Um “Impasse” pra não ficar parado

Que o transporte público em Florianópolis é ineficiente grande parte da população sabe. Acredito que até aquelas pessoas que não andam de ônibus deduzem esse fato.

Caso uma pessoa comumente ande com um automóvel, moto ou bicicleta, ao precisar do transporte público da capital de SC verá que essa verdade é ainda mais evidente. Ônibus lotados, muitos deles mal conservados, atrasos e tarifas com preços bem acima das condições ideais.

A qualidade de vida de um município passará inevitavelmente pelo crivo à respeito da maneira como as pessoas se locomovem nesse espaço, a nossa mobilidade.

O direito de ir e vir precisa de um equilíbrio entre lei e realidade, caso contrário alguns vão e não voltam, já outros nem ao menos poderão ir.

Já não é uma questão de ser a favor ou contra a algo, Florianópolis está prestes a parar, já que a quantidade de carros em trânsito aumenta despudoradamente a cada dia ao mesmo tempo que não há uma contrapartida estrutural à altura desse descontrolado crescimento, pelo menos não tão evidente.

Tudo bem, existe um elevado sendo feito à caminho do aeroporto, mas com quantos anos de atraso afinal? E com esse atraso quanto a cidade perdeu? Um elevado será suficiente enquanto carros e mais carros são incorporados ao trânsito da cidade?

Mais uma vez certas alas conservadoras terão que entender a ideia de que o Estado precisará intervir também na econômia do transporte, para que então possam ser criadas soluções integradas com um certo grau de subsídio governamental, queiramos ou não.

Por exemplo, caso o valor do Taxi fosse mais em conta, muitas pessoas poderiam inclusive abdicar de ter um automóvel, ou simplesmente deixá-lo guardado para certas ocasiões. Teríamos um automóvel circulante deixando dezenas e dezenas de outros automóveis parados. Os preços dos taxis aqui na capital não chegam a ser abusivos, mas poderiam ser melhores. A mesma lógica serve para os ônibus urbanos.

Não acredito numa solução como um passe de mágica, então para que resultados expressivos venham a ocorrer é emergencial a necessidade de se montar projetos ambiciosos nesse sentido, que estejam acima de governos pontuais e se encaixem num plano de estado a longo prazo.

Não sou engenheiro, nem tão pouco entendo de trânsito, mas o sinto, vivo-o. E a cada dia que passa sinto mais os revezes desse crescimento desordenado. Não que outras cidades não mereçam, porém a Ilha de SC necessita uma atenção especial nesse quesito.  As fronteiras aqui são o mar, há limites impostos, claros.

Concordo e apoio uma Florianópolis moderna, capaz não apenas de gerar grandes obras como também grandes ideias.

Transporte Hidroviário – Trem de Superfície – Ônibus – Taxis – Locação de Bicicletas Públicas? Que tal?

Sei que é fácil escrever essas linhas, porém me esconder da expressão seria um ato, no mínimo, covarde.

Acredito que não faltam projetos, mas sim diálogos.

O trailer acima, do ainda inédito “Impasse”, pontua uma questão que há anos vem sendo discutida em Florianópolis, mesmo que nem sempre tal discussão tenha a abertura necessária.

Dirigido pelos jornalistas Juliana Kroeger e Fernando Evangelista, o documentário de 80 minutos é um registro fundamental para que mais pessoas tenham a oportunidade de compreender essa questão tão importante para o bem-estar e o futuro da nossa cidade, e mais, com força para celebrar a discussão em outras praças.

A famosa frase “e você aí vai ficar parado?” nunca foi tão pertinente por essas bandas de cá.

Poderá ser inevitável, caso você não assista “Impasse”.

Antonio Rossa

One Response to “Um “Impasse” pra não ficar parado”

  1. João Says:

    infelizmente temos “gargalo” em todos os setores ,e não seria diferente com o transporte publico em fpolis.Uma possivel solução para o transporte em fpolis,seria a construção de um sistema de trens subterraneos ,ligando os extremos da ilha com os devidos terminais de integração ,”desafogando” o sistema rodoviario na superficie ,porem não acredito que isso venha à acontecer,devido as péssimas politicas publicas adotadas por parte dos governantes.Inevitavelmente florianóplis entrara em colapso provavelmente até 2015.

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