A semente da destruição

A gente fala sobre os direitos autorais referente à música, a literatura, as imagens, enquanto outros sobre os diretos que mega-corporações possuem de criar sementes estéreis que impossibilitam a sua futura reutilização.

Em resumo, alguém impõe sobre a vida de uma semente um não-direito à sua continuidade. Um plantio e basta! Compre outras ou não plante.

Então você pode pensar: Trata-se de um grão, um simples grão, um quase-nada grão, um grão de milho boiando no vaso-sanitário. Como se não existisse um universo inteiro dentro de um grão de milho, incluindo eu e você.

A analogia acima seria mero exercício retórico se não houvesse dentro de um grão de milho milhares de famintos que dariam seu tudo em troca de um grão que germinasse.

O problema não seria tão grave caso esse processo não colocasse em risco a soberania alimentar de um País. Num primeiro momento parece algo inofensivo, mas em anos ou décadas dessa prática podemos simplesmente eliminar a natureza real de um simples grão e a capacidade de um povo de levar sua produção alimentar adiante, de forma independente. Ficaremos presos à uma indústria e impossibilitados de plantarmos um pé de milho sequer no quintal da nossa casa. Trata-se de um assunto extremamente sério.

Então eu não farei aqui uma crítica contraria a sementes geneticamente alteradas, nem a favor, mas sim irei propor um possível estudo, que nesse caso seria criar a “esterilidade da miséria humana”.

Não é possível que não haja dentro de nós sementes dispostas a tal experiência, levando-se em conta que nesses procedimentos não haveria seringas nem bisturis, já que o processo seria o inverso, uma anti-anestesia, que poderíamos simplesmente chamá-la de Consciência.

Então alguém lembra do grão, do milho, e dos próprios grãos. Já fomos muito menores do que um grão de milho, e nossa natureza sem a mão do homem nos transformou nesse milharão de gente.

Gente que continua a recriar, a ser fruto e semente.

Até quando?

Antonio Rossa

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