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“Invisivelmente” por Transitoriamente

Posted in musica with tags , , , , , on 14/06/2010 by transitoriamente

Quando uma banda chega ao quinto disco (quarto de estúdio) é preciso no mínimo ficar atento, pois não parece teimosia a palavra certa para um trabalho de anos. Caso o fosse, já seria admirável tal persistência num mundo onde ilusórias celebridades instantâneas levam legiões de jovens (e nem tão jovens) a imaginar uma carreira promissora do dia para noite.

Até certo ponto o mundo parece ter esquecido que árvores não nascem grandes, prontas, que existe uma semente que precisa ser plantada, e as pontes, bom, as pontes é para quem as consegue imaginar.

Dediquei algumas boas horas na audição de Invisivelmente, da banda catarinense Aerocirco, com uma atenção que eu particularmente julgo necessária caso se queira enxergar mais do que aquilo que brevemente se mostra. O disco será lançado oficialmente neste próximo dia 20 em www.aerocirco.com.br .

Os anos de estrada aliados a um competente grupo já seriam bons requisitos para sentar e ouvir um trabalho com a calma necessária.

Mesmo sendo um disco pop, Invisivelmente não entrega todas as cartas logo na primeira audição. Quem quiser mais terá que se dedicar, e isso para mim reflete trabalhos coesos que precisam ser vasculhados com uma boa dose de atenção. Cada canção é como uma pessoa, e para se conhecer uma pessoa você precisará agir de forma única, aberta e dedicada.

“Amanhã” e “Invisivelmente” são pérolas, uma nítida maturação da composição de Fábio Della, esta última uma espécie de delírio onírico, um sonho propulsor da potência humana de um Niestzche. Aliás, as letras de Della parecem mais claras, muito melhor resolvidas.

“Última Estação” parece trazer essa ideia de colagens estéticas, linha do tempo, como aqueles objetos que andam circularmente rumo a um cone nos livros de física moderna. É como se a vida passasse em sua frente e você ali parado vendo tudo em perspectiva.

“Ontem” é olho no espelho, aqueles momentos de auto-reflexão com marcas temporais  e uma saudade que só o esquecimento momentâneo e sua recriação futura podem produzir. Talvez seja uma ponte para as cartas de “O Rei”, que faz uma colagem com “A mão e o coração”, do disco Aerocirco, de 2003. Esperta conexão.

O baladão “O resto tanto faz” é o Aerocirco com os pés nos 70´s, mas com uma roupagem mais moderna, o que também vale para “Não me leve a mal”, um hit instantâneo e já lançado como single em 2009.

Em Invisivelmente o instrumental me saltou aos ouvidos, guitarras ora pulsantes, ora delicadas, linhas de baixo seguras e batidas espertas que vão do rock ao country com destreza.

Caso a música pop continue a se ver como um sanduíche de caixinha, o próximo e coerente passo seria então criar sanduíches musicais. Enquanto isso não acontece, tire um tempo do seu dia, faça uma lenta e deliciosa refeição e ainda dê 60 minutos a um álbum honesto e promissor.

Foi assim que eu vi Invisivelmente.

Bom som e um abraço, Antonio Rossa

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Banda: Aerocirco

Álbum: Invisivelmente / 12 faixas

Ano: 2010

Gravadora: Independente

Produzido por Fábio Della

Segunda-Feira-Clipes: The Asteroids Galaxy Tour

Posted in musica with tags , , , , , , on 17/11/2008 by transitoriamente

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O Segunda-Feira-Clipes traz uma super dica do nosso grande tecladista Diego Carqueja, do Sociedade Soul.

 

The Asteroids Galaxy Tour é o nome dessa banda dinamarquesa formada há menos de um ano e que já abriu shows do porte de Amy Winehouse, além de ser trilha sonora de uma propaganda do i-phone. Já dá para sentir que a banda está muito bem acompanhada e eu não estou falando da Amy.

 

Confira o clipe de Around the Bend abaixo e acesse a página da banda no myspace (clique aqui).  

 

Boa semana a todos e um abraço,

 

As tendências e o pensamento – Um breve texto reflexivo.

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , on 19/09/2008 by transitoriamente

 

Como bem diz o já célebre blogueiro catarinense Mr. Rafael Weiss, do Mundo47, o Youtube é de fato a maior e melhor televisão do mundo. Nós todos sabemos que o Youtube antecipa, de alguma maneira, a forma como as pessoas assistirão a televisão num futuro próximo, isto é, tendo a possibilidade de escolher a hora e o local onde querem assistir tal programa, que hoje ainda conta com uma grade e horários pré-definidos.

 

Nas últimas conversas com amigos ou em entrevistas, tenho divagado bastante a respeito do termo tendência. Lembro-me muito bem dos dias longos da minha pré-adolescência, procurando notícias das minhas bandas preferidas nas pouquíssimas revistas especializadas da época, esperando que aquela “minha” música tocasse no rádio ainda naquela tarde. Foi nos anos noventa.

 

O dedo ficava descansando no rec, aguardando a grande hora do cassete rodar. A idéia de Internet ainda nem me passava pela cabeça. Eu trocava arquivos, revistas, VHS e outros materiais Brasil afora. Não era tarefa simples, apesar da emoção gostosa em busca de novos CEP´s.

 

Pergunte a um adolescente de hoje qual a tendência da música, ou do cinema, ou da moda? Apesar de toda padronização dos gostos, acredito que as respostas serão inúmeras, muitas delas criativas, mas diferentes entre si em alguns pontos.

 

Imagine que em apenas uma tarde, qualquer pessoa pode assistir a um vídeo produzido há 50 anos atrás e ao mesmo tempo um lançamento de 50 minutos atrás, passando por várias décadas e estilos através de alguns toques no mouse do computador.

 

Para nós, que naquela época esperávamos pela tendência do ano, isto é, a tendência da moda em 90, ou a tendência da música em 92, ou “o livro” de 95, o pouco acesso que se tinha era tido como “a única verdade existente na face da terra”. Os livros não passavam de uma ponte intransponível entre realidade e ficção, com aquele charme arrebatador típico do inalcançável.

 

Lembro-me de ouvir insistentemente o mesmo disco por meses a fio, tentando achar enigmas nas capas, buscando significados e sinais nas letras, viajando nas melodias e tirando um som.

 

Hoje, tendência parece ser o acumulo de tudo isso, das épocas, das cores e das misturas. Aliás, mistura me parece um termo bastante apropriado para os nossos tempos atuais, seja de raças, de roupas, de idéias, seja na paleta de cores do seu computador.

 

Então quer dizer que você simplesmente mistura algo e isso é o nosso tempo? Não, nem sempre, apesar de arte e acaso me parecerem um casamento mais interessante do que arte e negócios! Por mais que 50 pessoas tenham em suas mãos os mesmos ingredientes, a gente sabe que cada uma destas pessoas pensará o seu prato a sua maneira, uns prepararão deliciosos e aromáticos maincourse, outros nem sequer conseguirão fritar os ovos.

 

O que cada vez mais eu penso como fator fundamental da criação do nosso futuro é justamente a coerência que nós precisamos desenvolver para equilibrar todas essas vertentes, estilos, modismos e cores.

 

Neste ponto é que a educação entra como um alicerce importantíssimo para o desenvolvimento da nossa arte e da nossa vida como um todo. Eu digo educação crítica, filosófica, aquela que propõe uma ação de pensamento e uma análise sobre o pensar. Apesar de não ser a única solução, construir novas escolas e preparar e remunerar melhor os professores já é um grande adianto, e isso precisa ser feito agora. Mas educação de verdade é um passo ainda maior e que precisa ser planejado seriamente.

 

A dissociação e a criação das multi-especializações contribuiram e muito para uma parte decisiva do nosso desenvolvimento. Chegou-se longe, é um fato indiscutível.

 

Por outro lado distanciaram-se alguns pontos de conexão entre diversas áreas, isto é, existem hospitais onde o médico, o enfermeiro e o psicólogo realizam trabalhos convergentes, porém cada um pensa este dever por conta própria levando em consideração somente aquilo que lhe foi apresentado como verdade, seja na universidade, em algumas especializações e até mesmo na prática de sua profissão.

 

Nesta prática, muito possivelmente, o aluno não foi confrontado com a análise do seu pensamento, nem mesmo com as conseqüências dos seus atos para a organização como um todo. Este aluno aprendeu como realizar tal técnica, específica, mas freqüentemente finaliza um curso com uma elevada carga de imaturidade social, filosófica e cultural

 

O desconhecido não é respeitado, e isso é lógico. Como eu respeitarei algo que eu nem sei que existe? Como eu terei vontade de ter algo que nem ainda foi criado? Então há uma urgente necessidade de fornecer às pessoas alguns instrumentos básicos para que estas possam vislumbrar novas idéias e conceitos, e mais do que tudo, possam perceber um mundo ainda maior, porém mais integrado.

 

As minhas atitudes influenciam você! As suas atitudes influenciam o José, e as de José me influenciam. Nós somos responsáveis por nos mesmos, mas freqüentemente deixamos as rédeas da nossa vida sob responsabilidade de pessoas que nós nem ao menos sabemos que existem.

 

Atentamos contra nossos conhecidos, falamos mal de nós mesmos como se isso fosse um exercício de humildade. Confundimos com facilidade ignorância com essa humildade, aliás, é muito comum ver pessoas tentando galgar posições enaltecendo e fingindo até mesmo defeitos que não são os seus.

 

Caso a comunicação de qualidade consiga alcançar quem ainda vive a sombra dela, talvez tenhamos mais uma ferramenta para tirar da humanidade o peso de ser um projeto mal sucedido, a deficiência do próprio ser humano. 

 

Mas para que isso aconteça, teremos ainda que perceber com mais clareza aquilo que não é fácil de notar, que num primeiro momento não é material e que existe e está em todo lugar, agora e em trânsito: o pensamento.

 

Pense bem, Antonio Rossa

Sexo, Armas e Rock´n`Roll! O Independente & A Indústria Moderna.

Posted in musica with tags , , , , , , on 30/07/2008 by transitoriamente

 

 

O meio independente não é “ignorado” por ser um modelo de negócio morno aos olhos da indústria mundial. Ser independente, antes de tudo, é saltar os portões do autoritarismo vacilante, é comprar o terreno, construir a casa e erguer a sua bandeira.

 

Isso fere qualquer padrão até então imposto de controle de massas e obediência civil, mesmo que o independente na maioria dos casos não desobedeça à civilidade, muito pelo contrário.

 

O independente choca num primeiro momento, porque é a materialização da contramão de um establishment inflado e decadente. No independente você negocia com o mundo, da sua casa, baseado nas suas idéias e conceitos. Quantas empresas médias, por exemplo, que você conhece negociam além fronteiras?

 

Os nossos artistas independentes estão ganhando o mundo, passo a passo, exatamente da maneira que os especialistas mundiais conceituam os modelos de negócio modernos, isto é, leves, dinâmicos e criativos.

 

Se o mundo torna-se virtual e o contato humano escasso, por uma lei simples de economia o toque passará a valer mais, talvez mais do que você possa pagar. Os artistas, indubitavelmente, estarão na ponta da oferta de contato e calor humano.

 

Hoje, o seu artista preferido pode morar no seu prédio, a arte faz tudo ficar em perspectiva, ou seja, você será fã do seu vizinho e não da Madonna, por exemplo.

 

Atualmente, mais do que imaginar uma campanha de marketing eficiente, é preciso pensar no bom-senso e no equilíbrio entre fantasia e realidade. Aos poucos os consumidores estão se habituando a não mais aceitar “mentiras mascaradas”, o famoso “mete goela abaixo que eu compro”.

 

Mais educadas, as pessoas irão reivindicar um espaço na sala de estar. A fantasia será tão real quanto a sua capacidade de maravilhar os olhos e corações de uma sociedade de almas empedradas.

 

O artista que foi “expulso” dos jardins da filosofia clássica, voltará como alguém íntegro e transparente. Não haverá espaço para mentiras, já que o tempo também se tornará escasso, e a integridade não será mérito algum, apenas necessidade. 

 

Ao depender de si próprio, sua responsabilidade social e para com a sociedade inevitavelmente será maior. Sendo mais responsável, você ganhará e o país também ganhará.

 

A arte, sem dúvidas, é e será cada vez mais um dos modelos de sociedade responsável e organizada, capaz de se auto-sustentar, além de manter o homem num equilibro possível entre a cruel realidade e o mundo dos sonhos.

 

Pensando na realidade das cidades, será que as pistolas e o crack não estão chegando mais facilmente nas mãos das crianças do que tambores e violões? É de se pensar, não?

 

“Sexo, Armas e Rock´n´Roll” será um chavão muito doloroso que talvez alguma indústria dependente compre e transforme em produto de última moda.

 

Quem compreende Dylan ou Daca, Chico Buarque ou Chico Faganello, Moptop ou Iggy Pop, talvez entenda melhor o valor e o peso real de uma arma.

 

Lennon já dizia: Happiness is a warm gun!

 

De que lado você está?

 

Antonio Rossa