O céu e o inferno em cada esquina: Um breve texto reflexivo

Está na capa da revista: Deus está morto!

Está na capa do jornal: Assassinatos em nome de Deus!

Ateus dizem: Não há Deus.

Fíeis clamam: Deus está em mim.

Lá no fundo da minha alma. Espera aí. Como assim, alma?

Alma tem código? Aceita cartão? Compra-se almas ou compra-se a ideia da alma?

O homem criou e matou Deus a seu bel prazer, e até hoje tenta vender drágeas de fé, sensibilizantes, amortecedores dos próprios infinitos desequilíbrios.

Compreendo que um Deus morto pode ser também um paradigma “martelante” levado ao chão. Um Deus-material hoje pode ser equivalente a um i-Pod na vitrine do shopping da moda onde tantos andam com desejos afiados e a flor da pele.

Deus seria então apenas uma imaginação do homem? Mas o que é real de fato? Um Macbook Pro ou um Big-Mac? Conheço vários admiradores de Steve Jobs que o tratam quase que como um “santo”.

Seria o “endeusamento” uma medida de excassez frente a luta pela sobrevivência? Quem sabe apenas um argumento paliativo?

Porém, quando temos o que comer, um amor e um sofá, por qual motivo ainda nos deparamos com um vazio? Seria apenas uma condição mecânica como inspirar e expirar?

Nos limites do conhecimento humano criou-se e destituiu-se Deus, Freud explica, mas ainda continua a não explicar muitas das coisas. O homem e suas eternas complexidades, as novas e as antigas.

Wall Street tinha achado uma fórmula para o seu crescente sucesso. A sacanagem afinal foi de Deus, do Diabo, da matemática, do próprio homem ou do acaso e do desconhecido?

Uma curiosidade: quem não acredita em Deus por conseqüência não acredita no Diabo, ou chega a ter um aval?

Vejo tanta gente molestando moralmente outras pessoas, até mesmo gente com semblantes calmos e ações comedidas. Existe o palavrão-educado ou a ética-mentirosa? Sabemos que não.

Somos julgados, por vezes massacrados ou exaltados, pelo grau do nosso conhecimento e pelo grau de apego que temos com coisas visíveis e invisíveis. Sim, somos o que sabemos ser e parcialmente aquilo que mostramos ser.

Fulano é materialista!

Cicrano é místico!

Todo apego excessivo constitui matéria, sendo que o próprio preconceito é um agravante imaterial sobre coisas materiais. Caso contrário o ser-humano só poderia tecer opiniões após uma saraivada de análises e pesquisas, baseado em fundamentações teóricas apropriadas e certificadas. Não fazemos isso, aliás, você conhece alguém que faça?

Tudo bem, tem o Google, mas no Google a verdade não está certificada, pelo menos não ainda. E quando for, qual será a verdade que irá prevalecer?

Pois bem, caminhamos para um mundo “digital-verdade-não fuja”. Sim, aquele lance Matrix, íris ocular, via-satélite, etc. Será que chegaremos a um ponto onde o auto-conhecimento passará a ser chamado de auto-esquecimento, onde seremos obrigados a nos esquecer para conseguirmos ir adiante? Tudo estará no Google,a poucos cliques. Até aquela sua piada mal-sucedida estará lá, para todo mundo ver, rir ou chorar. Será então possível alguém ficar fora da área de cobertura?

O projeto do homem inevitavelmente passa por um projeto de Deus, do Éden perfeito, do corpo puro. O capeta pode ser simplesmente a não assepsia, pois a ideia de bem e mal parecem defasadas para tentar explicar a conduta do homem moderno.

Sua conta bancária pode falar um pouco sobre algumas coisas suas. Porém, sua conta bancária não é você, como seu carro não o é. Então somos seres que vivem embebidos num conjunto de místicas improváveis, refletidos por um materialismo que nos dá a sensação de que o pré-julgamento está avalizado por uma pseudo-corretora moral, com logomarca e “Since 1500”.

A ideia chegou a Lua antes do homem. Caso contrário o foguete poderia ter ido para outro lugar.

Você é o que você sabe. Aliás, você não tem medo daquilo que você pode ser caso descubra?

Se há código é porque tem senha, e se tem senha deve ser para entrar em algum lugar.

O céu e o inferno estão logo ali. Acredite.

Antonio Rossa

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2 Responses to “O céu e o inferno em cada esquina: Um breve texto reflexivo”

  1. Antonio, meu amigo, muito boas estas tuas divagações!

    A uma das tuas perguntas, eu respondo. Não. Nem em deus, nem no diabo.

    Mas teu texto me provocou muitas reflexões sobre todas estas dúvidas, que sucitam outras, que desembocaram em tantas mais.

    Enfim, é provável que em breve eu faça um texto inspirado nesse teu. Não uma resposta a ele, mas também uma reflexão, provocada por ele.

    Forte abraço, saudades de ti!

    • transitoriamente Says:

      Caro Don,
      Só o fato de inspirar alguém através de nossas palavras e divagações já vale o tempo direcionado. Religião é um assunto delicado, sim, mas que cada vez precisa ser mais comentado e repensado. Caso contrário criarão um “Deus-Boneco” vendido a R$500 e poucos perceberão a farsa.
      Um grande abraço e obrigado pelo carinho,
      Rossa

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