Sim, Yer!

A maioria continua sendo a maioria, quero dizer, a “moda” acaba sempre levando grande parte das pessoas a levantar a bandeira sobre coisas as quais essas mesmas pessoas tenderão a não conseguir escrever uma linha sobre. Simplesmente vão, pois é mais fácil e tranqüilo ir.

Talvez more aí um sinal de esperteza: Por que lutar contra a corrente se é mais fácil ir a favor dela? E se todos fossem, o que restaria no lado de lá?

Mas eis que enquanto muitos vão outros poucos vêm, e como o mundo muda e a impermanência é sim uma das verdades absolutas, o que ontem era descaso hoje pode ser o fundamental.

O power-trio catarinense Yer é um desses grupos que não estão preocupados diretamente com as tendências, mas com o som que carregam dentro de si  e que podem realizar. Eles não inventaram a roda e o rock´n´roll também já foi moda, mas é possível entender através da própria música o grau de honestidade que há na arte desse trio.

Por mais que algo soe parecido com o passado, o tempo sempre se encarrega de fazer seus ajustes contemporâneos e naturais.

Em tempos onde tudo pode ficar com cara de “produto embalado e pronto para o consumo”, algo como “a perfeição moderna com obsolescência programada”, certos “desajustes” podem ser uma sacada.

Yer tem vigor e simplicidade, dois ingredientes importantíssimos para se fazer rock´n´roll.

Em seu disco de estréia “First of Many Others ” parecem ignorar certos artifícios e enfeites sonoros em prol da crueza sonora. Talvez isso já seja um passo a mais e é também por iniciativas como essas que o mundo continua a girar, mesmo contra a corrente.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

TM – Com tanta oferta hoje em dia fica complicado definir quais serão as tendências artísticas de amanhã, sendo que em um ou dois cliques uma pessoa pode ir dos anos 50 aos 00, sem muito esforço. Artisticamente, onde se encontra a Yer?

YER: Bom, é complicado, pois cada um tira suas próprias conclusões. O que podemos dizer é que nossas influências vão do blues até “late 60s e early 70s”. Agora, com o que nosso som se parece, vai de cada ouvido, vai do que cada um saboreia! (risos)

TM – Vocês possuem um estúdio próprio em Lages (Serra Catarinense), o que de certa forma deve facilitar o processo de composição e gravação. Como se deu a gravação do First of Many Others?

YER: Sim, ter estúdio próprio é muito bom pela liberdade e economia (depois de montado o estúdio – risos), mas nem tudo é mamão com açúcar, pois além de compor e tocar, existe toda a parte operacional do sistema, o que não é tarefa das mais agradáveis. Como nós mesmos produzimos, gravamos, mixamos e masterizamos o disco, foi difícil chegar a um consenso. Muitas vezes o que foi bom pra mim não foi pra você. Optamos por deixar a criatura tomar forma por si própria. Gravar o First of Many Others foi um grande aprendizado pra nós. Sempre buscamos deixar o som o mais orgânico possível, somos da opinião que quanto menos tiver que mexer no som, melhor. Nada de equalizadores e gravações comprimidas p soar bem em rádios pop.
TM – Mesmo com a internet chegando cada vez mais nos lares do mundo, ainda existem distâncias difíceis a serem superadas. Como vocês avaliam a cena catarinense de música?

YER: Cena, que cena? Brincadeiras a parte, ela é quase insignificante, mas parece que começa a dar passos mais largos. A imprensa independente, blogs e demais veículos “cult” dão espaço para bandas independentes. Hoje o problema não é ser conhecido pelo trabalho, mas sim ter centenas de amigos e, a partir disso, ter lucro (risos). Quando se ganha para pagar as despesas já se pode festejar. Ainda bem que não estamos nessa por grana. Para nós tanto faz como tanto fez, o que importa é o rock.

TM – A cultura em SC, mesmo com alguns editais, parece ainda estar esquecida por parte do poder público. Isso não seria um grande deslize contra a fundamental necessidade de auto-referência de uma sociedade? A própria sociedade não pagará um preço bastante alto pelo excesso de prédios e carros e pela escassez de mecanismos de democratização da cultura e da integração?

YER: O poder público nunca esqueceu da cultura, na verdade nunca se preocupou com isso. Não dá pra opinar muito sobre tal assunto, chega a ser uma utopia, uma desculpa pra achar igualdade onde não há. O mundo é cruel e cada um tem que fazer a sua parte sem se preocupar com os que não fazem. Na real a sociedade já paga um preço muito alto pela própria ignorância de aceitar as imposições ridículas que são chamadas de cultura brasileira.

Não leve isso como uma opinião pejorativa, tocamos rock em inglês não como forma de protesto ou o que seja, pois podemos fazer rock em português também, vai do momento. A sociedade esta cada vez mais sem opinião cultural. É conveniente para os grande formadores de opinião dominar a massa ignorante, isso já é um reflexo de sofrimento. Acho que não há possibilidade de democracia. (risos)

TM – Hendrix ou Page. Por quê?

YER: São dois caras diferentes. A fonte é a mesma mas o formato é outro. Page é o cara, mas Hendrix é de outro mundo! Eu, Fabiano, toco em 98% das músicas com Gibson Les Paul e os outros 2% com Fender Strato, mas não coloco dessa forma a comparação. Tocar Hendrix com Les Paul parece estranho, mas funciona. Acho que cada um era mestre de seu ofício, de seu próprio time. Temos influência dos dois, mas não tem comparação, até porque música não é como futebol que se tem o time do coraçã

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