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Sete Questões para Humberto Gessinger

Posted in musica, sete questoes with tags , , , , , , , , , on 26/09/2012 by transitoriamente

 

Mesmo que o sucesso seja algo subjetivo e fugaz e a música pop promova celebridades que amanhã simplesmente se apagarão, alguns artistas conseguem imprimir uma diferente versão para este fato e prolongar os seus 15 minutos de fama.

O gaúcho Humberto Gessinger vem há mais de 25 anos escrevendo a sua história dentro da música brasileira, ora com o seu Engenheiros do Hawaii, ora no power-duo Pouca Vogal ou até mesmo na literatura, onde o compositor já está na sua quarta publicação. Também se tornou blogueiro e atualiza todas as semanas, na virada de segunda para terça feira, o seu BloGessinger (Acesse aqui).

Sucesso nacional na virada dos anos 80 para os 90, Gessinger conseguiu a proeza de sobreviver ao onipresente “furacão pós-mainstream” – aquele que leva celebridades ao chão com a força de um tsunami – com novos trabalhos e a agenda cheia ao longo da década e meia que se seguiu, mesmo após a ruptura do clássico power-trio Gessinger, Licks e Maltz (GLM).

Quem viveu o momento sabe que o Engenheiros do Hawaii foi uma das bandas mais “achincalhadas” pela crítica nos anos 90, o que em parte ajudou o trio a contar um séquito de fãs fiés e defensores. Eram tempos pré-internet e o mundo da comunicação era montado numa espécie de pirâmide imóvel, com caminhos estreitamente inacessíveis.

Transcendeu formatos – o próprio Gessinger diz ter sobrevivido ao LP, K7, VHS, DVD, DAT, CD e mp3 – e mantém-se na ativa e na estrada. Atualmente encarna o Pouca Vogal junto de Duca Leindecker (Cidadão Quem) e o Trio Grande do Sul, com os músicos Esteban Tavares (Ex-Fresno) e Paulinho Goulart, além de mensalmente promover uma twitcam tocando seus clássicos e novidades.

A volta do Engenheiros parece adentrar o horizonte, apesar de Humberto não confirmar datas e nomes. O alfabeto que formará o “novo-velho” Engenheiros ainda é incerto. Apostas? 

Com vocês Humberto Gessinger no Sete Questões da Transitoriamente.

Um abraço,

Antonio Rossa

Antonio Rossa – Depois de mais de 25 anos de estrada, 19 discos lançados, mainstream em algum ponto da carreira, hoje as suas inquietudes estão mais estáveis? Existe um lugar chamado “lá” onde tantos querem chegar? Você sente que chegou “lá”?

Humberto Gessinger – Não há um objetivo alcançável. Sem bússola nem norte, a caminhada é tudo que há: estar em movimento, na direção que o coração manda. Depois de anos de arte/ofício, as linhas entre passado, presente e futuro ficam imprecisas.

AR – Num ambiente “transmidiático”, onde todas as formas de mídia interagem entre si, você acha que a canção corre o risco de se transformar em um mero pano de fundo? A sua escrita, seus livros, hoje lhe são uma espécie de “continuidade musical” ou uma necessidade?

HG – Desde sempre, pra muita gente, a canção é só um pano de fundo. Não faz sentido exigir que todos se relacionem com ela de forma mais intensa. Até para alguns colegas músicos sinto que a canção não parece ter muita transcendência. Quanto à literatura, ela ocupa algumas frequências no meu espectro sensorial. Assim como  o baixo ocupa as frequências mais graves e a guitarra as frequências médias do espectro sonoro.

AR – Em termos de impacto sonoro, um DJ solitário pode alcançar certos “volumes” que antigamente somente uma grande orquestra alcançaria. Uma banda hoje em dia é um formato datado? Veremos um dia o Humberto DJ (risos)?

HG – Pra mim, a questão não é o volume, é a performance. A música sendo feita de forma “irredutível”. Se for assim, o formato é secundário, instrumentos serão só ferramentas.

AR – O Engenheiros do Hawaii será reinventado? A cobra já mordeu o próprio rabo?

HG – A cobra ainda não fechou a boca… os dentes do cachorro ainda não separaram o rabo do corpo.

AR – Com HDs cada vez mais poderosos, quem sabe chegue o dia do “fim da memória” pessoal ou cerebral. Você arriscaria supor o impacto disso?

HG – É possível que aconteça, mas qualquer projeção feita por analogias está fadada ao fracasso. Não dá pra imaginar como seremos.

AR – O que mudou no Humberto compositor de 1986 e o de 2012? Com o passar do tempo a gente passa a entender, a aceitar ou a esquecer?

HG – O compositor aprendeu alguns atalhos que se nega a usar. Então: mudou ou não mudou? Se aprendeu, mudou. Mas se não usa, não mudou.

AR – Uma ideia para o futuro…

HG – Hoje li que um museu disponibilizou para www todo seu acervo de Goya. Quero deixar uma idéia de esperança na boa utilização da nossa tecnologia. É preciso acreditar, estamos naquele ponto do vôo onde já não há combustível para voltar. Muita gente propagandeia um passado mítico que, além de não existir agora, nunca existiu.

 

 

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