Archive for March, 2011

Sopa de música

Posted in musica with tags , , on 26/03/2011 by transitoriamente

Mesmo depois de todo o alarde em cima dos patéticos iPads (sim, eu acho uma “invenção quase desnecessária”) o Vale do Silício ainda é o oasis da inovação tecnológica mundial.

Obs.: É pecado falar mal de objetos? Ou é pecado não saber falar mal de objetos?

Estamos naquela fase da história onde as máquinas e os softwares têm sido, em termos, mais importantes do que o conteúdo que os alimenta.

É notório que estamos sobre um período onde as porteiras parecem abertas, isto é, Google´s e Facebook´s da vida estão angariando gente, números, dando-nos em troca serviços grátis e uma possibilidade de exposição que incentiva a canalização de nossos ímpetos narcísicos e ególatras, somadas às preciosas informações que nós lhes fornecemos, também de graça, claro.

Digamos que Viena, a capital da Áustria, foi uma espécie de “Vale do Silício” dos Séculos XV ao XIX, porém com maiores dotes relacionados à música, a arte, a arquitetura e as ciências humanas.

É de lá que surgiu esse inusitado e contemporâneo “grupo musical à base de vegetais”.

The Vegetable Orchestra (site do grupo) foi fundada em 1998 e se utiliza de instrumentos feitos a base de vegetais. Aqui no Brasil eu conheço, por exemplo, o grupo mineiro Uakti, que faz seus instrumentos a base de canos e tubos de PVC. Inclusive eu já tive a honra de entrevistá-los (Assista abaixo).

Não parece haver fronteiras para o “fazer musical”.

Bom apetite.

Antonio Rossa

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Mapuche respira

Posted in musica with tags , , on 23/03/2011 by transitoriamente

O blog Transitoriamente vem ao longo desses últimos quatro anos sendo uma espécie de “balança” em desfavor da opinião superficial e fácil, comum na maioria dos meios. Sim, ainda há bons equilibristas nos meios de massa, mas eles são a imensa minoria.

Não espero aqui ser dono da verdade, pois algo me leva a crer que a verdade não possui donos, apesar dos carimbos e contratos das escalas do poder.

Cada vez mais guardo este espaço para mostrar trabalhos e fatos que de alguma forma surpreendem, desafiam o comum, propõem o novo.

Queres uma agenda? Queres uma tragédia narrada? Quem sabe sub-celebridades em poses provocantes?  Não, não encontrarás neste espaço.

MAPUCHE

Conheci o trabalho de Isaac Varzim através do duo Superpose, que ele formou com sua esposa Paula Felitto em meados de 2008.

No meio de tantos “pastiches eletrônicos ou do gênero”, o Superpose de alguma forma ganhou a minha apreciação, através de sonoridades particulares, aspectos “canção” e uma simplicidade de quem sabe balancear o ímpeto de apertar botões em demasia.

Interessa-me sobretudo a música em si. A maneira que ela é feita já faz parte de outro espectro.

Hoje fala-se muito em celebridades, fama instântanea, mas o que eu acredito mesmo é na linha, na trajetória, na história. Atento-me muito mais ao caminho seguido do que propriamente a um trabalho pontual. Gosto de comparar, analisar as mudanças e aquilo que aparentemente não mudou. Anima-me descobrir onde está a pessoalidade do artista, aquela que pode transitar entre os trabalhos, entre as canções, entre os temas.

Superpose me levou a Mapuche.

Vocês já notaram o quão comum é, nas análises e críticas, separar o que se “gosta” e o que “não”, quase que numa escala 50/50?

Parece uma obrigação enumerar o que se gosta e o que não, para então se ter uma crítica “equilibrada”.

Aqui eu pretendo me ater àquilo que me agradou. Nada é tão original que não contenha muito do que já há. Nada é tão igual que não contenha algo que nada parece.

“Sanctity”, o disco,  soou-me novo, transitivo e sensível. Se em Superpose tinhamos uma refeição mais “rápida”, em Mapuche a mesa parece estar mais bem elaborada, com atenção às louças, aos copos e aos talheres.

Tem gente que prefere a velocidade do balcão, outras sentem-se melhor sentando-se a mesa, esperando o primeiro, o segundo, o terceiro prato.

O disco traz uma ótima safra de “canções eletro-texturizadas”, com sonoridades tão musicais quanto visuais. Eu diria respiratórias.

Em pleno 2011, o que seria uma tendência? Existindo a tendência, quanto tempo ela há de durar?

Mapuche deu sua contribuição para a anti-tendência. Não no sentido de contra, mas no de expansão diante do efêmero-presente.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

BAIXE O DISCO AQUI