Archive for February, 2011

Radiohead fecunda!

Posted in musica with tags , on 18/02/2011 by transitoriamente

Para um blog, apesar da corrente pedir constância e velocidade, o melhor é ter belas e relevantes coisas a dizer/mostrar.

Novidades sempre há, mas mais do mesmo é sempre igual a piada mal contada. A piada é boa, você sabe, mas quem conta é que dá o sabor e o tempero necessários para uma genuína explosão de gargalhadas.

Nietzsche já dizia algo como “a arte que importa é a arte que fecunda”. De fato, é preciso engravidar a mente com novas sementes, cores e formas que fujam do ideário estéril e do establishment das certezas prontas.

“The King of Limbs” é o nome do novo trabalho que a banda inglesa Radiohead está lançando esta semana, mais precisamente hoje (sexta 18.02.11).

Num primeiro momento “TKOL” pode ser compreendido como um misto de OK Computer e KID A, uma comparação que até poderia aparentar uma cretinice caso não houvesse ali um fundo de verdade.

O maior desafio para um artista será sempre o de fugir do estilo imposto por si mesmo, aquele eterno espelho retrovisor, retalhos de memórias inventadas que pavimentam a ideia do presente-futuro.

A pergunta que me vem é: Sendo a mudança inevitável, a ideia do não-mudar já não seria uma inusitada mudança?

Permanecer “sendo-se” diante da impermanência deveria ser no mínimo tese de mestrado em uma boa universidade.

Radiohead continua Radiohead, da mesma forma que a chuva continua chuva. Às vezes garoa, outras vezes tempestade.

NE.: Caso você não seja tocado pelas neo-profundas Codex e Give Up The Ghost eu recomendo a procura emergencial de um terapeuta. Acredite.

Antonio Rossa

Obs.: Você pode comprar o álbum através do site www.thekingoflimbs.com ou baixar gratuitamente aqui

O pop e o erudito de mãos dadas

Posted in musica with tags , , , on 18/02/2011 by transitoriamente

A música continua sendo um campo de inúmeras e improváveis experiências.

O físico Albert Eisntein se autodenominava músico antes de cientista, e não é preciso ir muito longe para compreender a relação de seus estudos e feitos com a teoria musical. Cordas, vibrações, campos…

Acabei de ver um tweet do artista plástico e diretor de arte Leandro Chaves recomendando o vídeo de Stjepan Hauser e Luka Sulic, que ao som de dois cellos arrebentam numa versão de Smooth Criminal, de Michel Jackson.

O vídeo tem sido um sucesso na web nos últimos meses.

É verdadeiramente instigante ver os diversos lugares onde a música pode ser colocada, remanejada, misturada, revista e refeita.

Enquanto houver movimento, haverá música.

Antonio Rossa

Antes lixo, agora luxo

Posted in cinema with tags , on 07/02/2011 by transitoriamente

A herança do capitalismo pode ser melhor vista nas cidades e seus arranha-céus, nos olhos atônitos diante de um novo lançamento, nos produtos revolucionários e quase mágicos, nas tendências e na fotografia mental do homem pisando o solo lunar.

Do outro lado da moeda o descarte colocou-se como a pós-lógica do sistema. Usa-se e descarta-se. Simples assim.

O que seria do capitalismo atual se cada pessoa remendasse um produto até seu fim inevitável? Sapatarias e alfaiatarias hoje parecem museus, já que o sistema favorece o descarte ante o recondicionamento.

O funil da sobrevivência estreita-se cada vez mais, é preciso sobreviver diante da avalanche que premia o acúmulo e os comportamentos predatórios.

Deus, em tese, foi quase sucumbido ao poder das parcelas infinitas. O desejo e sua consequente frustração passou a ser a real lógica.

Eis que no lixo esquecido, e que apodrece a céu aberto, um clarão de arte resplandece feito sol em fungos.

O premiado artista-plástico brasileiro Vik Muniz é um dos protagonistas de Lixo Extraordinário, documentário dirigido por Lucy Walker e que tem num dos maiores aterros sanitários do mundo, 0 Jardim Gramacho (Rio de Janeiro), seu centro.

Apenas assistindo ao trailer (acima) já é possível imaginar a que se destina tal documentário, além da capacidade de discussão humana e ambiental que este material poderá gerar.

Um filme já merece ser premiado quando, mesmo sem ainda você o ter assistido, já é possível imaginar enredos e a inexistência de um fim.

Quando dizem que o futuro está sendo jogado no lixo, isso não me parece mera bobagem.

Antonio Rossa

The White Stripes chega ao fim!

Posted in musica with tags , , , , , , , on 03/02/2011 by transitoriamente

Nós nunca sabemos exatamente quando as coisas começam, mas é fundamental perceber quando elas acabam.

Perceber que o melhor passou é um tremendo exercício de desapego, por vezes confuso e dolorido, mas necessário e possivelmente esclarecedor.

O incrível duo The White Stripes anunciou ontem (02.fev) o seu fim (leia aqui a declaração da banda).

Formado em 1997 (Detroit/USA) por Meg e Jack White, o duo gravou 6 importantes discos, trabalhou a palavra “conceito” como poucos e ainda deu ao mundo o talento ímpar de Jack.

Deixou um belo material que certamente ecoará pelos ouvidos e olhos dos apreciadores da boa arte.

O fim é também um começo.

Antonio Rossa