Archive for deus

O céu e o inferno em cada esquina: Um breve texto reflexivo

Posted in Livre Comunicação with tags , , on 21/06/2010 by transitoriamente

Está na capa da revista: Deus está morto!

Está na capa do jornal: Assassinatos em nome de Deus!

Ateus dizem: Não há Deus.

Fíeis clamam: Deus está em mim.

Lá no fundo da minha alma. Espera aí. Como assim, alma?

Alma tem código? Aceita cartão? Compra-se almas ou compra-se a ideia da alma?

O homem criou e matou Deus a seu bel prazer, e até hoje tenta vender drágeas de fé, sensibilizantes, amortecedores dos próprios infinitos desequilíbrios.

Compreendo que um Deus morto pode ser também um paradigma “martelante” levado ao chão. Um Deus-material hoje pode ser equivalente a um i-Pod na vitrine do shopping da moda onde tantos andam com desejos afiados e a flor da pele.

Deus seria então apenas uma imaginação do homem? Mas o que é real de fato? Um Macbook Pro ou um Big-Mac? Conheço vários admiradores de Steve Jobs que o tratam quase que como um “santo”.

Seria o “endeusamento” uma medida de excassez frente a luta pela sobrevivência? Quem sabe apenas um argumento paliativo?

Porém, quando temos o que comer, um amor e um sofá, por qual motivo ainda nos deparamos com um vazio? Seria apenas uma condição mecânica como inspirar e expirar?

Nos limites do conhecimento humano criou-se e destituiu-se Deus, Freud explica, mas ainda continua a não explicar muitas das coisas. O homem e suas eternas complexidades, as novas e as antigas.

Wall Street tinha achado uma fórmula para o seu crescente sucesso. A sacanagem afinal foi de Deus, do Diabo, da matemática, do próprio homem ou do acaso e do desconhecido?

Uma curiosidade: quem não acredita em Deus por conseqüência não acredita no Diabo, ou chega a ter um aval?

Vejo tanta gente molestando moralmente outras pessoas, até mesmo gente com semblantes calmos e ações comedidas. Existe o palavrão-educado ou a ética-mentirosa? Sabemos que não.

Somos julgados, por vezes massacrados ou exaltados, pelo grau do nosso conhecimento e pelo grau de apego que temos com coisas visíveis e invisíveis. Sim, somos o que sabemos ser e parcialmente aquilo que mostramos ser.

Fulano é materialista!

Cicrano é místico!

Todo apego excessivo constitui matéria, sendo que o próprio preconceito é um agravante imaterial sobre coisas materiais. Caso contrário o ser-humano só poderia tecer opiniões após uma saraivada de análises e pesquisas, baseado em fundamentações teóricas apropriadas e certificadas. Não fazemos isso, aliás, você conhece alguém que faça?

Tudo bem, tem o Google, mas no Google a verdade não está certificada, pelo menos não ainda. E quando for, qual será a verdade que irá prevalecer?

Pois bem, caminhamos para um mundo “digital-verdade-não fuja”. Sim, aquele lance Matrix, íris ocular, via-satélite, etc. Será que chegaremos a um ponto onde o auto-conhecimento passará a ser chamado de auto-esquecimento, onde seremos obrigados a nos esquecer para conseguirmos ir adiante? Tudo estará no Google,a poucos cliques. Até aquela sua piada mal-sucedida estará lá, para todo mundo ver, rir ou chorar. Será então possível alguém ficar fora da área de cobertura?

O projeto do homem inevitavelmente passa por um projeto de Deus, do Éden perfeito, do corpo puro. O capeta pode ser simplesmente a não assepsia, pois a ideia de bem e mal parecem defasadas para tentar explicar a conduta do homem moderno.

Sua conta bancária pode falar um pouco sobre algumas coisas suas. Porém, sua conta bancária não é você, como seu carro não o é. Então somos seres que vivem embebidos num conjunto de místicas improváveis, refletidos por um materialismo que nos dá a sensação de que o pré-julgamento está avalizado por uma pseudo-corretora moral, com logomarca e “Since 1500”.

A ideia chegou a Lua antes do homem. Caso contrário o foguete poderia ter ido para outro lugar.

Você é o que você sabe. Aliás, você não tem medo daquilo que você pode ser caso descubra?

Se há código é porque tem senha, e se tem senha deve ser para entrar em algum lugar.

O céu e o inferno estão logo ali. Acredite.

Antonio Rossa