Canja Rave para gringo ouvir

Enquanto alguns reclamam da chuva, outros vendem guarda-chuvas.

Essa frase se aplica muito bem ao duo brasileiro Canja Rave, que nos últimos três meses fez nada mais nada menos do que 60 shows entre EUA e Canadá.

Além disso, a “Canja” gravou seu novo videoclipe em Buenos Aires (confira abaixo) e agora volta a Porto Alegre para uma pequena pausa antes de retornarem aos ares e estradas desse mundão.

Formado por Paula Nozzari (Bateria, Percussão e Voz) e Chris Kochenborger (Guitarra e Voz), o duo lançou há pouco seu novo e segundo disco –  Badango – gravado em Detroit pelo produtor Jim Diamond (sim, aquele dos primeiros discos do The White Stripes).

Na entrevista abaixo eles falam um pouco dessa experiência de ser uma banda independente que está rodando o mundo e conquistando seu público mesmo longe dos padrões “vitrine” do mainstream.

Coragem e determinação parecem não faltar a estes viajantes da música.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

——

Transitoriamente –  Sessenta shows entre EUA e Canadá, clipe em Buenos Aires. Brasil agora só de férias?

Canja Rave – Sim, foi uma verdadeira maratona da Canja Rave, dessa vez onde a música foi vivida com uma intensidade que nos deixou muito felizes e viciados em estrada. Tocamos em diversas cidades que ainda não havíamos tocado, mapeando mais ainda a América do Norte. Fizemos 20 shows por mês e rodamos mais de 20.000 km em apenas três meses. Para isso tivemos que ter muita concentração, e isso com certeza nos fez amadurecer muito como banda.

Gravamos um clipe novo em Buenos Aires – “Vôo das seis” – com a direção do nosso grande amigo Fábio Nagel (ex-diretor do Video Show e Multishow).

Agora, além de merecidas férias, faremos a divulgação do nosso novo disco “Badango” e alguns shows já confirmados em São Paulo. Além disso, em função do prêmio que ganhamos no THE MUSIC THINK TANK, em Milão (Itália) em breve partiremos para outra tour, mas agora pela Europa.

TM – Como foi gravar com Jim Diamond nos EUA? Quais as particularidades do processo de gravação de Badango?

CR – O segundo disco é mais cru, mais direto e bem mais fiel ao que somos ao vivo.

Gravar com o lendário Jim Diamond além de ter sido um privilégio, pois fomos a primeira banda brasileira, foi com certeza desafiador! Ele é o tipo de produtor que não se identifica com as facilidades da tecnologia, não faz edições e nem utiliza recursos para afinar as vozes, por exemplo.

Gravamos tudo a moda antiga: ao vivo e em fita. Uma forte característica dele são os incríveis timbres, principalmente de bumbo e guitarra, e pra tal resultado usamos somente instrumentos anos 50, 60 e 70. Jim acredita que cada música deve ser gravada em apenas um take. Para ele, repetir a mesma  canção ou apenas um trecho dela inúmeras vezes com o intuito de corrigir pequenas imperfeições não faz o menor sentido, por isso, gravamos todo o disco em apenas cinco dias e a mixagem e masterização ele fez em apenas dois dias.
No primeiro disco, usamos apenas bateria, guitarra e vocais e no segundo, mesmo buscando uma sonoridade mais próxima possível do show, aproveitamos para usar alguns instrumentos bacanas que estavam disponíveis no estúdio do Jim: tímpano, teclado (um Farfisa anos 70), usamos megafones, pedais de guitarra vintage e novas formas de cantar. No primeiro disco cantamos o tempo todo juntos, no “Badango”, deixamos isso mais solto, às vezes juntos, às vezes não.

TM – Quais as diferenças mais marcantes – na visão de vocês – entre os mercados de música dos EUA e do Brasil?

Na nossa opinião há uma grande diferença, principalmente no mercado independente dos 2 países. No exterior, podemos tocar todos os dias e dessa maneira  atingimos diretamente o público de forma mais direta. No Brasil você precisa passar por todos os “filtros” da mídia. É preciso primeiro tocar nas rádios, TV´s, estar em todos os tipos de mídias para quem sabe um dia, você atingir o público. Lá, como tocávamos diariamente, fomos conquistando o público aos poucos, como em Detroit, por exemplo.

Outra coisa, durante o show, com seus iPhones, o pessoal já comprava nossas músicas no iTunes e depois da apresentação vendíamos muitos discos, tanto que a 1a tiragem do CD de “Badango” já se esgotou! Quando conseguiríamos isso deixando nossos discos parados nas lojas?

Lá fora o público é quem decide, e assim se constrói uma carreira gradativamente, dependendo da sua dedicação e do seu próprio trabalho.

TM –  Mais estrada e céu pela frente? Para onde os ventos levarão o Canja Rave agora?

CR – A Canja Rave também participou de uma coletânia, Motorcity Special #1, onde nós e mais quatro bandas de Detroit gravamos um show no JAZZ MUSIC HALL CAFÉ e que será lançado numa tiragem limitada para colecionadores em vinil. A pré-venda já está esgotada e provavelmente teremos alguns shows referentes a esse projeto.

Estamos indo tocar em São Paulo, lançaremos o segundo disco por lá e faremos alguns programas de divulgação. Em setembro embarcaremos para a Europa para mais uma tour, e dessa vez, sem data certa para voltarmos ao Brasil.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: