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Leandro Chaves e sua “Aldeia”

Posted in Talentos Catarinenses with tags , , , , , , , , , , on 23/04/2011 by transitoriamente

Ainda existe arte longe dos computadores, em alguma aldeia por aí.

“Aldeia” é o nome da primeira exposição do artista plástico catarinense e premiado diretor de arte publicitária Leandro Chaves.

No último 18 de abril Lelê, como é conhecido, lançou sua exposição no Shopping Itaguaçu, em Florianópolis.

As oito esculturas em cerâmica, que compõem a exposição, mostram um diálogo social e antropológico do artista com o estilo de vida e suas percepções em relação à Guarda do Embaú, no litoral catarinense, onde também mantém seu ateliê.

Nesse momento nota-se certos fundamentos pelos quais a verdadeira arte se impõem diante da onipresente indústria cultural.

Em tempos de arte “bem feitinha”, Lelê desafia a estética previsível, as facilidades tecnológicas e nos oferece uma nova visão até mesmo sobre a relação do homem com a ideia da escultura.

“Trabalhei durante 4 anos até o momento em que os personagens tomaram forma. Não havia data, prazo, nem pressão. Foi algo completamente diferente da minha realidade dentro de uma agência de publicidade”, relata Lelê.

Os personagens da “Aldeia” instigam por suas originalidades, por suas estéticas e dimensões, mas principalmente por sua “dose de humanidade”. Sim, as esculturas parecem ser dotadas de vida própria, e suas expressões são um convite a uma observação mais cuidadosa.

“Essa minha arte é uma forma de eu estar mais perto de mim, da minha terra e da minha verdade”  diz o artista que, muito empolgado com a recepção do trabalho, ainda relata certas curiosidades em meio a risadas e um pouco de espanto: “Teve uma pessoa que me pediu para ver as minhas mãos. Eu disse a ela que ali havia apenas dez dedos e só” .


Tive o imenso prazer de fazer o registro fotográfico desse momento tão especial para a arte catarinense. Momento que de alguma forma dialoga com os primórdios da arte, quando computadores nem sequer passavam pela cabeça dos homens.

Antonio Rossa

Obs.: “Aldeia” ficará no Shopping Itaguaçu até o dia 30 de abril, próximo a Praça de Alimentação.

Sete Questões para Leandro Chaves

Posted in sete questoes with tags , , , , , on 29/10/2008 by transitoriamente

 

Leandro Chaves nasceu na simpática Palhoça, na Grande Florianópolis, e ao longo dos últimos 12 anos vem trilhando uma carreira de sucesso no mundo publicitário catarinense, com uma série de prêmios conquistados (Diretor de Arte do Ano no Prêmio Catarinense de Propaganda em 2004 e 2006, shortlist no Festival de Cannes 2008, shortlist no Festival de Londres 2008 e no Festival Mundial de Publicidade de Gramado – Edição Extra 2008 conquistou prata e bronze) e trabalhos de criatividade relevante.

Talvez, devido a sua visão de mundo particular e desprendida dos padrões comuns e de certa forma avessa em ser o centro das atenções, Lelê (como é chamado) parece não se encaixar na figura típica de um publicitário. Sua alma e o seu talento de artista transbordam criatividade, versatilidade e fazem a diferença num mercado cada vez mais atolado de mesmices.  

 

1) Inicialmente para que as pessoas consigam entender o que você faz, qual a função de um diretor de arte numa agência?

Além de criar, o Diretor de Arte é responsável pela qualidade visual de toda a comunicação da agência e seus clientes. Isso envolve dirigir muitas pessoas durante todo o processo que vai da criação da peça até a sua veiculação ou impressão.

Etapas do processo:

Criação – aprovação – produção – finalização – veiculação(quando houver) – impressão.

Criação – é feita internamente sempre que possível em grupo, duplando (sic) com redatores, é um processo bem descontraído mas sempre com o foco no briefing.

Aprovação – O atendimento leva até o cliente as campanhas criadas pela agência para aprovação, as vezes é solicitado por ele a presença da equipe de criação em suas apresentações.

Produção – o acompanhamento do Diretor de Arte durante a produção é essencial para alcançar o máximo de qualidade, tanto no meio gráfico quanto no eletrônico.

Finalização – É o momento onde serão feitas as revisões finais.

Veiculação (quando houver) – durante a veiculação o diretor de arte confere a qualidade da impressão e acabamento.

Impressão – é responsabilidade do Diretor de Arte junto com o produtor conferir o acabamento do material impresso, cores, dobras, facas especiais, etc…

2) Há pouco mais de 10 anos atrás a arte, numa agência, era feita a mão. Atualmente os meios eletrônicos tomaram conta das agências. Quais as vantagens e as desvantagens disso?

Só vejo vantagens.

Eu agradeço muito por ter passado pela fase que tudo era feito na prancheta, no pincel, a finalização era no nanquim e na fotocomposição, e os prazos eram bem diferentes também.

Hoje tudo é mais fácil, você tem na sua frente qualquer informação, é só dar um clic.

Os layouts são muito próximos do material final, com impressões em alta definição, porém o processo criativo continua o mesmo, ainda uso muito o lápis e papel para esboçar as idéias e definir qual é o melhor caminho para uma campanha.

Outro dia um amigo estagiário, recebeu um job e vi ele quebrando a cabeça durante horas tentando criar direto no computador, mas ele tinha limitações no domínio do programa que estava usando, dei a ele lápis e papel e pedi para ele desenhar algumas idéias e esquecer o computador nesse primeiro momento, o trabalho dele rendeu muito mais.

As grandes idéias não dependem dos MACs ou dos PCs.

3) Você, sendo um diretor de arte com grande experiência no mercado, consegue separar a arte da publicidade ou elas inevitavelmente se misturam?

“Fluir” é uma palavra que eu admiro muito, eu acredito que tudo o que você consegue fazer fluindo se torna uma arte. Estou na BZZ há um ano e meio, lá eu sinto em vários jobs o meu trabalho “fluindo”.

4) Porque você ainda não expôs nenhuma das suas obras, sendo que você é um talentoso escultor?

Tenho várias idéias com relação a isso, porém falta amadurecer, ainda estou em fase de experimentos, mas acredito que em breve poderá rolar.

5) Como você iniciou na arte? Alguém lhe incentivou ou simplesmente “aconteceu”?

Na minha infância sempre tive uma inquietação, uma necessidade de estar sempre criando algo novo, pintando, desenhando, esculpindo… Quando comecei a trabalhar em agência tudo ficou mais voltado para o lado profissional, mas paralelamente sempre trabalhei em casa com as minhas “criações”, no meu estúdio.

6) Além de artista você também é surfista. Que ensinamentos do surf você leva para a sua arte e vice-versa?

“Fluir” é a palavra que levo do surf para a minha vida, sempre acreditei que quando as coisas fluem é porque se está no caminho certo.

7) Uma idéia para o futuro?

SOLIDARIEDADE