Archive for October, 2010

Transitoriamente com a alma na África

Posted in musica with tags , , , , , on 23/10/2010 by transitoriamente

Uma das coisas mais interessantes do universo audiovisual é a possibilidade de estarmos em diversos lugares com pessoas diferentes partilhando de uma ideia em comum.

Depois de três videoclipes seguidos de heavy-metal chegou a hora de mergulharmos em um ambiente mais sereno, para tratarmos de assuntos mais próximos ao coração.

A cantora africana Nicole Obele passou uma temporada em Florianópolis, e foi nessa passagem que surgiu a ideia do roteiro para o videoclipe de “Kal Mè”, uma belíssima e sofisticada balada jazz.

Enquanto a Seleção Brasileira de Futebol jogava um balde de água fria no sonho do hexa, nós nos refugiamos no Espaço Engenho (de Bárbara Mucciollo e Carol Zingler), no Canto da Lagoa, e colocamos o nosso coração dolorido à disposição da arte. A África então veio até nós.

Vale lembrar que algumas imagens foram gravadas no Taiko do Shopping Iguatemi, que gentilmente nos cedeu o espaço.

Mais uma vez tive a honra de trabalhar com grandes talentos como o músico (e ator no clipe) Marco “Nego” Aurélio, o editor Rodrigo Dutra, o diretor de fotografia Rafael Gue Martini, o fotógrafo Ale Carnieri, a produtora Marcela Machado e, pela primeira vez, com a atriz Simone Moraes, a diretora de arte Bárbara Mucciollo e o maquiador Bruno Grando.

Nicole viajou a Paris onde trabalhará na divulgação do clipe, além de sua terra natal Camarões.

O resultado desse trabalho vocês conferem agora.

Um abraço, Antonio Rossa

Gossweiler intangívelmente

Posted in musica with tags , , , , on 15/10/2010 by transitoriamente

O músico experimental Peter Gossweiler teve seis de seus vídeos catalogados e arquivados como “Elemento Cultural Intangível” pela Unesco.
Segundo o site Wikipedia esse termo refere-se exclusivamente à habilidade humana individual ou coletiva que é indispensável para produzir cultura para a humanidade.

No Japão essas pessoas ou grupos são chamados de “Tesouro Nacional Vivo” e recebem um apoio especial de 2 milhões de ienes por ano, algo em torno de R$40 mil reais.

Já no Brasil, segundo Peter, ganha-se apenas alguns tapinhas nas costas e quiçá algumas breves notas no jornal.

Sorte de quem percebe a arte no ar.

Antonio Rossa

Música para respirar-se

Posted in musica with tags , , , , on 13/10/2010 by transitoriamente

O baixista, cantor e compositor israelense Avishai Cohen já foi tema de um post aqui no Transitoriamente (veja aqui) e mais uma vez ele volta ao “post do dia” para que eu possa compartilhar um momento musical sublime com vocês.

Parece-me lógico pensar que diante de tantas possibilidades sonoras que a internet nos oferece o momento do “deleite sonoro” tende a ficar de certa forma mais raro, já que temos imensidões de músicas rivalizando com o nosso tempo, nossos meios e nossos pré-conceitos.

Vejo essa infinitude musical internética com olhos muito positivos. Temos a chance de vasculhar, refinar e extrair o melhor óleo daquela pétala, ou pelo menos o perfume que nos conforta.

Avishai parece sempre trazer esses novos aromas acima dos estilos, preciosidades rítmicas e melódicas que ajudam o mundo a criar novos mundos.

Como na teia da vida a música estará nos permeando como infinitos acidentes, refletindo sentimentos das mais variadas sortes.

A música estará nas esquinas, nas janelas vizinhas ou no pé que bate pra sacar um ritmo.

Respirar é ritmo, a vida é, caixas de fósforo são.

Aliás, de onde vem esse som que você agora ouve? O que você sente? É explicável?

Que bom que existem as boas músicas.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

“Meus pretos e brancos sentidos” #1

Posted in fotografia with tags , , , , , on 11/10/2010 by transitoriamente

 

Lennon e o coração do mundo

Posted in musica with tags , , , , , , on 09/10/2010 by transitoriamente

Pense nas injustiças do mundo e que a cada instante estampam os noticiários mundo afora.

Pense também que a maioria das injustiças não tem capa de revista nem âncora de jornal para fazê-las chegar ao nosso conhecimento. São simplesmente apagadas, jogadas numa sala escura de algum Tribunal ou resolvidas na bala ou na faca, onde geralmente os ingênuos pagam a conta.

A secura na garganta lhe faz quase perder a voz toda vez que um apresentador de telejornal denuncia alguma barbaridade vinda de qualquer lugar.

Você quer gritar, você até bate na mesa e ofende sua mãe. Você tenta jogar para fora toda aquela angústia e desilusão advindas da sensação de injustiça, mas esbarra na sua própria e comumente covardia, que tantas vezes você insiste em chamá-la de consciência.

Ali fora o mundo precisava ouvir exatamente aquilo que você disse a sua mãe, mas então você se cala, e se penteia, e arruma alguns papéis na pasta e caminha rumo ao escritório pelo mesmo caminho de sempre.

Sua simpatia forçada eleva-se quanto mais passos são dados e quanto mais próximo do seu destino você está. À contragosto, mas está.

Você engoliu a raiva, e essa raiva agora caminha por suas entranhas e aloja-se num canto qualquer do seu corpo e da sua mente. Cedo ou tarde uma resposta virá.

Você não quis levar isso adiante, pois no fundo você é tido como sensato, e assim pensa nas “forças ocultas” que lhe dizem, em sonho, pesadelo ou realidade, e que lhe fazem voltar atrás toda vez que a verdade lhe enche a boca e a contração de seus nervos eleva-se.

Lennon gritou o grito engasgado na garganta de uma geração. Foi o espírito de um tempo e continua ainda moderno e relevante mesmo 30 anos depois de sua morte. O músico estaria fazendo 70 anos hoje, 09 de outubro de 2010.

Na sua música ou em seus atos encarou o gigante invisível da imposição do poder, até mesmo como um iconoclasta de humor ácido na fatídica declaração sobre a importância dos Beatles diante de Jesus Cristo. 

Talvez Lennon percebesse de alguma forma a semelhança entre a histeria iconográfica pop e a religiosa, e sua condição pessoal de um “semi-cristo moderno”.

Isso não implica em um endeusamento gratuito, mas no simples fato de que alguém tem a possibilidade de falar e então diz o que precisa ser dito enquanto tantos se calam. E tantos se calam…Ano após ano.

Em The Ballad of John and Yoko Lennon canta: “Cristo, você sabe que não é fácil/ Você sabe o quão difícil pode ser/ Do jeito em que as coisas estão indo/ Eles vão me crucificar”)

Os plastificadores de alma viram um mito ascender como uma bomba atômica ao contrário, capaz de levar multidões às ruas e ter suas palavras propagadas em velocidade desafiadora até para os tempos de internet. A globalização da Beatlemania já era um fato e Lennon conduziu posteriormente sua carreira e sua vida em prol de questões mais sérias. Pai e ativista estavam nessa relação.

É possível falar de Lennon somente citando fatos pós-Beatles, mas afinal sem os Beatles onde estaria a voz de Lennon?

O interessante das carreiras solo dos FabFour é justamente a intersecção entre suas contribuições para os Beatles e seus conceitos particulares. Desmembrar essas peças é um tanto quanto saboroso e esclarecedor, e não é incomum encontrar pessoas que apreciam mais os discos solo do que os próprios discos dos Beatles.

Sigo com Lennon pós-69, quando a postura do “ex- Beatle Libriano Revoltado”  toma ares políticos escancarados, em parte por seu encontro “cármico” com a cantora e artista vanguardista japonesa Yoko Ono.


Aquilo que a música dos Beatles de alguma forma havia filtrado, ou quem sabe estimulado, agora apareceria em forma de protestos mais eloquentes, apesar de que tudo que Lennon fazia parecia ter sempre um ar de improviso-calculado, uma destreza artística verdadeira e sem excessos.

Quem havia dançado ao som do ingênuo Please Please Me, que hoje até poderia soar como um incensado produto juvenil-mainstream, não poderia imaginar anos depois um artista ligado a partidos de extrema esquerda dos EUA, fazendo atos simbólicos em nome da Paz ou devolvendo sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha Elizabeth como uma forma de protesto contra o apoio da Grã-Bretanha à guerra do Vietnã.

Lennon tinha o status e o dinheiro que a esmagadora maioria dos mortais provavelmente jamais terá, e poderia simplesmente ter sentado no sofá e ficado contando os louros de sua década de ouro. Não o fez.

Sua inquietude deu ao mundo um escape necessário para uma fresta de novas possibilidades, além de oito belos discos solo.

Fica difícil imaginar o que Lennon estaria fazendo caso estivesse vivo, mas algo eu realmente acredito, o mundo seria ainda mais criativo, crítico e lúcido. Ah! E com um humor mais ácido e menos simpático-botox-político-TV.

No fundo Lennon não morreu, nós sabemos. Apenas os homens morrem.

Antonio Rossa

MusiCatarina em clima de celebração

Posted in musica with tags , , on 08/10/2010 by transitoriamente

Por mais que o nosso gosto pessoal tenha lá suas particularidades, falar da música catarinense é abrir os ouvidos para uma grande sorte de estilos e formatos.

Do instrumental ao pop, do rock ao jazz, do samba ao hip-hop. Temos uma riqueza imensa que vem sendo lapidada e organizada dia após dia, ano após ano, com a força e a dedicação de pessoas e coletivos que reconhecem na arte uma forma de expressão, independência intelectual, autoconhecimento e sustentabilidade.

Apesar de já  existir há quase três anos, o MusiCatarina vem ganhando força nos últimos seis meses com a adesão de diversos “atores” da música catarinense em prol de uma ideia associativa, vislumbrando um foco de união de forças e talentos para a profissionalização da Cadeia Produtiva Musical.

Para celebrar esse momento especial o Musicatarina promoverá uma grande festa para dar a palhetada inicial nos trabalhos.

No palco a diversidade musical ficará mais explícita com os shows de Skrotes, Liss e Andrey e a Baba.

Nas pick-ups Falcatrue, Jean Mafra e Ulysses Dutra prometem balançar a pista até o amanhecer.

Junte-se a essa grande celebração!

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

Eleições 2010: A arte da sujeira ou a vassoura moral?

Posted in Brasil with tags , , , , , , , , on 04/10/2010 by transitoriamente

Tão importante quanto os resultados das eleições será a maneira como nós cidadãos exerceremos nossos deveres e nossas responsabilidades no dia-a-dia.

Votar não é, ou não deveria ser, um mero ato passivo. É a nossa escolha e a manifestação mais explícita dos interesses coletivos diante dos caminhos da Nação.

Reclamar é relativamente fácil quando se está sentado na sala de estar, porém precisamos de organização social para que nossas intenções e projetos ganhem força.

Não podemos nos furtar dessa gloriosa oportunidade de colocarmos as rédeas do Brasil em nossas próprias mãos. Isso exige esforço, determinação e uma vontade muito grande de ver o novo acontecer.

Temos um segundo turno pela frente e mais uma possibilidade de revermos as propostas de cada candidato com uma maior atenção.

Esperar milagres e respostas fáceis pode ser uma grande cilada. Pensar apenas nos próprios interesses é como se esconder da bomba debaixo de um cobertor.

A sociedade é “todos nós” e os governos não são donos do País, eles apenas representam a vontade do povo, as nossas.

Olhos atentos e mãos à obra!

Antonio Rossa

A ARTE DA SUJEIRA: Numa rápida volta por Florianópolis (No Domingo à tarde) pude observar diversos pontos abarrotados de “santinhos” pelo chão, como você pode ver nas fotos acima.