Amy Winehouse: Estilo ou Decadência?

Quando coloquei os pés para fora do Stage Music Park, já na madrugada de Domingo (09.01), em Florianópolis, parei por alguns segundos a fim de tentar compreender o que tinha sido aquela noite.

Até onde o mero “ícone” e a força de sua imagem suplantam o objetivo do seu fazer, que no caso da cantora Amy Winehouse seria antes de tudo cantar competentemente? Sim, pois pose à parte, eu particularmente queria o âmago de seu gogó, ao contrário dos resmungos onipresentes que perduraram por um tempo acima da substância do estilo (ou do style como alguns dizem por aí).

Não me surpreende imaginar que muitas pessoas tenham gostado da apresentação de Winehouse aqui na capital catarinense, com toda a áurea de ser a primeira vez. O poder do ícone, da imagem e do ídolo realmente tendem a ofuscar aparentes deslizes e estranhezas ímpares. O deslumbre material ecoa até mesmo em profissionais de mídia que deveriam descer do olimpo das aparências e relatar realidades claras e evidentes.

Tenho a real convicção de que dentro de alguns anos sentiremos na carne os efeitos nocivos da onda do “politicamente correto” que assolou (e ainda assola) o ocidente nessas últimas décadas.

Andei lendo críticas severamente tortas, que apesar de serem opiniões pessoais, entristeceram-me pela superficialidade e apelo demasiado visual e onírico. Algo como: prefiro descrever minha projeção do que deveria ter sido a relatar o que realmente foi.

Imagine um amigo seu elogiando sua cagada. Seria este então um amigo?

Custo, mas tento compreender o coro da torcida que se preocupa mais com a postura da cantora do que com sua música propriamente dita.

A música estaria relegada a segundo plano no mundo atual em troca da “presença” de um artista no “terrreno da sua casa”?

Faz parte do meu show, meu amor! Espera aí, comigo não!

Winehouse cantou, de fato, em duas ou três canções. Ali sua poderosa voz e seu carisma apareceram. Nas demais um tom confuso deu as cartas, sendo que em algumas canções a artista parecia cantar fora do tom, o que por vezes fez a banda perder o compasso – profundamente diferente de uma banda circense em seu caos natural.

Seria tudo isso parte do show de Winehouse? Não gostaria de crer nisso, até mesmo pelo fato de seus descompassos terem beirado a “mornisse”, sem nenhum pé-na jaca clássico e com raros brilhantismos genuínos.

O show curto (menos de 1 hora) não teria sido um grande problema caso a apresentação tivesse sido convincente.

Crack nem pensar!

Ofuscados pelo “brilho dos ídolos” a dúvida acabará por não nos deixar respostas claras. Porém, caso alguém ouça com cuidado os cds da cantora e assista a dezenas de seus shows anteriores, poderá concluir que o declínio é o atual caminho dessa que um dia já foi considerada a maior voz do planeta.

Quiçá não, mas como pensar o contrário vendo tudo isso ao vivo e a cores?

Em relação aos shows de abertura, Mayer Halthorne fez um show competente, sendo prejudicado no máximo pelo fato da maioria de suas músicas serem desconhecidas do público. Já a cantora Janelle Monáe fez um showzasso e realmente levantou o público.

Foi uma noite muito legal, boa para ver certas verdades que certos jornais não dizem por aí.

Antonio Rossa

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5 Responses to “Amy Winehouse: Estilo ou Decadência?”

  1. Tiago Says:

    Amy?!… será que alguém se lembrará dela como ícone daqui a alguns anos quando a moda vintage/retro passar?

  2. transitoriamente Says:

    Olha Tiago, a julgar pelo show dela em Florianópolis, não seria exagero dizer que “não”!

  3. Anna Says:

    Belo post! Foi a opinião mais coerente que li até agora.
    Li uma pessoa falando “Amy é Amy, ela pode tudo!” e acho um absurdo que as pessoas se submetam e aplaudam a falta de respeito e consideração.
    Amy é Amy mas isso não lhe permite tudo. Ontem no RJ parece que foi outra decepção.
    Amy, pra mim, foi uma grande decepção.

  4. transitoriamente Says:

    Olá Anna.
    Obrigado pelas palavras.
    Fiquei de certa forma assustado com a incoerência de muitos canais de comunicação ditos “sérios”, o que me faz mais uma vez questionar o nível de credibilidade desses canais.

    Acima de opiniões e gostos pessoais, ficou claro que o show de Winehouse foi de baixo nível.

    Um abraço e até mais,
    Rossa

  5. Aline Says:

    Essa gravadora foi esperta! Fizeram o oposto das outras que pegam uma bonita que não canta! Pegaram uma horrorosa que canta bem e lançaram em cima dela um estilo sixtie, mas esqueceram de avisar que era só pra “bancar o estilo” e não virar uma junkie! Tenho REALMENTE pena de quem idolatra um “ídolo” desse calibre, que não apresenta nenhum respeito ao público que paga (e não barato) pra ir assistir aos seus shows. Desrespeito total, profissionalismo zero! Mas há quem ache que uma criatura dessas pode tudo… prefiro meus ídolos de antigamente, drogadões sim, mas em cima do palco, NUNCA!

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