sobre algumas coisas suas. Porém, sua conta bancária não é você, como seu carro não o é. Então somos seres que vivem embebidos num conjunto de místicas improváveis, refletidos por um materialismo que nos dá a sensação de que o pré-julgamento está avalizado por uma pseudo-corretora moral, com logomarca e “Since 1500”.

A ideia chegou a Lua antes do homem. Caso contrário o foguete poderia ter ido para outro lugar.

Você é o que você sabe. Aliás, você não tem medo daquilo que você pode ser caso descubra?

Se há código é porque tem senha, e se tem senha deve ser para entrar em algum lugar.

O céu e o inferno estão logo ali. Acredite.

Antonio Rossa

Morre o homem Saramago. Vive sua obra rumo ao futuro

Posted in literatura with tags , on 18/06/2010 by transitoriamente

José Saramago despertou orgulho em muitos brasileiros quando em 1998 venceu o Prêmio Nobel de Literatura.

Muitos sentiram-se agraciados, admitindo ainda mais o nosso respeito aos nossos irmãos de sangue portugueses. Aquela vitória também era nossa, pois acima de tudo tínhamos o primeiro autor de língua portuguesa a vencer um Nobel.

Antes de José Saramago, pelo menos para a minha geração, a impressão era de que todos os grandes autores mundiais pudessem ter sido uma invenção midiática, já que não havia nenhum deles vivo. Saramago estava ali em carne e osso.

Com sua literatura idiossincrática, sem parágrafos e pontuações habituais, Saramago emitiu opiniões capazes de fazer tremer a teia do pensamento ocidental dos últimos 30 anos. A profusão e a densidade de cada página de sua escrita não parecem estar ali a não ser para fazer o leitor arder no suor produzido ao tentar atravessar as suas centenas de páginas. O trabalho extenuante da reflexão.

E se a partir de agora ninguém mais morresse? E se de repente todos ficassem cegos? E se Jesus Cristo desse a versão dele ao evangelho?

Em tempos de luta científica pelo elixir da vida eterna e de cegueiras brancas pelo excesso de luz e luminosos, provavelmente a obra de Saramago ainda nos surpreenderá lá adiante na escala do tempo. Não creio que seja tudo para o agora, nem poderia.

Ateu declarado, recentemente teceu duras críticas ao Vaticano.  onde disse que “a bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”.

O autor português alcançou sucesso internacional tardio, aos quase 60 anos, caso levemos em conta o ideal juvenil de riqueza, fama e poder tão vigente em nossa sociedade. O mundo realmente ouviu falar de Saramago a partir de “Memorial do Convento”, de 1982.

Em 2008 lançou um blog (http://caderno.josesaramago.org/) e no mesmo ano o seu livro “Ensaio sobre a cegueira” foi adaptado ao cinema pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

Deixou Portugal e se estabeleceu na Espanha depois de desentendimentos políticos, como certa vez disse: “Eu saí de Portugal porque tinha um problema com um governo, não com Portugal, aliás, com aquele governo que já passou”.

Por mais polêmicas e fortes que sejam suas opiniões não se pode negar a sua enorme contribuição para o exercício da reflexão.

Você pode assistir (o segundo vídeo) o trailer do ainda inédito José & Pilar, documentário sobre a vida do escritor e sua mulher, a jornalista espanhola Pilar Del Rio. O doc, dirigido pelo português Miguel Gonçalves Mendes, foi produzido pela Jumpcut (Portugal) e co-produzido pela O2 Filmes (Brasil) em parceria com a El Deseo (Espanha).

Morre o homem Saramago. Vive sua obra rumo ao futuro.

Antonio Rossa

NY

Posted in fotografia with tags , , , , on 17/06/2010 by transitoriamente

 

A fotografia é uma espécie de espiã do passado no futuro. É o ontem do depois de amanhã.

Um bom registro fotográfico é tão sutil quanto a dificuldade de se obtê-lo.

Não adianta sair por aí disparando cliques compulsivamente, isto é, não necessariamente será o suficiente para se encontrar “a sua fotografia”.

Como fotógrafo, a busca pela “minha fotografia” somada ao simples prazer de registrar um tempo já me deixam pleno de motivação. Nenhuma certeza a não ser a busca e a contemplação.

A possibilidade da “sua foto” está aberta para todos aqueles que empunham uma máquina e desafiam as auto-imposições, pessoas que não possuem medo de suas próprias teimosias. É também um ótimo exercício de auto-conhecimento.  

Essas fotos do post de hoje estão neste link (clique aqui) e mostram uma Nova Iorque do início do século passado. Um deleite para os amantes da fotografia, da arquitetura e do tempo.

Então, deleite-se.

Um abraço, Antonio Rossa

Onde as máquinas têm mais flores

Posted in musica with tags , , , , on 16/06/2010 by transitoriamente

Na imensidão do mundo web muitas vezes boas novidades acabam passando batidas caso você não possua bons filtros para lhe trazer boas cestas de informações. Por outro lado é simplesmente impossível dar conta de toda essa avalanche de dados criada a todo instante mundo afora.  

Para fugir da “overdose de informação” é preciso fazer escolhas e então poder saborear certas coisas com a calma necessária. Coca-Cola e Guaraná ao mesmo tempo não me parece boa ideia.

Vez por outra alguém lhe manda algo que faz você decidir pelo clique. Talvez seja o nome do artista, uma foto, um “beijo me liga” do remetente, sei lá, eis que acontece o download.

Acho que cheguei um pouco atrasado, mas nem por isso deixei de curtir Florence + The Machine, isto é, quase uma Lady Gaga indie.  

Caso você não conheça eu recomendo um clique.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

“Invisivelmente” por Transitoriamente

Posted in musica with tags , , , , , on 14/06/2010 by transitoriamente

Quando uma banda chega ao quinto disco (quarto de estúdio) é preciso no mínimo ficar atento, pois não parece teimosia a palavra certa para um trabalho de anos. Caso o fosse, já seria admirável tal persistência num mundo onde ilusórias celebridades instantâneas levam legiões de jovens (e nem tão jovens) a imaginar uma carreira promissora do dia para noite.

Até certo ponto o mundo parece ter esquecido que árvores não nascem grandes, prontas, que existe uma semente que precisa ser plantada, e as pontes, bom, as pontes é para quem as consegue imaginar.

Dediquei algumas boas horas na audição de Invisivelmente, da banda catarinense Aerocirco, com uma atenção que eu particularmente julgo necessária caso se queira enxergar mais do que aquilo que brevemente se mostra. O disco será lançado oficialmente neste próximo dia 20 em www.aerocirco.com.br .

Os anos de estrada aliados a um competente grupo já seriam bons requisitos para sentar e ouvir um trabalho com a calma necessária.

Mesmo sendo um disco pop, Invisivelmente não entrega todas as cartas logo na primeira audição. Quem quiser mais terá que se dedicar, e isso para mim reflete trabalhos coesos que precisam ser vasculhados com uma boa dose de atenção. Cada canção é como uma pessoa, e para se conhecer uma pessoa você precisará agir de forma única, aberta e dedicada.

“Amanhã” e “Invisivelmente” são pérolas, uma nítida maturação da composição de Fábio Della, esta última uma espécie de delírio onírico, um sonho propulsor da potência humana de um Niestzche. Aliás, as letras de Della parecem mais claras, muito melhor resolvidas.

“Última Estação” parece trazer essa ideia de colagens estéticas, linha do tempo, como aqueles objetos que andam circularmente rumo a um cone nos livros de física moderna. É como se a vida passasse em sua frente e você ali parado vendo tudo em perspectiva.

“Ontem” é olho no espelho, aqueles momentos de auto-reflexão com marcas temporais  e uma saudade que só o esquecimento momentâneo e sua recriação futura podem produzir. Talvez seja uma ponte para as cartas de “O Rei”, que faz uma colagem com “A mão e o coração”, do disco Aerocirco, de 2003. Esperta conexão.

O baladão “O resto tanto faz” é o Aerocirco com os pés nos 70´s, mas com uma roupagem mais moderna, o que também vale para “Não me leve a mal”, um hit instantâneo e já lançado como single em 2009.

Em Invisivelmente o instrumental me saltou aos ouvidos, guitarras ora pulsantes, ora delicadas, linhas de baixo seguras e batidas espertas que vão do rock ao country com destreza.

Caso a música pop continue a se ver como um sanduíche de caixinha, o próximo e coerente passo seria então criar sanduíches musicais. Enquanto isso não acontece, tire um tempo do seu dia, faça uma lenta e deliciosa refeição e ainda dê 60 minutos a um álbum honesto e promissor.

Foi assim que eu vi Invisivelmente.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

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Banda: Aerocirco

Álbum: Invisivelmente / 12 faixas

Ano: 2010

Gravadora: Independente

Produzido por Fábio Della