Cadê o meu dinheiro?

É quase que comum imaginar que o sistema vigente seja a ideia de normalidade a qual percebemos. Tendemos a ver o mundo diferente de nós e não pela ótica de que nós somos diferentes do mundo.

A relação que temos com o nosso sistema é quase que como o chão que pisamos e o céu que apenas vemos. Podemos questionar o céu, mas raramente questionamos o chão onde nossos pés estão.

Lá no fundo sabemos (e sofremos) as conseqüências do sistema, e raramente questionamos o cerne das questões. A superfície muitas vezes já nos é demasiado pesada e pensar em “sistema” pode ser tão abstrato quanto a ideia de Deus.

A indignação não deveria ser apenas uma prática dos indignados.

Ser livre é ainda um ideal, pois jamais tivemos um sistema realmente libertário, mesmo que muitas vitrines ainda insistam em vender “liberdade” para alguns que acham que podem comprá-la. Alguém até pode dizer que a sensação já seria uma realidade em si, e eu concordo em parte, mas a liberdade passaria ao largo de qualquer relação governamental com a iniciativa privada, e isso não é uma realidade.  Aliás, a corrupção parece ter seus pontos máximos  nessa relação.

De qualquer maneira uma questão ainda precisa ser resolvida:

Sendo nós realmente livres, o que faríamos com tal liberdade?

O mais recente  lançamento do cineasta Michael Moore –  Capitalismo: Uma história de amor / (2009) –  trata a última crise norte-americana (do Subprime) de uma maneira bastante precisa e cirúrgica, além da costumaz ousadia de Moore. Aliás, esse título foi com a intenção de passar pela “censura” ou apenas para vender àqueles que acreditam no contrário?

Por mais batido que possa parecer o embate discursivo entre capitalismo e socialismo, nunca é demais acrescentar novas informações ao cardápio da nossa realidade, e então ter a chance de ver as coisas com novas perspectivas e possibilidades.

A COBRA MORDE O PRÓPRIO RABO

É indignante ver até onde o homem pode chegar em prol de sua ganância, seu ego e sua vaidade.

Saber que existem empresas que torcem para que seus empregados cheguem à morte para então receberem o valor do seguro de vida que está em nome dessas empresas (e não das famílias) é no mínimo trágico e nojento.

Não me admiraria, mesmo que eu não quisesse acreditar, que no Brasil essa prática também exista.

Os EUA souberam como ninguém vender sua imagem para o resto do mundo nos últimos 70 anos, porém uma específica e maquiada imagem. O “Sonho Americano” levou milhares de pessoas a tentar a vida na América, verdadeiros movimentos migratórios modernos em busca de riqueza e realização material. Porém, o outro lado da história não chegava comumente aos jornais.

Viciados em petróleo  e gordura trans, e ainda amantes inveterados do consumismo, o ideal de felicidade de inúmeras famílias norte-americanas passa pelo posto de gasolina e termina numa loja de departamentos. A abstinência de consumo é um verdadeiro terror para os norte-americanos, que envoltos num constante processo de amedrontamento social realmente parecem viver dias terríveis.

Imagine então o somatório de medo, compulsão e ansiedade, tudo isso baseado em uma dieta de refrigerantes, hambúrgueres e sorvetes.

A “América para os Americanos” já não parece realidade, e os grandes salteadores parecem mais vorazes do que nunca. A boca da bazuca parece estar apontada para os miolos do povo tendo ao fundo as logomarcas de bancos como Goldman Sachs, Citybank e Morgan Stanley, e seus sorrisos sensuais em propagandas ultra-produzidas, chamando você para deixar seus suados dólares nas mãos deles.

Queiramos ou não, os EUA ainda são um termômetro econômico mundial e provavelmente ainda o serão por muito tempo. Os fatos advindos de lá são inevitavelmente sentidos em diversas regiões do mundo, isto é, é preciso entender melhor o que se passa na terra do Tio Sam, pois o vento lá pode gerar um furacão aqui – Da Bomba H à Lady Gaga.

MAIS GASOLINA NA FOGUEIRA

O socialismo, como política, foi praticamente eliminado da face terra e o capitalismo vive hoje mais um de seus duros momentos.

Comparada à realidade brasileira a extravagância consumista dos EUA quase sempre gerou um misto de desejo e raiva nos olhares sedentos daqueles do lado de cá da fronteira.

Se o capitalismo é lindo na possibilidade de se tornar rico por conta própria, é injusto na prática canibal, como um caminhão desgovernado ladeira abaixo. Dez bananas para trinta macacos e a confusão está feita.

Observar a asfixia do capitalismo não é uma novidade em se tratando de um sistema que por si só apresenta inúmeras brechas para seu auto-estrangulamento.

Se não bastasse toda a confusão gerada por Wall Street, lá no Golfo do México a British Petroleum continua de mãos e olhos atados, enquanto milhares de barris de petróleo vazam e inundam de sujeira nosso patrimônio ecológico.

A natureza será respeitada com doletas falsas?

Quem sabe uma nova ideia? Um novo tempo? Um capitalismo social? Uma riqueza mínima na mão de todos.

Antonio Rossa

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One Response to “Cadê o meu dinheiro?”

  1. Dinheiro!

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