A Rede Social: Todos os filmes falam de amor

Todos os filmes falam de amor.

O longa A Rede Social (The Social Networking) estreiou há poucas semanas nos cinemas brasileiros e fala sobre a criação do Facebook e seu mentor, o nerd-todo-poderoso Mark Zuckerberg.

Calma, eu não irei contar o filme aqui como muitos críticos fazem.

Espera aí, você não tem Facebook?

Não, nem todos os filmes falam de amor.

Um rapaz que não possui amigos (talvez um, talvez mais) torna-se o mais popular empreendedor do ramo de mídias sociais.

Verdade, nem todos os filmes falam de amor, mas os bons falam de desejo.

O filme, dirigido por David Fincher (Clube da Luta), faz jus às críticas positivas que vem sendo submetido mundo afora. Deixarei de lado aquelas críticas que dizem que o roteiro não corresponde totalmente à verdade. Bom, eu realmente não esperava um documentário.

A sagacidade (e isso permeia o filme) do personagem de Zuckerberg está explícita na velocidade das falas, na edição e nos fragmentos temporais, além da excelente atuação do ator Jesse Eisenberg, como o próprio empresário. O cantor Justin Timberlake também merece aplausos por sua atuação como Sean Parker, o extravagante criador do Napster.

Uma direção equilibrada e precisa, para mim credenciais fundamentais do Gran Cinema de Fincher.

É fato, nem todos os filmes falam de amor, mas os bons falam de desejo e… Vaidade. Um certeiro caminho para a inveja.

Esqueça a matemática, os algoritmos complexos, a vida gira em torno do amor, da busca pelo prazer, das vaidades, dos desejos e, sim, da inveja.

Mesmo aquele gênio detentor de altas doses de conhecimento focará seu desejo no desejo do outro, e aí não tem jeito, pega-se inveja como se fosse um resfriado. Mas isso pode estar em qualquer filme, não?

Toda certeza é caótica, de certa forma excludente e autoritária. “A Rede Social” é um filme que explora ao invés de sexo, drogas e rock´n´roll, uma tríade de hedonismo, vaidades e alta inteligência, tudo isso regado a cervejas e muita programação.

No fim das contas “A Rede Social”  talvez desmistifique um pouco a ideia do herói, dando ao mundo uma versão menos fantasiosa do que seja  a inteligência, seus meios e seus fins, isso sem falar no juízo de valores, que ficará por sua conta.

Por si só isso não excluirá os louros da criação de uma ferramenta que mudou e vem mudando o mundo, além do belo filme criado, e das inevitáveis discrepâncias entre a vida virtual e a vida real.

Antonio Rossa

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: