Archive for January, 2011

Mais pesado que o ar

Posted in Curiosidades with tags , , , , , on 23/01/2011 by transitoriamente

 

Certa vez numa entrevista Oscar Niemeyer, quando perguntado sobre qual invenção o havia deixado mais impressionado ao longo dos seus (na época) quase 100 anos, respondeu que era o avião.

Essa “poesia material” que desafia a velocidade e o ar impressiona, pois de certa forma nos oferece uma ponte imaginária entre a terra e o reino-dos-céus.

Olhar um avião em pleno vôo é também olhar para a deformação do tempo.

Nesse interessantíssimo vídeo institucional da Boeing (acima) você poderá acompanhar parte do processo de construção desses gigantes dos ares. Um audiosivual bastante rico, que inclusive confirma as mais recentes ações de marketing da gigante norte-americana em relação à forma de comunicação com as pessoas e o mercado, onde o vídeo vem sendo utilizado como umas das peças-chave.

Bom vôo e um abraço,

Antonio Rossa

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Realidade social em 3D

Posted in audiovisual with tags , , , , , , , on 19/01/2011 by transitoriamente

Há uma quente discussão mundo afora sobre os destinos do audiovisual e do cinema, e da relação entre “filme”, animação e 3D.

É comum que o mercado crie “mitos da última semana”, celebridades tecnológicas alçadas ao topo como se fossem a salvação da lavoura. Aí então muita gente corre e compra as novidades da semana até que uma nova segunda-feira surge e novas novidades aparecem.

Sendo bastante simplista, acredito muito mais na convergência de mídias do que na consolidação de uma hegemonia tecnológica unitária. Quero dizer, usa-se película, vídeo digital, animação ou 3D quando possível e necessário. O olimpo dos deuses é ter a possibilidade de usar todas essas ferramentas num mesmo projeto, tendo-se consciência das razões para cada utilização ou não-utilização.

Apesar de diversas tendências estarem aí movendo o mundo, não consigo enxergar uma hegemonia hightech que suplante verdadeiramente o poder das ideias, da criatividade e, principalmente, da originalidade.

A ferramenta que você utilizará será um dos pontos do seu projeto, muito importante, sim, mas um detalhe dentro de uma ideia e um conceito maiores.

O vídeo Time Warp Project (acima) é o trabalho de conclusão de curso do recifense Uira Lamour, residente em Florianópolis.

Além do belo trabalho de composição e do tom altamente realístico do 3D em parceria com o vídeo digital, a ideia da relação entre “percepção, tecnologia e acaso” pareceu-me a cereja do bolo.

Bem feito, socialmente responsável e questionador.

Antonio Rossa

Poesia pra levar adiante

Posted in literatura with tags , , , on 14/01/2011 by transitoriamente

Acredito que a poesia está em mim como o mais simples e corriqueiro dos pensamentos, em boa parte das horas.

Gosto de poetizar as coisas, faz-me bem, sinto-me possível diante das palavras e dos fatos.

Em dezembro de 2005 Felipe Polese e eu lançamos “Eu Também” , um livro de poesia e prosa. Usamos a internet como ferramenta para troca de conteúdo entre nós, aliás, a internet é inclusive parte sensível do nosso texto, que em parte foi feito através do MSN e de e-mails.

Hoje pode até parecer batido, na época (foi escrito em 2003) não era bem assim.

Estou seguindo tranquilamente para o meu segundo livro, sem pressa, deixando as novas poesias fluirem sem compromisso com hora ou data.

Abaixo seguem duas delas, que eu faço questão de compartilhar com vocês.

As mais – por assim dizer – profundas eu deixarei para mergulhos futuros.

Um abraço, Antonio Rossa

“SOMENTE AOS AMIGOS”

Amigos

Meus amigos

Olhem para mim somente os amigos!

Eu estou falando para os amigos

Somente os amigos devem ouvir isso

Não! Eu já disse que estou falando para amigos

Abram espaço! Deixem os amigos passar

Calma, calma lá! Estou chamando meus amigos!

Cadê os amigos?

Onde foram?

Que multidão é essa?

Quem são vocês?

“NUM DIA NUBLADO”

Está nublado

Mas eu sei que é o sol

Eu apenas acredito

E ali está o sol

Num dia nublado

Amy Winehouse: Estilo ou Decadência?

Posted in musica with tags , , , , , , , on 11/01/2011 by transitoriamente

Quando coloquei os pés para fora do Stage Music Park, já na madrugada de Domingo (09.01), em Florianópolis, parei por alguns segundos a fim de tentar compreender o que tinha sido aquela noite.

Até onde o mero “ícone” e a força de sua imagem suplantam o objetivo do seu fazer, que no caso da cantora Amy Winehouse seria antes de tudo cantar competentemente? Sim, pois pose à parte, eu particularmente queria o âmago de seu gogó, ao contrário dos resmungos onipresentes que perduraram por um tempo acima da substância do estilo (ou do style como alguns dizem por aí).

Não me surpreende imaginar que muitas pessoas tenham gostado da apresentação de Winehouse aqui na capital catarinense, com toda a áurea de ser a primeira vez. O poder do ícone, da imagem e do ídolo realmente tendem a ofuscar aparentes deslizes e estranhezas ímpares. O deslumbre material ecoa até mesmo em profissionais de mídia que deveriam descer do olimpo das aparências e relatar realidades claras e evidentes.

Tenho a real convicção de que dentro de alguns anos sentiremos na carne os efeitos nocivos da onda do “politicamente correto” que assolou (e ainda assola) o ocidente nessas últimas décadas.

Andei lendo críticas severamente tortas, que apesar de serem opiniões pessoais, entristeceram-me pela superficialidade e apelo demasiado visual e onírico. Algo como: prefiro descrever minha projeção do que deveria ter sido a relatar o que realmente foi.

Imagine um amigo seu elogiando sua cagada. Seria este então um amigo?

Custo, mas tento compreender o coro da torcida que se preocupa mais com a postura da cantora do que com sua música propriamente dita.

A música estaria relegada a segundo plano no mundo atual em troca da “presença” de um artista no “terrreno da sua casa”?

Faz parte do meu show, meu amor! Espera aí, comigo não!

Winehouse cantou, de fato, em duas ou três canções. Ali sua poderosa voz e seu carisma apareceram. Nas demais um tom confuso deu as cartas, sendo que em algumas canções a artista parecia cantar fora do tom, o que por vezes fez a banda perder o compasso – profundamente diferente de uma banda circense em seu caos natural.

Seria tudo isso parte do show de Winehouse? Não gostaria de crer nisso, até mesmo pelo fato de seus descompassos terem beirado a “mornisse”, sem nenhum pé-na jaca clássico e com raros brilhantismos genuínos.

O show curto (menos de 1 hora) não teria sido um grande problema caso a apresentação tivesse sido convincente.

Crack nem pensar!

Ofuscados pelo “brilho dos ídolos” a dúvida acabará por não nos deixar respostas claras. Porém, caso alguém ouça com cuidado os cds da cantora e assista a dezenas de seus shows anteriores, poderá concluir que o declínio é o atual caminho dessa que um dia já foi considerada a maior voz do planeta.

Quiçá não, mas como pensar o contrário vendo tudo isso ao vivo e a cores?

Em relação aos shows de abertura, Mayer Halthorne fez um show competente, sendo prejudicado no máximo pelo fato da maioria de suas músicas serem desconhecidas do público. Já a cantora Janelle Monáe fez um showzasso e realmente levantou o público.

Foi uma noite muito legal, boa para ver certas verdades que certos jornais não dizem por aí.

Antonio Rossa