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Espassia em dois teasers

Posted in musica with tags , , , , , , , , , on 11/09/2012 by transitoriamente

Demorei mais de uma década para colocar algumas de minhas composições em um disco. Acho que desde que eu peguei pela primeira vez um violão nas mãos havia um plano que ficava martelando meus sonhos. Eu precisava registrar algumas dessas canções.

Em 2009 lancei NUVEM, um EP com cinco canções. Durante o processo de gravação, apesar de não ser uma verdade evidente, algo me dizia que eu faria esse trabalho e o sonho estaria realizado e ponto final. Não foi assim. Meses depois voltei ao estúdio The Magic Place para gravar o single “As Ruas”, em parte para matar aquela larica danada, em parte para simplesmente manter a coisa viva e pulsante.

Alguns meses se passaram e as novas canções foram surgindo. Elas sempre nascem sem pretensões ou sentidos, eu apenas preciso jogá-las para fora e faço isso com um tom quase religioso. Quem sabe isso seja o meu esporte preferido, talvez a única dança que eu realmente posso dizer que sei dançar de alguma forma.

Muitas vezes acho que estou compondo para ninguém, porém esse “ninguém” vai ganhando rostos e alguns sorrisos sinceros, e em outros momentos acabo encontrando algumas pessoas cantando as canções de cabo a rabo (e até mesmo o disco), e isso cria uma certa motivação extra que me faz sair do casulo da minha auto-satisfação.

Tudo bem, inicialmente não tenho muita saída, a canção precisa antes de tudo me agradar e me fazer o mínimo de sentido. Mas depois eu quero ar, quero que elas voem. Provavelmente a minha única pretensão real na vida seja com a música, o resto, bom o resto vamos seguindo na maior leveza possível.

Pois bem, não quero me estender demais ou mais. Um novo EP está a caminho e dois teasers das gravações já estão na rede.

Mais uma vez venho acompanhado da banda Sociedade Soul e de novos convidados. Em relação aos “novos convidados” , futuramente eu farei um post especial sobre eles.

Muito provavalmente “Espassia” será lançado em novembro desse ano.

Um abraço,

Antonio Rossa

Sete Questões para Tom Custódio da Luz

Posted in musica, sete questoes with tags , , , , , , , on 20/06/2012 by transitoriamente

Evitar a comparação é tão incrivelmente complexo quanto imaginar andar sem chão. Somos inevitavelmente compelidos a comparar qualquer sinal de estímulo, tudo com todos, e salvo a nossa aparente limitação de cruzamento de dados, sempre precisamos encontrar o par de algo.

Estou com o CD promocional de Tom Custódio da Luz em minhas mãos (Produzido por Oliver Dezidério e Direção Artística de Raul Albornoz), e confesso que ainda me agrada a ideia do CD, da ordem das músicas propostas, da foto da capa e por quais motivos ela nao está na contracapa. Esse senso se perdeu no mundo virtual, mas aí o papo é outro.

Catarinense de Blumenau, o jovem compositor reúne Tom e Luz em seu nome, um quase presságio, ou talvez apenas uma responsabilidade prévia.

Fui pego mais uma vez pelo ato da comparação direta, o que se não bem dosado pode levar uma ideia ao desdém prematuro ou ao excesso de bajulação de quase todas as coisas.

Enquanto ouvia Luz, a conversa rolava na sala, e nas brechas das palavras conversadas algumas coisas me chamavam a atenção.

“Tudo bem”, pensei enquanto tentava encaixar os pares do jovem compositor. Mas espera aí, lá estavam João Gilberto, Chico, Caetano, Camelo e Jeneci, pra ser bem simplista e chegar logo a uma conclusão. Que nada, Luz conseguiu dar seu toque em poesias muito bem escritas, danadas no bom tom. espertas. Além da competente banda que conseguiu o belo feito de não soar acima do cantor.

Se nada mais me chamasse a atenção, eu ainda diria que Luz estava ali ajudando a levar alguns estilos consagrados adiante, o que já não seria pouca coisa.

Mas o compositor se destaca do óbvio, e mesmo quando óbvio alguma coisa soa particular. Mais do que aquilo que é, a vida se faz também na ideia daquilo que pode ser. Eu acredito que Luz será.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

Antonio Rossa: Tom, você se lembra do seu despertar para a música? Como foi esse processo?

Tom Custódio: Mais ou menos. Eu sempre gostei de música, e gostava de cantar quando criança. Esse gosto sumiu em algum ponto da minha infância e retornou aos meus 14 anos, quando conheci uma banda chamada Oasis, de que gostei muito, que me incitou a compor. Acho que dá pra dizer que eu comecei a viver música mais ou menos dessa maneira que vivo agora quando conheci essa banda.

AR: Sendo bem simplista, senti na sua música influências de João Gilberto, Chico, Marcelo Camelo. Quais as infuências que a gente não consegue enxergar nitidamente no seu som. mas que lá estão? Poesia, pintura, literatura?

TC: Eu não sei bem como funciona esse negócio da influência. Não sei se todas as coisas de que gosto acabam aparecendo no que eu faço e é isso que se chama de influência. Não sei. Eu não tomo absolutamente nada por modelo, realmente. É claro que conhecendo certos tipos de música e descobrindo beleza nelas eu acabo, mais tarde, quando quero fazer algo bonito, quem sabe “mencionando” essas músicas, mas não faço por querer.

Então o que eu costumo dizer que é influência pra mim é o que eu tô gostando mais de ouvir no momento. Nesses últimos tempos ouvi um pouco de Queen, de Strokes, Beatles, Novos Baianos. Gosto muito desses todos, quem sabe isso fique mais ou menos aparente nas composições.

AR: A arte muda o mundo ou apenas o ameniza?

TC: Que pergunta danada. Eu acho que muda horrores. Nesse momento eu vejo a arte como uma organização muitíssimo estética do vivido e acho que qualquer tipo de organização tem implicações na maneira como se lida com aquilo que se vive.

Não fosse o rock e eu teria uma dificuldade muito maior em lidar com a minha agressividade, por exemplo, e se nunca tivesse havido o samba o significado de alegria seria completamente diferente pra mim.

Acho que a arte dá conta de certas coisas que a comunicação verbal deixa um pouco de lado e eu não consigo imaginar uma sociedade coesa sem arte. Toda experiência é sensível e alguma coisa tem que permitir uma expressão mais ou menos fiel desse aspecto da experiência.

AR: Pode-se entender um artista como alguém inquieto, e de certa forma insatisfeito, que tenta remodelar as coisas a sua volta e a sua maneira. Você tem alguma pretensão de remodelar algo e o que seria isso?

TC: Eu gostaria que muitas coisas fossem diferentes, mas isso não faz parte do meu trabalho como artista. A minha arte tem que ser inútil nesse sentido. Eu não escrevo nem desenvolvo as músicas por causa de alguma coisa, pra gerar algum resultado, senão o poema vira uma petição, um abaixo-assinado, sei lá o quê.

Quando a arte deixa de ser brincadeira, quando ela é um meio e não um fim em si ela não é mais arte e ela vira um absurdo total, pra mim. Se eu toco violão não porque eu tô com vontade, mas porque é importante pra isso e pra aquilo, tocar fica tão chato quanto ir no banco pagar uma conta. Às vezes é importante tocar violão pra estudar um dedilhado novo ou alguma coisa assim, mas aí não é arte, aí é um treino de coordenação motora, de memória visual, tátil e que serve ao propósito de tornar mais fluida e natural a brincadeira que se quer brincar.

AR: A cultura catarinense até o momento não produziu “baluartes” nacionalmente reconhecidos. O renomado escritor Cristovão Tezza, por exemplo, apesar de catarinense reconhece-se na prática como paranaense. Como você avalia essa “não-projeção” dos nossos artistas?

TC: Não sei o que acontece, nunca problematizei isso. Quem sabe haja pouco incentivo.

Eu morei em Piçarras e Balneário Camboriú antes de me mudar pra Florianópolis, e essas duas primeiras cidades não têm teatros, então qualquer peça, qualquer musicista não pára ali. Em Floripa tem, mas é incrível como os artistas parecem pular Santa Catarina nas suas turnês. Parece-me bastante entranhado no saber popular que essas coisas só vão pra frente lá em São Paulo. Eu mesmo tô louco de vontade de ver minha música tocando lá pra ter o conforto de saber que tá tudo dando certo. Mas não sei, nunca pensei bem a respeito.

AR: Você está mais para “jovem novo” ou um “jovem-velho? Por quê?

TC: Haha, como assim?
Quem sabe novo no sentido de que é novidade, velho no sentido de que algumas coisas que aparecem nas minhas composições fazem um pouco de referência a coisas mais antigas de que eu gosto. Mas se for pra ver assim, isso serve pra tudo no mundo. Cada coisa tal qual é novidade, porque é a única desse jeito, mas ao mesmo tempo faz uma referência a uma coisa que precedeu ela, então esse negócio de novo/velho aí não serve pra muita coisa. É coisa de sentir o gosto mesmo, tem que ouvir a música pra saber o gosto que tem.

Pra mim o meu trabalho não é nada disso, afinal ele é meu projeto de vida. Tudo de mais verdadeiro que eu tô vivendo acaba aparecendo nas minhas músicas e não é novo ou velho, ou mpb ou pop ou rock, é aquilo que é.

AR: Uma ideia para o futuro…

TC: O próximo cd, se tudo der certo.

Transitoriamente em “Clássicos com Energia”

Posted in musica with tags , , , , , , , , on 12/06/2012 by transitoriamente

Todos aqueles que trabalham ou são aprecidores da música de alguma forma conhecem a célebre mistura de uma banda acompanhada por uma orquestra, uma camerata ou até mesmo um “simples” naipe de violino, cello e contrabaixo.

O projeto “Clássicos com Energia” tem algumas particularidades em relação a esse clássico formato.

Regido e concebido pelo Maestro Jeferson Della Rocca, temos então a Camerata Florianópolis acompanhada pela banda Brasil Papaya, tocando clássicos de Beethoven, Mozart, Vivaldi entre outros grandes nomes.

A própria Camerata Florianópolis já havia tocado com o Brasil Papaya no bem-sucedido “Rock’n’Camerata”. E como o nome bem diz foram tocados clássicos do rock nessas ocasiões. Dessa vez foram invertidos os papéis criando-se uma nova roupagem.

Com patrocínio das empresas Baesa e Enercan, a produção audiovisual ficou a cargo da Transitoriamente, e contou com a minha direção. Trabalho desafiador, cheio de nuances, mas muito gratificante.

Foram nada menos do que 16 músicas em cerca de 15 horas de gravação. Trabalho que somente uma equipe muito competente seria capaz de dar conta. E deu!

Gravado no belo e aconchegante “Baobah Estúdios de Autocriação”, o espectador poderá viajar junto, como se estivesse muito próximo aos músicos. Em certos momentos terá até mesmo a sensação de estar no mesmo lugar do maestro.

Mais uma vez ficou claro que os clássicos nunca se esgotam.

Ficam aqui os meus agradecimentos a todos que participaram direta ou indiretamente desse projeto.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

 

Transmutação e Mudança

Posted in idéias simples e inovadoras, Novos projetos with tags , , , , , on 07/05/2012 by transitoriamente

Não é sempre que acontece, porém algumas vezes o trabalho e a vida se misturam em belos encontros cheios de significados e profundamente modificadores.

Foi o que aconteceu na vivência “Embarque em sua Natureza”, promovido pela Transmutar Vivência.

Foram dois belos dias na exuberante Reserva Passarim, em Paulo Lopes (SC), com práticas de automassagem, yoga e alimentação vitalizada.

Tive o imenso prazer de produzir o vídeo dessa especial vivência.

Se a mudança é algo difícil de ser realizado na prática, algumas experiências podem nos ajudar a descobrir caminhos dentro de nós mesmos, que facilitem essa busca.

Um abraço,

Antonio Rossa

Sete Questões para Jean Mafra

Posted in musica, sete questoes with tags , , , , , , , , , on 17/04/2012 by transitoriamente

Num mundo “facebookiano” e “instagramático”, onde contadores de histórias e analistas contábeis são facilmente confundidos, onde a arte não mais parece ser impulsionada pela surpresa e discurso social contestatórios, mas por aplicativos e pesquisas de opinião, e principalmente no tempo onde a tecnologia está mais importante do que o Homem, ainda assim existem seres-humanos utilizando-se de certas “humanices” em busca de um novo elo propulsor.

Chegamos ao Século 21 até certo ponto melhorados, mas não melhores. É possível que todas as pessoas terão uma câmera fotográfica digital antes mesmo de todos terem três refeições diárias garantidas. A fome de fama parece ter similar peso àquela do estômago. Vejo Narciso finalizando Dionisio com uma chave de braço.

Tempos modernos? Excesso de tudo? Desbunde narcisista? Bolsa de velhos valores? Difícil precisar, ainda mais quando um artista consagrado como Bono Vox, por exemplo, diz estar em dúvida sobre a continuidade de sua banda U2, devido a sua crescente “irrelevância”.

Jean Mafra é um desses inquietos, artista, filé-mignon de analistas recém-formados, macho que choca, bicha que não é, um depravado lúcido, um importante que só ganhará tamanha importância no dia em que se levar menos a sério.

Chegou atrasado no tempo. Hoje letras precisam ser quase infantis e profusamente desconexas para terem chances, ainda que ínfimas, de falarem mais alto do que o falatório onipresente. Tempo este em que poesia e slogan, som e música facilmente se confundem.

Mafra é compositor dos bons, e dos ”maus”. Relata o lascivo como quem não se importa, mas no fundo arde de rancor por carregar a real noção de que seu impulso para a opinião pública, tantas e tantas vezes, fica aquém do seu real talento.

Não lhe falta atrevimento, nem ousadia, muito menos conteúdo e coragem. Talvez seja uma questão de tempo. Será que vai chover?

Está com disco novo, o urgente “Pressa” (ouça aqui), junto com seu Bonde Vertigem. Justamente no momento em que se prepara para ser pai novamente, e um certo ar de serenidade parece lhe dar as caras.

Deixou para trás, e no início, sua militância política, ao mesmo tempo em que seu novo trabalho é uma espécie de caldeirão das conseqüências políticas e econômicas dos últimos 50 anos no mundo, mesmo que nos detalhes.

Na entrevista abaixo, transcrita com suas habituais “minúsculas”, Mafra mais uma vez se abre, e se joga sem pára-quedas, no mar revolto das novas possibilidades.

Se a arte está cada vez mais próxima de um souvenier envernizado por instagram, Mafra continua a exalar entusiasmo no fazer de seu ofício, e sente que ainda há gás para seguir, com ou sem verniz.

Bom som e um abraço,

Antonio Rossa

1) Rossa: “Pressa” parece declaradamente (e positivamente) um disco “terceiro-mundista”. O “primeiro-mundo” está declinando?

essa nomenclatura me parece meio datada, embora ainda faça sentido, claro. mas a questão é que assim como o termo, a visão de que o “primeiro mundo” estaria a frente “do(s) terceiro(s)” acaba por não levar em consideração que as nações desenvolvidas, ou imperialistas, são o que são por sempre terem sido “dependentes” das riquezas dos países pobres. entre essas riquezas está a música. foi a diáspora negra que construiu a música popular como nós a conhecemos (jazz, samba, choro, tango, mambo, rock, etc). nesse sentido, declínio e ascensão acabam por se embaralhar. nos dias de hoje, a produção musical com mais vitalidade vem de lugares como bogotáluanda,monterreybelém e não de londres, são paulo ou nova york.

2) Rossa: Qual a versão atual de Jean Mafra? Qual “roupa” não te serve mais? 

estou interessado em me divertir. em ser feliz com quem quiser ser feliz. minha “versão atual” é um remix de mim mesmo. pronto pra pista.

não me serve mais a atuação política. aquilo me fez mal. cansei. quero me dedicar mais ao palco, a composição, ao texto, a família e aos amigos. continuarei a ser alguém político, claro, mas ao meu modo.

agora, de modo geral, ao contrário do que possa parecer, embora tenha amadurecido e mudado de opinião, acho que há certa coerência nas coisas que venho fazendo, dizendo, nos últimos 7, 8 anos.

3) Rossa: A internet nos dá a possibilidade de termos “quase tudo” a um clique da mão e até certo ponto vem se mostrando o que de mais próximo a uma democracia podemos vislumbrar. Por outro lado o culto ao individualismo promove um novo status de seres Narcisistas. Recentemente Bono Vox, do U2, chegou a cogitar o fim do U2 por conta de uma sensação de crescente irrevelância. Estamos próximos ao ideal de “igualdade das diferenças”ou o mundo sempre será doloroso, injusto e opressor, e de cima para baixo?

e agora?! quem sou eu para lhe responder algo do tipo?! posso dizer que o que atualmente me interessa e me alimenta no mundo da música vem de países e economias periféricas e que essa produção nasceu através de programas de produção musical pirateados. me emociona pensar que os mesmos programas baixados em lugares diferentes (rio de janeiro ou luandacidade do cabo ou san josé)  geraram músicas tão diversas e ricas e que essas manifestações surgiram de um drible na lógica da indústria. lamentavelmente muito dessas cenas não chega ao grande público, que ainda perde tempo ouvindo velhos roqueiros milionários… pena. mas as coisas estão mudando, a indústria fonográfica perdeu muitas batalhas e hoje já não tem mais a mesma força que teve e isso é muito bom para a música, para os músicos e para os públicos. de todo modo, o mundo ideal ainda está muito distante.]

4) Rossa: Passaram-se os anos e o tal sucesso global da música catarinense ainda não aconteceu, ninguém ficou milionário, nem está de caso com a Madonna. Estás animado com o cenário atual?

olha, no meu caso, nunca acreditei em “música catarinense”, embora continue esperançoso quanto a DOMINAÇÃO GLOBAL… rá!!!

antonio, não conheço música catarinense. posso te dizer que existe algo que possa ser chamado de música paraense ou, vá lá, de rock gaúcho, mas aqui não há esse sotaque tão forte. será que haverá algum dia? será que isso faz diferença? vivemos em um estado pequeno e super fragmentado, temos um campo de trabalho relativamente pequeno, não contamos com apoio do público local, por essas e outras, é possível dizer que os artistas locais construíram MUITO. estamos de parabéns!

agora, tivemos um momento muito bacana entre 2007 e 2009. havia uma cena, pequena, mas interessante. depois a coisa toda desacelerou e naturalmente houve uma reorganização das forças criativas…

estou feliz onde estou, tocando com quem estou. tenho hoje ao meu lado no palco músicos que admiro muito e que não apenas ajudaram a construir o que temos, mas farão o que está por vir. a saber, o bonde vertigem é formado por ulysses dutracisso fernando bordignon e gringo heinzmann.

no mais, o cenário de hoje é muito promissor, ano passado foram colocados na rua trabalhos maiúsculos de gente como cassim & barbáriamapuchefevereiro da silva e outros. acho que neste 2012 ainda virão outros tão bons quanto.

obviamente, há muito o que mudar. recentemente houve todo um “ôba-ôba” em torno de um possível fechamento dotalesyn no centro e todos correram para salvar o bar… ora, embora ache importante manter todo e qualquer espaço, me chamou a atenção a preocupação geral em ajudar um lugar que não tem a mínima infra para os artistas se apresentarem. detesto essa onda de se fazer de “underground”. fica parecendo que o legal mesmo é o artista detonado, sempre. domingos longo, organizador da festa “s.o.s. talesyn” me alfineta por aí, dizendo que me fantasio e coisas do tipo, mas vejo que ele, que faz um sub-sub rock gaúcho, vive há umas duas décadas brincando de roqueiro rebelde nos fins de semana… até aí, cada um com seus interesses, certo?! o problema é que esse tipo de comportamento pauta parte significativa do jornalismo cultural da cidade, sabidamente formado por amigos do poser, o verdadeiro. daí, que acho que ainda há muito o que melhorar…

no mais, a madonna já passou, né?! sou mais a m.i.a., que além de relevante, é linda.]

5) Rossa: Recentemente as clássicas “Mocinhas” perderam em audiência para as novas “Piriguetes”, mostrando que há um novo “cool popularesco”. Que tipo de mulher Jean Mafra seria? 

antonio, que pergunta, hein? não sei nem que tipo de homem sou… “meu segredo é menina, mas as vezes não”.

6) Rossa: Apesar de mais sutil nesse último trabalho, o tema “sexo” é uma constante no seu trabalho. Quem fala muito pouco faz? Isso faz sentido?

então… sempre me interessou essa coisa lasciva no palco, nas letras, mas isso não significa que minha vida seja essa loucura toda, certo?! atualmente estou bem comportado. estamos grávidos, eu e ana carina, daí que meu momento particular é menos efusivo e mais aconchegante. isso não significa que a música que quero fazer vá nessa direção. o sexo, a orgia, o corpo, o vinho são ainda o que interessam ao meu mise en scène

7) Rossa: Comente a frase: “A sede de conhecimento parece ser inseparável da curiosidade sexual.” (Sigmund Freud)

(pausa para uma longa e teatral gargalhada)

me parece que o sexo sempre pautou o ser humano. a busca por poder, por dinheiro, é tudo sexo. até a coisa das drogas, não deixa de ser uma busca por um prazer que tenta substituir o sexual. daí que a música, a música para se festejar, para servir ao corpo e a festa, não deixa de ser um caminho que serve a este objetivo: sexo e prazer.

de minha parte, um meio rápido e seguro para se chegar “lá” é o bonde vertigem.

Utopia: Uma realidade ultrapassada?

Posted in Curiosidades with tags , , , , , , on 24/10/2011 by transitoriamente

Como é prazeroso compartilhar o bom conhecimento, conteúdos com peso e forma capazes de levar adiante ideias e ideais que hoje são de certa maneira sufocados pela mídia de massa, onipresente e fundamentalmente comercial e restrita.

Abaixo você confere alguns episódios da mini-série “Era das Utopias “ de Silvio Tendler, transmitida pela TV Brasil, em 2009.

Um primoroso material que analisa, através de entrevistas com diversas personalidades, o surgimento da utopia socialista e seus desdobramentos até os dias de hoje.

Aproveite e reflita.

Antonio Rossa

Estamos vivos!

Posted in Uncategorized with tags , , , on 19/10/2011 by transitoriamente

Olá pessoal,

Fiquei um bom tempo sem atualizar o nosso querido blog, muito por conta da carga de trabalho dos últimos meses e até mesmo para tentar entender melhor a validade de um blog hoje diante de tantas ferramentas mais rápidas que não param de acontecer.

Confesso que foi importante ter essa perspectiva. Às vezes se encostar na parede e deixar o fluxo de gente ir pela calçada é também uma maneira de andar com essas pessoas.

Ao mesmo tempo não é porque fast-food é mais rápido que passaremos a basear nossa dieta nisso. Justo?

Essa semana ainda teremos post novo por aqui.

Um abraço,

Antonio Rossa